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Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães



Sim, é comédia

O Grande Chefe ★ ★ ★ ★
Lars von Trier. Direktøren for det hele. Dinamarca/ Suécia/ Islãndia/ Itália/ França/ Noruega/ Finlândia/ Alemanha, 2006

Não é à toa que Lars von Trier é o diretor dinamarquês mais conhecido do mundo. Após aloprar o cinema com o movimento Dogma 95, fez o musical-mais-bonito-do-mundo Dançando no Escuro (mesmo com as escandalosas brigas com a estrela Björk), polemizou com a trilogia Estados Unidos: Terra das Oportunidades, do qual já lançou Dogville e Manderaly. E agora, filma uma "simples" comédia, para passar o tempo, enquanto não filma Wasington.

Mas seria muita ingenuidade achar que uma comédia de Lars von Trier não estaria envolvida em alguma polêmica. Até o espectador mais incauto vai notar alguma coisa de esquisito na montagem do filme, nos cortes abruptos no meio do diálogo e até mesmo na posição das câmeras. Mas não dará importância. Se você, no entanto, tiver curiosidade de dar uma olhadinha no imdb, vai descobrir que o diretor usa uma técnica inovadora chamada Automavision, em que ângulos e movimentos de câmera são selecionados pelo computador. Enfim, um prato cheio para a crítica que odeia o espertinho do von Trier.

Não é o caso desse blogueiro. Antes de partir para a direção, digamos, "cômoda", von Trier teve o trabalho de escrever o roteiro - e neste caso, não há nada para reclamar. O filme é uma deliciosa comédia sobre o mundo corporativo. Um ator, Kristoffer (Jens Albinus), é contratado para interpretar o presidente de uma empresa de IT cujo fundador, Ravn (Peter Gantzler), não era suficientemente seguro para assumir tal posição - por isso, cria a figura de um presidente "virtual", desconhecido de todos os outros sócios. Eis que Ravn recebe a proposta de venda da companhia, e finalmente precisa da figura do "grande chefe".

É claro que Kristoffer não tem idéia do que é ser o CEO de uma empresa de IT e é daí que decorre boa parte do humor do filme. Von Trier desenvolve coadjuvantes na medida para criar gags divertidas, ao mesmo tempo em que os personagens principais passam por um curioso confronto de interesses. Albinus tem um ótimo timing cômico e conquista pelo jeito cafajeste com bom coração.

Engraçado sem soar estúpido, o novo filme de von Trier é uma simples e agradável comédia de escritório, coisa que eu nunca imaginei escrever sobre o diretor. Não deixa de ser uma boa surpresa.

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