Live at The Blue Note ★ ★ ★ ★
Gal Costa. 2006
Não precisa ouvir muito do disco novo de Gal Costa para saber que é algo especial. Aliás, basta ouvir os primeiros acordes de Fotografia, faixa que abre o seu Live at The Blue Note para perceber o tom intimista adotado pela cantora baiana e seus músicos. Gal comenta que parece estar na sala de casa. Quem nos dera ter essa ilustre presença nos nossos lares, mas o CD nos aproxima dessa grande cantora de música brasileira.
Gal pode já ter passado de sua melhor forma vocal mas ganhou maturidade. A sua afinação [recisa continua a mesma característica. E, arrisco a dizer, como é bom ouvir um legítimo "ao vivo" sem pro-tools. Gal pode. Não é qualquer cantora que chega aos agudos de Ave Maria no morro como ela, por exemplo.
Ela não canta o que os críticos adoram chamar de "biscoito fino" da mpb. Ela canta, sim, o biscoito bono de chocolate que todo mundo come mas é sempre uma delícia. Gal canta os tomjobins que os americanos amam, e nós também, de forma magnificamente sóbria, como manda o figurino. Uma ou outra surpresinha tiram o CD do lugar-comum: I Fall In Love Too Easily, standard jazzístico interpretado por gente como Davis, Baker e Sinatra, ganha roupagem bossa nova e será tema da próxima novela do Maneco. Gal surpreende também emendando Coisinha Mais Linda com As Time Goes Bye, tema do filme Casablanca. Coisinha mais linda.
O Live at The Blue Note ainda tem o charme de Gal conversando em inglês com todo o sotaque baiano do mundo. É bom ver Gal Costa de volta em um disco que, se não tem nenhuma novidade, serve para nos recordar da imensidão interpretativa e vocal dessa diva baiana.
P.S.: Amanhã a noite tem show da Gal aqui em Milão. Depois de tantos elogios, eu bem que merecia um ingresso, não? Bons tempos aqueles do jabá.
Gal Costa. 2006
Não precisa ouvir muito do disco novo de Gal Costa para saber que é algo especial. Aliás, basta ouvir os primeiros acordes de Fotografia, faixa que abre o seu Live at The Blue Note para perceber o tom intimista adotado pela cantora baiana e seus músicos. Gal comenta que parece estar na sala de casa. Quem nos dera ter essa ilustre presença nos nossos lares, mas o CD nos aproxima dessa grande cantora de música brasileira.
Gal pode já ter passado de sua melhor forma vocal mas ganhou maturidade. A sua afinação [recisa continua a mesma característica. E, arrisco a dizer, como é bom ouvir um legítimo "ao vivo" sem pro-tools. Gal pode. Não é qualquer cantora que chega aos agudos de Ave Maria no morro como ela, por exemplo.
Ela não canta o que os críticos adoram chamar de "biscoito fino" da mpb. Ela canta, sim, o biscoito bono de chocolate que todo mundo come mas é sempre uma delícia. Gal canta os tomjobins que os americanos amam, e nós também, de forma magnificamente sóbria, como manda o figurino. Uma ou outra surpresinha tiram o CD do lugar-comum: I Fall In Love Too Easily, standard jazzístico interpretado por gente como Davis, Baker e Sinatra, ganha roupagem bossa nova e será tema da próxima novela do Maneco. Gal surpreende também emendando Coisinha Mais Linda com As Time Goes Bye, tema do filme Casablanca. Coisinha mais linda.
O Live at The Blue Note ainda tem o charme de Gal conversando em inglês com todo o sotaque baiano do mundo. É bom ver Gal Costa de volta em um disco que, se não tem nenhuma novidade, serve para nos recordar da imensidão interpretativa e vocal dessa diva baiana.
P.S.: Amanhã a noite tem show da Gal aqui em Milão. Depois de tantos elogios, eu bem que merecia um ingresso, não? Bons tempos aqueles do jabá.
Marcadores: música
À Prova de Morte ★ ★ ★ ★ ★
Quentin Tarantino. Death Proof. EUA, 2007
É difícil não gostar de um filme do Tarantino, mesmo um exemplar que, a princípio, poderia ser considerado menor. Seria menor no sentido de exploração de um subgênero, as perseguições de carro. Mas não se pode limitar o cinema de Tarantino a um gênero como o terror - é difícil resumir À Prova de Morte como "um filme sobre perseguição de carro". É mais fácil defini-lo como "um filme de Tarantino", afinal as referências pop, a trilha sonora, a podolatria, tudo é característico do seu estilo já inconfundível, apesar de sua curta cinegrafia.
