Ano entra, ano sai e é hora de fazer uma retrospectiva, não por obrigação, mas pela necessidade de registrar um retrocesso de tudo aquilo que julgo importante. Assim também evito de ter que ficar procurando nos arquivos desse bloguinho, que já vai para o seu terceiro ano!
A primeira e mais importante consideração é a falta de atenção dispensada a esse blog, um pecado do qual eu espero me redimir no ano próximo. É a primeira promessa para o ano novo.
Cinema
Cinematograficamente falando, esse ano foi um fracasso. Mea massima culpa. Motivos de ordem pessoal me fizeram ficar afastado do cinema. Assim, a freqüência de atualização desse blog reduziu drasticamente, o que é uma pena.
Ainda assim, dos filmes que eu vi, poucos mereceram o título de 5 estrelas. Dois últimos lançamentos que ainda não ganharam textos nesse espaço, mas que vão receber a cotação máxima, é Casino Royale e Vôo 93. O último James Bond é um belo novo recomeço para a série, cujos últimos volumes eram marcados por uma esculhambação sem limites, de carros transparentes a palácios no gelo. E o Vôo 93 é um dos filmes sobre o 11 de setembro (o outro é As Torres Gêmeas, de Oliver Stone), absolutamente tocante e bem filmado. Escreverei sobre os dois em breve.
Vou colocar meu top logo (talvez amanhã), mas já vou adiantando, tenho certeza que a lista de 5 estrelas não vai chegar nem a 10 filmes, comparando com os 20 do ano passado.
Música
Todos sabem que eu sou um grande fã do Jazz. Esse ano, tive o privilégio de conhecer minha cantora favorita (das vivas, é claro), Jane Monheit, em um show espetacular no Bourbon Street.
Por outro lado, o ano foi um fracasso com relação aos lançamentos do gênero. Só me lembro de ter ouvido o CD de Madeleine Peyroux que, apesar de bom, ficou aquém do esperado. É verdade que eu tive o prazer de ouvir também o duo Ella Fitzgerald e Joe Pass no álbum Fitzgerald & Pass... Again (já tinha ouvido todos os outros). Isso sim é jazz de altíssima qualidade. Infelizmente, os dois artistas estão mortos e sepultados. Nova geração, por favor, trabalhem!
A música pop veio bem representada pelo novo Nelly Furtado, que conseguiu se reiventar sem cair na armadilha da vulgarização. Lily Allen é o outro nome que vem a minha cabeça em matéria de música. Letras espertas e melodias dançantes são a receita de seu sucesso que, espero, seja maior que o seu primeiro álbum.
Damien Rice (“And so it is...”) entra na retrospectiva com o belo álbum 9, lançado no final do ano. Amy Winehouse é uma nova cantora que eu me amarrei e que lançou, também esse ano, um interessante CD chamado Back to Black, uma viagem musical à música negra dos anos 70. Muito melhor que o álbum duplo de Christina Aguilera, que não conseguiu me convencer (embora tenha faixas excelentes, é um tanto quanto irregular).
Confesso que, em matéria de música brasileira, não tenho muito a dizer, além do lançamento morno dos dois CDs de Marisa Monte (O Universo ao Meu Redor é, ainda assim, muito bom). Nada de muito empolgante.
Concertos memoráveis também foram poucos. No novo teatro do Ibirapuera, a Orquestra Sinfônica da USP fez uma apresentação sobre música americana com seu ápice numa rendição de Rapsódia in Blu, de George Gershwin, repleta de improvisação por parte do solista. O concerto do Nelson Freire desse ano na Sala São Paulo (Rach4) foi interessante mas não foi melhor que o Shostakovich de dois anos atrás. E eu tive o prazer de conhecer o La Scala de Milão, uma das melhores casas de ópera do mundo. com uma criativa montagem minimalista de Don Giovanni, de Mozart.
Viagens
Morar na Europa tem muitas de$vantagen$, mas a grande graça é a possibilidade de conhecer o berço do mundo ocidental, museus, muitas obras de arte, patrimônios históricos, monumentos, enfim, relíquias culturais.
Conhecer München, Salzburg, Firenze e Paris acabaram por compensar os tantos livros que eu não li, músicas que eu não ouvi, filmes que eu não vi.
E assim acaba 2006, um ano deveras singular. Que venha 2007!
A primeira e mais importante consideração é a falta de atenção dispensada a esse blog, um pecado do qual eu espero me redimir no ano próximo. É a primeira promessa para o ano novo.
Cinema
Cinematograficamente falando, esse ano foi um fracasso. Mea massima culpa. Motivos de ordem pessoal me fizeram ficar afastado do cinema. Assim, a freqüência de atualização desse blog reduziu drasticamente, o que é uma pena.
