IMHO

Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães




Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
★ ★

Steven Spielberg. Indiana Jones and Kingdom of the Crystall Skull. EUA, 2008

Indiana Jones é um personagem célebre e, porque não, mítico do cinema. Mas isso não impede que um filme sobre ele seja ruim. Como de hábito nos textos sobre filmes dos quais não gosto, lá vem spoiler, então não leia se você não quiser saber detalhes da trama.

Tenho boas lembranças do último filme de Jones, ... e a Última Cruzada, lançado em 89 (há 19 anos atrás, direto do túnel do tempo). Não sei se motivado pela infância, mas eu me assustava cada vez que eu vi o vilão beber de um dos cálices e envelhecer até virar pó. Talvez fosse ilusão minha esperar alguma coisa desse nível no mais novo e caça-níquel filme da franquia, que podia perfeitamente ter sido deixada descansando em paz.

Indi 4 começa com o famoso arqueólogo em algum lugar em Nevada (Area 51 anyone?), sendo levado por nazistas soviéticos (!) liderados pela russa Irina (Cate Blanchett) para procurar uma caixa magnética. A caixa continha nada menos que um ET. Depois de muita confusão, ele volta para a universidade onde leciona, até ser encontrado pelo jovem Mutt (Shia LaBeouf) que pede sua ajuda para encontrar sua mãe e algum artefato no Peru.

O grande problema deste Indiana Jones é o excesso de tosquices. Talvez se eu assistice aos outros filmes da trilogia, encontraria problemas semelhantes, mas isso não justifica os erros desse volume. Vejamos bem: eis que Mutt se descobre parente de Tarzan numa cena absolutamente ridícula em que ele passeia nos cipós junto com simpáticos macaquinhos amazonenses. Depois disso, os nossos heróis enfrentam formigas gigantes que devoram uma pessoa em segundos (!!). Mas se Indi sobrevive a esses insetos nojentos, o que são 3 quedas d'águas imensas? Apenas um banho refrescante. O chapéu obviamente continua intacto em sua cabeça. Ah, e eu nem comentei da geladeira de chumbo. É melhor parar por aqui.

Mais classuda, no entanto, é a vilã interpretada por Cate Blanchett - e é com muita felicidade que eu prevejo que a atriz NÃO concorrerá prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por esse papel. Depois de enfrentar as mais terríveis intempéries na quente Amazônia, ela surge magnífica com sua roupa perfeitamente passada, limpa e seca. Pena que os ETs do Peru não tiveram a menor piedade com a russa paranormal.

Quem se ferra mesmo, no entanto, é John Hurt, que profere a maior pérola do filme (tudo bem que seu personagem ficou biruta): "Eles voltaram para o espaço entre os espaços". Provocou riso involuntário.

Realmente, não tem personagem que sobreviva a tanta tosquice. Infelizmente, Indiana Jones 4 faz jus ao péssimo título. O filme só não é um desastre completo graças à interessante dinâmica entre Indi e seu filho (ops, contei - ainda bem que eu tinha avisado) e algumas cenas divertidas, com destaque para a da areia movediça. É o caso de pensar se vale a pena desenterrar certos tesouros do passado.




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