Anticristo ★ ★ ★ ★ ★
Lars von Trier. Antichrist. Dinamarca, Alemanha, França, Suécia, Itália e Polônia, 2009
Lars von Trier é um diretor versátil. Quem diria que o responsável pelo movimento Dogma, cujo objetivo era um cinema desprovido de "truques" como cenário e trilha sonora, produziria filmes tão díspares como um musical (Dançando no Escuro), uma comédia corporativa (O Grande Chefe) e dramas experimentais pesados (Dogville e Manderlay), sem no entanto, perder sua essência, sua persona artística.
Von Trier adiciona ao seu CV o gênero terror, através deste recente "Anticristo". Mas não esperem terror convencional. Um espectador desavisado poderia esperar algo semelhante a "A Profecia" (The Omen) em razão do seu título; não poderia estar mais enganado. O terror de Anticristo é mais causado pela psicologia (ou seria psicopatia?) que pelo sobrenatural. O que assusta é a natureza, principalmente a humana.
O diretor dinamarquês demonstra coragem ímpar com imagens que variam do sublime (a já clássica sequência inicial em que o casal de protagonistas faz sexo ao som da ária "Lascia ch'io Pianga" de Handel) ao chocante (a cena de mutilação sexual feminina). Isso não seria possível sem as performances excepcionais de Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, completamente entregues aos difíceis papéis de "ele" e "ela" (os personagens não tem nomes).
Curioso efeito tem este filme de Von Trier: ao mesmo tempo em que chega a ser desagradável em certas partes, causa uma grata satisfação ao final perceber que algo difícil e inteligente ainda consiga ser realizado, considerando o padrão do cinema atual e seu público.


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