Ainda assim, dos filmes que eu vi, poucos mereceram o título de 5 estrelas. Dois últimos lançamentos que ainda não ganharam textos nesse espaço, mas que vão receber a cotação máxima, é Casino Royale e Vôo 93. O último James Bond é um belo novo recomeço para a série, cujos últimos volumes eram marcados por uma esculhambação sem limites, de carros transparentes a palácios no gelo. E o Vôo 93 é um dos filmes sobre o 11 de setembro (o outro é As Torres Gêmeas, de Oliver Stone), absolutamente tocante e bem filmado. Escreverei sobre os dois em breve.
Vou colocar meu top logo (talvez amanhã), mas já vou adiantando, tenho certeza que a lista de 5 estrelas não vai chegar nem a 10 filmes, comparando com os 20 do ano passado.
Música
Todos sabem que eu sou um grande fã do Jazz. Esse ano, tive o privilégio de conhecer minha cantora favorita (das vivas, é claro), Jane Monheit, em um show espetacular no Bourbon Street.
Por outro lado, o ano foi um fracasso com relação aos lançamentos do gênero. Só me lembro de ter ouvido o CD de Madeleine Peyroux que, apesar de bom, ficou aquém do esperado. É verdade que eu tive o prazer de ouvir também o duo Ella Fitzgerald e Joe Pass no álbum Fitzgerald & Pass... Again (já tinha ouvido todos os outros). Isso sim é jazz de altíssima qualidade. Infelizmente, os dois artistas estão mortos e sepultados. Nova geração, por favor, trabalhem!
A música pop veio bem representada pelo novo Nelly Furtado, que conseguiu se reiventar sem cair na armadilha da vulgarização. Lily Allen é o outro nome que vem a minha cabeça em matéria de música. Letras espertas e melodias dançantes são a receita de seu sucesso que, espero, seja maior que o seu primeiro álbum.
Damien Rice (“And so it is...”) entra na retrospectiva com o belo álbum 9, lançado no final do ano. Amy Winehouse é uma nova cantora que eu me amarrei e que lançou, também esse ano, um interessante CD chamado Back to Black, uma viagem musical à música negra dos anos 70. Muito melhor que o álbum duplo de Christina Aguilera, que não conseguiu me convencer (embora tenha faixas excelentes, é um tanto quanto irregular).
Confesso que, em matéria de música brasileira, não tenho muito a dizer, além do lançamento morno dos dois CDs de Marisa Monte (O Universo ao Meu Redor é, ainda assim, muito bom). Nada de muito empolgante.
Concertos memoráveis também foram poucos. No novo teatro do Ibirapuera, a Orquestra Sinfônica da USP fez uma apresentação sobre música americana com seu ápice numa rendição de Rapsódia in Blu, de George Gershwin, repleta de improvisação por parte do solista. O concerto do Nelson Freire desse ano na Sala São Paulo (Rach4) foi interessante mas não foi melhor que o Shostakovich de dois anos atrás. E eu tive o prazer de conhecer o La Scala de Milão, uma das melhores casas de ópera do mundo. com uma criativa montagem minimalista de Don Giovanni, de Mozart.
Viagens
Morar na Europa tem muitas de$vantagen$, mas a grande graça é a possibilidade de conhecer o berço do mundo ocidental, museus, muitas obras de arte, patrimônios históricos, monumentos, enfim, relíquias culturais.
Conhecer München, Salzburg, Firenze e Paris acabaram por compensar os tantos livros que eu não li, músicas que eu não ouvi, filmes que eu não vi.
E assim acaba 2006, um ano deveras singular. Que venha 2007!
Ela é filha de um músico amador da Tanzânia (!) e uma alemã. É também a dona de uma das vozes mais interessantes do jazz que eu já ouvi nos últimos tempos, e tem a vantagem de ser nova e promissora. Seu nome, também exótico, é Lyambiko e se você nunca ouviu falar da moça, não se desespere. Tem sempre uma primeira vez para tudo.
Estamos vivendo numa era em que não existe mais Ella Fitzgerald. Sarah Vaughan também já se foi. Billie Holiday morreu faz tempo. Nenhuma das famosas "grandes vozes" do jazz estão aí para contar história. São poucas também as cantoras "em meio de carreira". Por isso, a necessidade de buscar novos talentos nesse tão delicioso, sofisticado e pouco apreciado gênero musical. As minhas favoritas do momento são Jane Monheit (que eu tive o prazer de conhecer nesse ano, e vivo falando sobre ela nesse blogue e no outro) e Lyambiko.
Em primeiro lugar, o elemento divino, que é o seu timbre de voz. Talvez fruto da sua mistureba genética, é algo realmente único. Suave, macio, límpido. Depois vem a técnica. Lyambiko faz umas coisas inacreditáveis com a voz. Afinadíssima, inventiva, suas interpretações são usualmente coloridas e inovadoras, mas nunca exageradas. Ela quase nunca usa vibrato, mas encontra sempre uma maneira especial para terminar as frases. De vez em quando, ela ainda faz um pouco de "scat singing", o que me faz lembrar da saudosa Ella, embora Lyambiko soe como... Lyambiko. Autêntica.
