The Bourne Ultimatum. Paul Greengrass. EUA, 2008.
Esqueça James Bond. Esqueça McGiver. Esqueça o Spider Man. Esqueça Wolverine. Esqueça Chuck Norris. Você não precisa de nenhum deles quando Jason Bourne está por perto.
O Ultimato Bourne é um manual de como fazer um filme de ação decente. Paul Greengrass faz um filme de ação ininterrupta, ritmo eletrizante, câmera instável e, por conseguinte, tensão crescente, que só cessa quando as letrinhas dos créditos começam a aparecer na tela.
A trama não é lá muito complexa - Bourne age para descobrir a verdade por trás de seu passado. Enquanto isso, a CIA faz de tudo para apagá-lo do planeta, contando com softwares de busca que faria o google ficar com inveja (basta me dar uma versão daquele CIA Earth que eu já ficaria feliz).
Bourne não tem computador equipado, mas tem passaportes, sabe falar mais línguas que o ex-Papa e luta melhor que o Chuck Norris (ou foi o próprio que o ensinou, nunca se sabe). Vale ressaltar, no entanto, que ele não é indestrutível. Ao cair na porrada, se machuca (não mais que seu oponente). Bourne é gente de carne e osso. Matt Damon, que não é um ator muito expressivo, adota uma composição minimalista para representar os conflitos do seu personagem, ainda amargo pelo assassinato da namorada no filme anterior, e ansioso por descobrir seu passado.
Aliás, quando Nicky Parsons, a personagem de Julia Stiles, reaparece (ela esteve presente na trilogia), eu pensei que se tornaria o interesse amoroso do protagonista, coisa corriqueira em filmes hollywoodianos. Felizmente, estava enganado.
Greengrass sabe conduzir cenas de ação que jamais ofendem a inteligência do expectador, talento já mostrado nos (ótimos) A Supremacia Bourne e Vôo 93. Sequências como a da estação de trem londrina fazem com que o espectador acredite que o herói Bourne está sempre à frente dos seus opositores, mostrando a agilidade do seu cérebro em situações de perseguição. A coreografia é cuidadosa, a montagem é frenética. O feito se repete durante todo o filme.
E se o final não é surpreendente, melhor uma explicação razoável e crível que uma surpreendente e irreal. Bourne descobre o seu passado e ainda se redime. O que é uma pena, pois mais uma ótima trilogia parece ter chegado ao fim.
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David Silverman. The Simpsons Movie. EUA, 2007
Durante o primeiro longa metragem estrelado pela família mais conhecida dos desenhos animados, o desmiolado Homer tem uma epifania ao som de uma versão da música Spider Man - troca-se o "man" por "pig". Não sabe o que é uma epifania? Mais um motivo para assistir a Os Simpsons - O Filme.
O filme dos Simpsons é marcado pela ironia tão famosa dos episódios feitos para TV. Logo no início, temos Homer e família em um cinema se perguntando porque pagar para assistir a algo que podemos ver de graça na televisão. A resposta é óbvia: pagamos porque gostamos de humor inteligente e ácido, e isso nem sempre é fácil de encontrar na sala escura. E pra quem não pagou, segundos depois Bart dá o recado no quadro negro: "I will not download this movie". A carapuça serviu?
Os Simpsons segue um caminho parecido com o da série South Park. Basicamente, o filme é uma versão extendida de um episódio normal da série. O ritmo e estilo são característicos. Cortes rápidos, muita acidez, adicionando-se a possibilidade de desenvolver uma história mais densa que um programa de meia hora permitiria. Neste filme, Lisa se apaixona, Bart se decepciona com o pai, Maggie e Homer passam por uma crise conjugal. E por falar no "herói" da série, representante do americano típico, ele ainda tem que salvar Springfield, depois de o próprio condenar sua cidade à destruição. E ainda passa por uma epifania, isso é que é arco dramático!
