Ratatouille ★ ★ ★ ★ ★
Brad Bird. Idem. EUA, 2007
Depois de assistir a Ratatouille, cheguei à conclusão que o filme era o único Oscar garantido do ano so far. Isso até ver Os Simpsons - O Filme. A briga vai ser feia. (Com relação às outras categorias, o ano já chegou à metade e não tem nenhum ator, atriz, diretor, roteiro, etc. e tal que me fez dizer: esse é batata para o Oscar. Sinal de ano fraco no cinema?)
First things first. Ratatouille, o filme do ratinho cozinheiro, é sensacional. Aliás, Brad Bird é um nome a ser lembrado e observado. Em seu currículo, está "Os Incríveis" que, pra mim, é o melhor Pixar até agora (empatando com Ratatouille). Curiosamente, Bird foi consultor executivo de Os Simpsons entre 89 e 97.
Remy é um jovem rato com um talento inimaginável para alguém de sua espécie - dono de um olfato e paladar apuradísssimo, devensolve o dom para cozinhar. Inspirado pelo lema do famoso cozinheiro Gusteau "Qualquer um pode cozinhar", Remy decide seguir seu sonho em ser cozinheiro - e qual não é a sua surpresa quando descobre que mora em Paris. Remy vai parar no restaurante de Gusteau, que partiu desta para a melhor, e acaba sendo transformado em "franquia".
Remy e seu primo - ratos simpáticos mas nojentos
Rataouille revela os mistérios dos bastidores de um restaurante francês como o La Tour d'Argent (ainda como um dia lá) através de Linguini, recém-contratado do restaurante. Possível herdeiro de Gusteau mas sem o menor talento para cozinhar, ele descobre o dom de Remy e os dois combinam (de forma "cinematográfica") para realizar o sonho de ambos.
Gosto do filme de Bird por trazer uma mensagem bacana e sincera, envolta em bela imagem e cuidadoso conteúdo. Pra começar, o rato Remy é bonitinho e animado, mas tem cara de rato. Não deixa de ser repugnante ver Remy e seus amigos andando pela cozinha (ah se fosse a minha), o que é bastante justo. Ao mesmo tempo, o rato Remy é mais expressivo do que muitos atores de Hollywood, algo realmente preocupante.
O filme ainda inclui o crítico gastronômico Anton Ego, interpretado por Peter O'Toole em mais uma oscar-winning performance. Ego, aparentemente, um crítico malvado e mesquinho, revela um amante da gastronomia e detona com prazer aqueles que tratam o objeto de sua paixão como um mero comércio. Isso sim é a função da boa crítica. Ego interpreta o papel chave do filme, ao compreender o mote de Gusteau: "qualquer um pode cozinhar" não significa que qualquer um vai cozinhar bem, mas que um talento culinário (substitua por qualquer outra arte) pode surgir em qualquer lugar, revestido por qualquer aparência. Isso Ego descobre em uma cena simplesmente sublime.
Isso que é bacana nos filmes da Pixar. Por trás de uma história aparentemente simples (ratinho cozinheiro aprontando em Paris), vem a possibilidade de refletir sobre os problemas da existência humana e ainda por cima se divertir em quase duas horas de belas imagens - e comida de dar água na boca. Pra que mais?
(e Os Simpsons? fica para o próximo post)
Marcadores: pixar




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