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Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães




Arraste-me para o Inferno ★ ★
Sam Raimi. Drag Me To Hell. EUA, 2009

Assistindo a "Arraste-me para o Inferno", cheguei a conclusão que não é a quantidade de situações absurdas que faz um filme de terror ser ruim, o que acontece em grande parte das produções que se aventuram a explorar o gênero. Um dos pontos cruciais que enfraquecem a experiência cinematográfica é a reação dos personagens ao que acontece de surreal. E neste quesito, o filme que marca o retorno de Sam Raimi ao gênero que o consagrou vai além do satisfatório, produzindo um filme divertidíssimo.

"Arraste-me para o Inferno" acaba também se revelando um manual contra as convenções do gênero. Pra começo de conversa, a "heroína" do filme, Christine Brown, está longe de ser a mocinha boba de outras produções de terror: analista de crédito numa instituição bancária, ela nega crédito a uma velhinha cigana, num momento de ambição profissional - mas acaba sendo amaldiçoada pela velha. Christine não pestaneja ao matar seu gatinho de estimação, quando descobre que o sacrifício poderia aliviar da perseguição da "Lamia", ou o próprio dito-cujo. Christine também não hesita em comemorar ao vencer a velhinha maldita em uma luta que se torna cada vez mais absurda e nojenta (dentaduras saindo da boca sempre me causam aversão) - e é com muita satisfação que eu a ouvi proferindo a frase "I won, you old bitch", porque seria exatamente isso que se espera de uma pessoa normal, ainda que em um bizarro contexto sobrenatural. Também, nota-se que as minorias étnicas não são abatidas pelo vilão, coisa mais que comum no terror.

Mas "Arraste-me para o Inferno" vai além: investe em sustos a um intervalo de tempo periódico que provoca no espectador curiosa sensação: nos momentos de "calma", sabemos que receberemos um susto em breve, o que não é muito suficiente para evitá-lo (a menos que você se assuste com o que acontece do seu lado, como quando um pé apareceu do nada ao lado da minha amiga Kalynka). Sam Raimi investe em diferentes "mídias" de susto - a cara assustadora da cigana Sylvia Ganush aparece em lugares inimagináveis. Por outro lado, como um bom "terrir", há momentos hilários de exagero: como as nojentas secreções que insistem em perseguir a boca da pobre Christine, ou quando ela ameaçadoramente procura seu bichano para o abate.

Sam Raimi consegue a proeza de criar um contexto cinematográfico em que faz sentido a personagem Christine jogar uma bigorna na cabeça da velha maldita, a Sylvia Ganush. Quando cenas do tipo não ofendem a inteligência do espectador, o resultado é uma experiência divertida, com um final corajoso e coerente com o próprio título da obra.

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