Nada disso importaria se o seu repertório fosse algo que eu não gostasse. Sua consideravelmente curta discografia (tem quatro discos lançados) é marcada principalmente pela pluralidade cultural. Além dos obrigatórios (e numerosos) standards americanos, Lyambiko nos apresenta a canções africanas e revisita clássicos da nossa música popular brasileira, o que rende resultados em geral bastante interessantes. Em seu primeiro CD, Out of This Mood, ela canta "Chega de Saudade" em português mesmo, com um sotaque delicioso. No segundo (Shades of Delight), uma versão intensa de Dindi (em inglês), com quase 13 minutos. O terceiro, e talvez melhor álbum, vem com nada menos que 4 músicas da nossa terra, num total de 14: "Summer Samba", de Bebel Gilberto, abre o disco em inglês. As demais são todas em português. Uma delas é a bossa lenta e melô do notívago "Samba e Amor" de Chico Buarque (Eu faço samba e amor até mais tarde / e tenho muito sonho de manhã). Depois, uma inusitada e divertidíssima versão de O Pato, famosíssima na voz & violão de João Gilberto. Nesta, o sotaque de Lyambiko está engraçado e incompreensível, mas é compensado pelo excelente arranjo e solo de piano e violão. E outra, ouvir uma alemã cantando "Quen, quen, quen" não tem preço. E por fim, Tom Jobim está representado com "Corcovado".
Outras canções dignas de nota gravadas por ela está a minha adorada Miss Celie`s Blues, tema do filme A Cor Púrpura. No gênero climático, temos o delicioso "Stormy Weather", clássico na voz de Etta James, e "I`ve Got My Love to Keep Me Warm" (cuja versão de Ella e Louis Armstrong continua insuperável); posso citar ainda a bela canção africana Malaika; "If I Were a Bell", do musical "Guys and Dolls" é uma favorita pessoal. A lista de músicas boas é muito grande, é inútil citar todas aqui. (Mas o que ela faz em "Some Other Time" do fantástico compositor Leonard Bernstein é realmente algo especial - coloca a versão de Jane Monheit no chinelo, e olha que Monheit é minha cantora favorita).
Por fim, Lyambiko anda sempre acompanhada do excelente trio formado pelo pianista americano Marque Lowenthal, baixista canadense Robin Draganic e o baterista alemão Torsten Zwingenberger, o que rende vários ótimos solos em seus discos.
Para quem se sente órfão das grandes divas, Lyambiko tem talento o suficiente para gerar uma longa e bem-sucedida carreira musical. Espero ter a chance de poder acompanhá-la em seu desenvolvimento. Como Lyambiko quase nunca sai da Europa (ao contrário de Jane Monheit que vai todo ano pra Sampa), minha meta de vida a partir de agora é ficar rico o suficiente para trazer a cantora para o Brasil. (ok, antes disso eu tenho que comprar meu Steinway).
Fica aí uma palhinha da cantora com Summer Samba de Bebel Gilberto(é uma pena que o som desse vídeo esteja tão baixo):
O Diabo Veste Prada ★ ★ ★
David Frankel. The Devil Wears Prada. EUA, 2006
O mundo da moda é um mistério, pelo menos para mim. Eu, que estudo coisas como o porquê das taxas de juros afetam o mercado imobiliário, tendo em vista o surgimento da China na economia global, sinto dificuldades em compreender a razão pela qual todo mundo resolve sair vestindo laranja e alguém paga mico por estar usando verde. Em suma, como o mercado da moda opera, de onde surgem as influências, como traduzir aquelas roupas horrorosas vestidas por modelos anoréxicas em produtos que serão vendidos na loja da esquina.
É sobre esse "fascinante" e desconhecido mundo que versa O Diabo Veste Prada, comédia baseada no livro homônimo de Laura Weisberger sobre a aspirante a jornalista Andy, que vai parar na revista Runway (leia-se Vogue) e arranja um trabalho com a editora chefe Miranda (leia-se Anna Wintour, que diz a boca miúda, colocou no limbo os estilistas que cederam peças pro filme). Acontece que Miranda é o próprio cão chupando manga e "o trabalho que milhões de garotas sonham" acaba se tornando pesadelo para a pobre Andy.
Esquemão batido de "comédia de adaptação". Andy sofre para se adequar às condições de trabalho impostas por Miranda: cada tarefa é uma verdadeira caça ao tesouro sem recompensas aparentes - tirando os acessórios Dolce & Gabanna, bolsas Louis Vitton e celular de última geração - o que sempre gera cenas divertidas. Exemplo disso é quando Miranda pede o novo Harry Potter para suas filhas gêmeas. Enquanto a incauta Andy achou por alguns segundos que ir na livraria mais próxima resolveria o problema, o que Miranda realmente quer era o manuscrito do novo, algo que nem a J. K. Rowling deveria ter.