Death Proof veio como a segunda parte de um projeto dividio com seu amigo, Robert Rodriguez, chamado Grindhouse. Era para ser uma homenagem às sessões duplas destes cinemas que passavam filmes B. O longa de Rodriguez (comentarei sobre ele aqui um dia) consegue ser um bom exemplar do gênero. Mas Tarantino vai além e cria algo classe "A". Pena que o projeto não funcionou bem e o estúdio acabou dividindo Grindhouse em dois filmes diferentes e vendeu assim para o resto do mundo que não conhecia as Grindhouses.
O filme de Tarantino traz o Stuntman (dublê) Mike (Kurt Russell) como um psicopata que adora perseguir moças belas com seu carrão "à prova de morte", eventualmente as matando. Tarantino passa a metade do filme fazendo a gente odiar o vilão. Na segunda metade, ele entraga uma deliciosa vingança.
No decorrer do filme, o diretor americano apresenta os famosos diálogos repletos de referências, cenas em preto-e-branco sem razão de ser, música de Ennio Morriocone, suas marcas pessoais. Interessante é ele trabalhar com Zoe Bëll, interpretando ela mesma, dublê profissional. Bëll trabalhou com Tarantino em Kill Bill e agora ganha um merecido destaque no novo filme do cineasta. Podemos ver Death Proof como uma homenagem a essa desgraçada profissão.
Até a metade do filme, achei que Tarantino tinha errado feio a mão. Parecia arrastado e demorou para chegar onde interessa. O segundo ato, no entanto, tem uma execução primorosa e termina de maneria genial. Subestimei Tarantino. Achava que seu Death Proof seria realmente algo próximo a um terror B, mas revelou-se uma divertida incursão a um gênero pouco valorizado, com sua maneira especial e característica de fazer cinema.
P.S.: é imbecil, incompreensível e completamente despropositada a decisão da distribuidora brasileira de estrear o filme só ano que vem. Nosso amigo Paul Torrent já gravou o filme faz tempo.
IMDB
Rotten Tomatoes
Trailer
Torrent
Quentin Tarantino. Death Proof. EUA, 2007
É difícil não gostar de um filme do Tarantino, mesmo um exemplar que, a princípio, poderia ser considerado menor. Seria menor no sentido de exploração de um subgênero, as perseguições de carro. Mas não se pode limitar o cinema de Tarantino a um gênero como o terror - é difícil resumir À Prova de Morte como "um filme sobre perseguição de carro". É mais fácil defini-lo como "um filme de Tarantino", afinal as referências pop, a trilha sonora, a podolatria, tudo é característico do seu estilo já inconfundível, apesar de sua curta cinegrafia.
Death Proof veio como a segunda parte de um projeto dividio com seu amigo, Robert Rodriguez, chamado Grindhouse. Era para ser uma homenagem às sessões duplas destes cinemas que passavam filmes B. O longa de Rodriguez (comentarei sobre ele aqui um dia) consegue ser um bom exemplar do gênero. Mas Tarantino vai além e cria algo classe "A". Pena que o projeto não funcionou bem e o estúdio acabou dividindo Grindhouse em dois filmes diferentes e vendeu assim para o resto do mundo que não conhecia as Grindhouses.
O filme de Tarantino traz o Stuntman (dublê) Mike (Kurt Russell) como um psicopata que adora perseguir moças belas com seu carrão "à prova de morte", eventualmente as matando. Tarantino passa a metade do filme fazendo a gente odiar o vilão. Na segunda metade, ele entraga uma deliciosa vingança.
No decorrer do filme, o diretor americano apresenta os famosos diálogos repletos de referências, cenas em preto-e-branco sem razão de ser, música de Ennio Morriocone, suas marcas pessoais. Interessante é ele trabalhar com Zoe Bëll, interpretando ela mesma, dublê profissional. Bëll trabalhou com Tarantino em Kill Bill e agora ganha um merecido destaque no novo filme do cineasta. Podemos ver Death Proof como uma homenagem a essa desgraçada profissão.
Até a metade do filme, achei que Tarantino tinha errado feio a mão. Parecia arrastado e demorou para chegar onde interessa. O segundo ato, no entanto, tem uma execução primorosa e termina de maneria genial. Subestimei Tarantino. Achava que seu Death Proof seria realmente algo próximo a um terror B, mas revelou-se uma divertida incursão a um gênero pouco valorizado, com sua maneira especial e característica de fazer cinema.
P.S.: é imbecil, incompreensível e completamente despropositada a decisão da distribuidora brasileira de estrear o filme só ano que vem. Nosso amigo Paul Torrent já gravou o filme faz tempo.
IMDB
Rotten Tomatoes
Trailer
Torrent


