IMHO

Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães


Depois de meses sem um único comentário, descubro que existe algo de podre no reino da Dinamarca, impedindo meus leitores de escrever suas opiniões.

Isso vai dar trabalho para mudar, mas eu assumo a responsabilidade!

Aguardem.



Jogos Mortais 3

Darren Lynn Bousman. Saw III. EUA, 2006

Adeus Sexta Feira 13, Brinquedo Assassino, Freddy Krueger e demais monstros famosos. O cinema não tem mais lugar pra eles (talvez apenas em produções satíricas). Descobriu-se, um pouco tardiamente, que não tem ninguém que mete mais medo do que o próprio ser humano – não precisa ser uma aberração como Jason ou um Predador da vida para aterorrizar a vida de alguém. Jogos Mortais parte desse pressuposto e cria um dos “vilões” mais interessantes do cinema atual, e por isso, consolida-se como a série de terror mais lucrativa dos últimos tempos.

Para quem ainda não viu nenhum dos três filmes (né, mamãe), trata-se de uma série de crimes baseados no seguinte conceito: as “vítimas” são submetidas a um jogo no qual a derrota significa morte e a vitória, uma possibilidade de repensar a vida – não é a toa que as vítimas são escolhidas a dedo entre criaturas deploráveis como viciados em droga, ladrões ou paparazzi.

(A partir de agora vou revelar detalhes sobre os dois primeiros filmes, então leitor que não quer saber o final dos filmes 1 e 2, pare de ler aqui)

O final do primeiro filme revela o perfil do criador dos jogos mortais: o JigSaw (alcunha dada pela polícia) é um senhor chamado John, que sofre de câncer. O segundo filme se presta a elucidar suas motivações para sua carreira criminal: ao saber que tinha câncer, tenta se suicidar, e depois de um mal sucedido acidente de carro, realiza o poder de cada ser humano sobre sua própria vida e como muitos desperdiçam (ou algo do gênero – já faz mais de um ano que eu assisti à segunda parte). No final deste, uma “bomba” (ok, ok, confira!) é revelada: John tem uma “assistente”, Amanda – mais conhecida como “Morde Girl”. Ela própria foi uma das pouquíssimas vencedoras dos jogos de Jigsaw e por isso escolhida pelo mestre para dar continuidade à sua obra.


Amanda "Morde Girl" e sua vítima médica

Neste terceiro filme (finalmente!), JigSaw e Morde Girl convidam para seus jogos mirabolantes dois participantes. Um deles é a médica Lynn, que deve manter John vivo ao custo de sua própria vida (se o coração de John pára, sua cabeça explode). O outro é Jeff, cujo filho foi morto num atropleamento e sua obsessão é acabar com a raça do assassino. Digamos que JigSaw cria um jogo em que ele poderá se vingar.

Ao mesmo tempo, acompanhamos a dinâmica entre JigSaw e sua aprendiz, o que garante os momentos mais interessantes do filme. É realmente curioso que, mesmo conhecendo os podres do vilão-mor, é impossível nao torcer para que John continue vivendo (pelo menos até o final do longa), ao mesmo tempo que acompanhamos sua relação paternalista com Amanda, que revela ser emotiva e perversa.


John e Amanda: uma dupla quase perfeita

Repleto de cenas tensas e cheio de violência explícita, felizmente o diretor Darren Lynn Bousman, que já havia comandado o filme anterior, não se rende aos diversos clichês do gênero. Num longa repleto de sadismo como este, Bousman não perde tempo criando sustos falsos, uso abusivo da trilha sonora ou gritos histéricos de meninas gostosas. Aqui, os personagens só gritam quando estão sentindo bastante dor (geralmente quando perdem uma parte do corpo). Ainda assim, o diretor insiste em flashbacks que resumem o filme todo (como se o espectador de Jogos Mortais fosse idiota o suficiente para não entender todas as revelações bomtásticas que acabaram de ser apresentadas – bem, talvez seja).

E por falar em final, se não é tão surpreendente que quanto o dos antecessores, pelo menos mostra a engenhosidade do querido JigSaw ainda que a beira da morte. E não posso deixar de achar corajoso a forma com que o diretor acabou com seu filme, o que me leva a questionar sobre os rumos da franquia, considerando que a continuação 4 já foi anunciado para a mesma época, no ano próximo (também, Saw 3 custou 12 milhões e já arrecadou mais de 100. Até eu anunciaria um Jogos Mortais 4 para o próximo ano).

Como já disse diversas vezes nesse meu blog (prolixo, eu?), terror é um gênero totalmente descartável, mas imensamente divertido, não obstante repleto de obras totalmente infelizes, que insultam a inteligência do espectador. Jogos Mortais 3, particularmente, é cruel e violento, tem um assassino interessante, esperto, doente e carismático e, por último nunca chega a ser uma afronta à lógica, o que o coloca muito acima da média dos filmes de suspense/terror – razões suficientes para quem gosta do gênero assistir à derradeira aventura de JigSaw.

Mas deixou uma bela carreira e um último filme para ser visto, A Última Noite, sobre o qual se fala muito bem.

Siga em paz, Altman.

Depois de um longo hiato, o IMHO volta à ativa! Eis um filminho de terror que já deve estar disponível em DVD na terra brasilis.



Terror em Silent Hill
Christophe Gans. Canadá/Japão/EUA/França, 2006

Em 1999 surgiu um jogo para Playstation que objetivava encontrar algum espaço no gênero suspense/terror, cujo destaque era o famoso Resident Evil. Sua proposta, no entanto, não era gerar sustos gratuitos através de cachorros-zumbis que quebravam uma janela do nada, mas criar uma atmosfera de constante tensão. A cidade de Silent Hill era um prato feito. Sempre coberta pela névoa, a qualquer momento o rádio que o personagem principal começava a emtir um zumbido que, conforme ia se intensificando, era sinal da hora do chumbo. Outro elemento aterrorizador era uma realidade paralela e aterrorizante, que modificava os cenários, colocando elementos macabros, grades e monstros bizarros. Esse pacote vinha revestido com uma história interessante sobre uma seita satânica, uma criança perdida e um pai a procura de sua filha na misteriosa cidade de Silent Hill.

O diretor Christophe Gans apropriou-se dos melhores elementos do jogo e o transformou num bom filme. Saiu o pai, entrou a mãe, saiu o rádio, entrou o celular e pronto. Em diversos momentos da narrativa, sente-se como no jogo: a personagem acha uma pista, que levará a algum lugar, onde ela acha uma peça importante e por aí vai.

Através de uma atmosfera repleta de tensão, Gans não se preocupa em dar sustos com os famosos recursos cinematográficos clichês de filmes de terror, como aumentos bruscos do volume ou personagens que surgem do nada. Sua imagem já dá conta do recado. A produção usa de efeitos especiais eficazes e uma interessnate direção de arte, capitando o melhor do jogo, principalmente durante a transição para a realidade alternativa.

Com boas atuações de todo o elenco, Silent Hill peca apenas por fornecer um número de explicações exageradas, que contradiz a teoria do “pra que explicar o inexplicável”. Ainda assim, o filme é uma experiência interessante, ainda que melancólica, o que já é um avanço, considerando o fracasso da maioria das adaptações cinematográficas de videogames.




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