O melhor do filme, é claro, é a "vilã", interpretada pela sempre excelente Meryl Streep. Personificação de uma poderosa "mulher de negócios", Streep em sua interpretação sempre delega a Miranda um ar de superioridade. A voz, sempre baixinha, faz com que cada palavra produza um tremendo efeito; na maioria das vezes, basta um olhar para que suas subalternas entendam o que fizeram de errado. Miranda não perdoa erros e não costuma alisar a cabeça de suas empregadas quando elas cumprem com sua obrigação, o que a torna tão admirável e temível (mas, segundo a própria Andy, seria normal se ela fosse um homem, o que gera uma interessante discussão sobre a igualdade entre sexos no mercado de trabalho). Enquanto isso, Anne Hathaway encarna Andy conquistando a simpatia imediata do espectador e brilha sempre quando Meryl Streep permite.
Momentos de maior interesse surgem sempre que Miranda explica algo sobre os apregoados mistérios do mundo fashion. Sempre que ilustra uma manobra de Miranda para conseguir o que quer, ou o grau de subjetivismo dessa indústria, o filme alcança vôos maiores e quase sai da esfera de "filme comum". Infelizmente, ele contém aquela inequívoca lição de moral e redenção da personagem principal após caminhar para o lado negro da força fashion.
Apesar de não ser ousado, como a moda deve ser, O Diabo Veste Prada também não chega a ser descartável, e ainda trazo mérito de mostrar que o mundo fashion também não o é.
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(enquanto isso, comentar faz bem! - agora não tem desculpa)
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O Labirinto do Fauno ★ ★ ★ ★ ★
Guillermo del Toro. El Laberinto del Fauno. Mexico/Espanha/EUA, 2006
Quando terminei de assistir a O Labirinto do Fauno, me perguntava se tinha acabado de ver a fantasia infantil mais cruel e violenta de todos os tempos, ou se, em realidade, era o filme de guerra mais sublime e delicado, entre todos por mim contemplados. De qualquer forma, sem dúvida este é um dos melhores filmes do ano.
Situado num contexto após a Guerra Civil Espanhola, na década de 40, quando o regime fascista já estava estabelecido, enfrentando apenas alguns grupos rebeldes, o filme é centrado na garota Ofélia, que se muda para o interior da Espanha, com sua mãe grávida, para uma pequena base militar onde seu padrasto é capitão. A pequena Ofélia, dona de uma imaginação fértil e encantada por contos de fadas, é surpreendida justamente por um desses mágicos seres, que a guia por um labirinto até encontrar o Fauno. Essa misteriosa criatura se convence que Ofélia é uma princesa e ela deve cumprir três tarefas até a lua cheia, para salvar toda a humanidade – ou algo do gênero.
Del Toro oscila entre o mundo fantasioso de Ofélia e a realidade em que a garota vive.Assim como explora o imaginário infantil, Del Toro, que já dirigiu o bom Hellboy e o ótimo Blade II, também compartilha com o espectador imagens de violência, como uma tomada em que o Capitão destrói o rosto de um camponês com uma garrafa; tiros, torturas, até o corte de uma perna, o diretor expõe tais imagens explicitamente, criando um interessante contraponto através da alternância entre fantasia claramente escapista e o distúrbio proporcionado pela guerra.
A imagem do filme torna-se verossímil graças às boas performances de todo o elenco. Vivida com encanto e sensibilidade, a pequena Ivana Baquero é extremamente expressiva e encantadora no difícil papel de uma garota vivendo em dois mundos e, ao mesmo tempo, solitária e perdida. No papel de vilão, O ator Sergi López também faz um excelente trabalho no papel do odioso Capitão Vidal, sempre obsessivo com sua aparência, metódico com horários e cruel com tudo e todos.
O Labirinto do Fauno tem ainda a seu favor a excelência da direção de arte, que cria composições belíssimas para todas as tomadas "fantásticas"; desde a triste passagem da flor que contém a cimortalidade em suas pétalas, mas é cercada por espinhos mortalmente venenosos, passando por cada uma das tarefas enfrentadas por Ofélia, até o misterioso e interessante desenho do Fauno.
Poético, Incrivelmente triste e doloroso, O Labirinto do Fauno é um filme que possibilita leituras interessantes sobre o escapismo infantil num contexto bruto, e del Toro é tão competente que consegue criar um final "feliz" coerente com a melancolia da obra, que é certamente um dos filmes mais bonitos do ano. Já estava com saudade de poder dar cinco estrelas para um filme.