O humor dos Simpsons é desenvolvido de diversas formas. Além da metalinguagem já referida, o filme usa de referências pop que, felizmente, não soam meramente gratuitas na maioria das vezes. Uma Verdade Inconveniente tem uma versão Lisa Simpson não tão sofisticada. Tom Hanks himself está lá fazendo-se de republicano. O Governator Arnoldão é o presidente. Green Day toca a famosa música tema (do onipresente Danny Elfman). E, claro, Spider Pig versão coral:
Criticou-se o filme por limitar-se a um "mais do mesmo". Não vejo problema algum, quando o "mesmo" é uma série caracterizada pela crítica inteligente e bom humor ao longo de 16 anos, mantendo-se sempre atual e representativa das idiossincrasias americanas. Que venha mais do mesmo, então.
Meirelles fala sobre o dia-a-dia das filmagens e é sempre interessnate ler o ponto de vista do próprio diretor sobre as gravações do filme. Meirelles conta como é dirigir Moore numa particular cena dramática, por exemplo, ou como é ensinar um bando de atores hollywoodianos a andar como cegos sem parecer zumbis. Vale a pena conferir.
Michael Bay. Idem. EUA, 2007
Varia de pessoa para pessoa. No meu caso, encontro humor com facilidade em piadas sujas, torta na cara, atores canastrões e frases de roteiro ruim. Por conseguinte, não consegui resistir às muitas pérolas do Transformers.
O filme produz aquilo que é conhecido como "humor involuntário", ou seja, é engraçado sem querer, gera riso sem objetivar o riso. O problema do humor involuntário é que não é percebido por todos com a mesma intensidade. Quando alguém fala que os robôs tem seu dna baseado em computador, eu não consegui resistir à piada pronta, mas nem todos que estavam na sala reagiram da mesma forma, o que é uma pena. Parece que a maioria do público levou a sério.
Para quem não sabe do que se trata, Transformers versa sobre robôs malvados que vêm para a Terra causar muita confusão - e sobra para os robôs do bem salvar o planeta. A palavra Transformers é justificada pelo fato que os robôs se transformam em carros, aviões e por aí vai. Eu mesmo lembrei ao assistir ao filme que tinha um fusquinha que virava robô quando era pequeno. Emocionei com a lembrança pero no mucho.
Refleti muito antes de escrever este texto (na verdade não postei antes porque estou curtindo minhas merecidas férias na Bahia). E cheguei à conclusão que Transformers engana muito bem o espectador com suas muitas explosões, efeitos especiais, robôs batendo em robôs e roteiro nonsense. Ao longo dos muito minutos, temos McGuffins como um óculos especial (?) e um cubo mágico responsável por criar os tais robôs, que acaba sendo descoberto pelo avô do protagonista vivido pelo jovem Shia LaBeouf.
Por falar em Shia, ele é responsável por tornar o filme quase bom. Carismático e dono de bom timing cômico, ele interpreta o herói quase sem querer do filme, por ter comprado (ou sido escolhido por) um Autobot (robô do bem), além de ser neto do vovô dos óculos especiais que dariam a localização do tal cubo. Ainda assim, o personagem não é suficiente para tornar o filme menos crível. Michael Bay apresenta um desfile de personagens estereotipados, como soldados genéricos, uma loira gostosa especialista em sinais - é simplesmente hilário quando ela diz com uma forçada convicção que "Esse sinal não pode ter vindo da China" (mais uma vez o tal humor involuntário). É mais fácil acreditar que os robôs realmente existem.
Por falar nisso, é inegável a excelência dos efeitos visuais do longa, algo que Michael Bay é especialista. Os robôs são absurdamente realistas e seus movimentos concebidos de forma natural. As cenas de explosão são espetaculares. O filme é bastante barulhento, o que pode garantir uma indicação ao Oscar de Efeitos Sonoros. Pena que Bay filme tudo com aquele esquizofrenismo típico de filmes de ação ruins, com cortes rapidíssimos, como se qualquer cena com duração de mais de 5 segundos gerasse no espectador (ou público-alvo) sonolência.
O leitor pode vir a contrargumentar dizendo que este é um filme do tipo "desligue o cérebro e coma pipoca", como se isso fosse simplesmente possível. Pelo menos para mim não é. E ainda nem falei dos anúncios publiticários do Burger King, Xbox, Nokia... É melhor parar por aqui.
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