Meus queridos leitores já devem ter notado que minha vida passa por um período de pequena turbulência, então enquanto as coisas não se normalizam, esse blog ficará descansando por um tempo. Enquanto isso não acontece, eis os últimos filmes que eu conferi nos últimos tempos.
Tristão e Isolda ★ ★ ★ ★
Kevin Reynolds. Tristan +Isolde. República Tcheca, 2006.
Uma das mais belas histórias de amor de todos os tempos é retratada de forma bastante realista pelo diretor, que evita maniqueísmos através dos seus interessantes personages principais. Dramático e envolvente e triste como a vida.
A Pantera Cor de Rosa ★ ★ ★ ★
Shawn Levy. The Pink Panther. EUA, 2006.
Esperava apenas um filme pastelão, mas fui recebido com uma primorosa interpretação de Steve Martin (para compensar a triste presença de Beyoncé) num longa que é estupidamente engraçado. Enfim, um ótimo pastelão.
Nanny McPhee - A Babá Encantada ★ ★ ★ ★
Kirk Jones. Idem. EUA/RU/França, 2005
Não esqueça Mary Poppins, mas sinta-se livre para admirar o bom trabalho que Emma Thompson faz neste filme, tanto do seu roteiro quanto sua excelente atuação. Esse é um daqueles filmes que fazem a gente se sentir bem. Vale assistir com aquele primo pentelho, pra ver se ele aprende alguma das boas lições contidas no roteiro.
A Era do Gelo 2 ★ ★
Carlos Saldanha. Ice Age: The Meltdown. EUA, 2006.
Eu já tinha achado o primeiro fraco. A continuação, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldenha é ainda pior. Insosso, com uma história fraca e ainda por cima totalmente sem graça. Aquele esquilinho é a única diversão de todo o filme, que traz uma ridícula história de amor entre dois mamutes, sendo que um deles se achava um gambá (?). Um ou outro momento inspirado (gostei do musical com os abutres) não salvam o filme.
Falta falar sobre Terror em Silent Hill, mas acho que esse merece um post a parte.
Tristão e Isolda ★ ★ ★ ★
Kevin Reynolds. Tristan +Isolde. República Tcheca, 2006.
Uma das mais belas histórias de amor de todos os tempos é retratada de forma bastante realista pelo diretor, que evita maniqueísmos através dos seus interessantes personages principais. Dramático e envolvente e triste como a vida.
A Pantera Cor de Rosa ★ ★ ★ ★
Shawn Levy. The Pink Panther. EUA, 2006.
Esperava apenas um filme pastelão, mas fui recebido com uma primorosa interpretação de Steve Martin (para compensar a triste presença de Beyoncé) num longa que é estupidamente engraçado. Enfim, um ótimo pastelão.
Nanny McPhee - A Babá Encantada ★ ★ ★ ★
Kirk Jones. Idem. EUA/RU/França, 2005
Não esqueça Mary Poppins, mas sinta-se livre para admirar o bom trabalho que Emma Thompson faz neste filme, tanto do seu roteiro quanto sua excelente atuação. Esse é um daqueles filmes que fazem a gente se sentir bem. Vale assistir com aquele primo pentelho, pra ver se ele aprende alguma das boas lições contidas no roteiro.
A Era do Gelo 2 ★ ★
Carlos Saldanha. Ice Age: The Meltdown. EUA, 2006.
Eu já tinha achado o primeiro fraco. A continuação, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldenha é ainda pior. Insosso, com uma história fraca e ainda por cima totalmente sem graça. Aquele esquilinho é a única diversão de todo o filme, que traz uma ridícula história de amor entre dois mamutes, sendo que um deles se achava um gambá (?). Um ou outro momento inspirado (gostei do musical com os abutres) não salvam o filme.
Falta falar sobre Terror em Silent Hill, mas acho que esse merece um post a parte.
Transamerica ★ ★ ★ ★
Duncan Tucker. Idem. EUA, 2006
Mulher nasce num corpo de homem. Bree economiza cada centavinho para realizar seu sonho: corrigir o seu "defeito de nascença" numa operação que irá mudar de sexo. Com a cirurgia já marcada, ela recebe uma ligação insuspeita: seu filho, Toby (fruto de uma transa quase "lésbica" com uma antiga colega da faculdade), está preso. Bree resolve, então, encarar seu passado e, com o apoio da sua terapeuta, sai de Los Angeles e vai até New York resgatar seu filho da prisão. Lá, ela se apresenta como uma missionária cristã e decide levar Toby até seu pai adotivo, já que sua mãe morreu. Então os dois personagens acabam num road-movie.
Sim, Transamerica é um road-movie dos mais inusitados. O tema transexualismo não é dos mais fáceis de se tratar, por ser algo de difícil compreensão, além de que deve ser incrivivelmente doloroso, do ponto de vista psicológico, de quem sofre desse problema. Não estamos falando de drag queens, ou gays, mas sim de uma pessoa que nasce com um aparelho sexual diferente de sua natureza. Talvez a maior proeza do filme seja justamente tratar desse tema com naturalidade: desde o início, concebemos a personagem Bree como uma mulher num corpo que era de um homem, prestes a mudar de vez sua condição, no qual a belíssima composição da atriz Felicity Huffman é fundamental para essa compreensão.
O drama surge, naturalmente, da relação entre Bree e seu filho: desde a vontade de salvá-lo (o jovem se prostituia nas ruas e era viciado em drogas), o nascimento do afeto entre os personagens e a descoberta da "verdade", tudo é retratado de forma sutil, sem exageros e bastante verossímil pelo diretor Duncan Tucker. A leveza do filme é alcançada através de momentos de comicidade (a personagen principal é bastante culta e espirituosa) e quando o filme atinge os momentos mais pesados, o arco de suavidade presente durante toda a projeção ameniza, porém não ignora o sofrimento dos personagens: tem-se a certeza de um final feliz, mesmo sem saber como ele acontecerá.
Ao lado de Huffman, Kevin Zegers interpreta muito bem o também difícil papel de Toby, o filho-problema. Mas o show é mesmo de Felicity Huffman. Injustiçada pelo Oscar (novidade) a sua interpretação é simplesmente virtuosa, digna de ser vista e apreciada.
Ainda contando com uma bela trilha sonora, repleta de música contry, cujo destaque máximo é Travellin' Thru, de Dolly Parton, Transamerica é um filme interessante e até mesmo divertido, sobre um tema complexo, que não apela para clichês e melodrama barato.
Piratas do Caribe - O Baú da Morte ★ ★ ★ ★
Gore Verbinski. Pirates of the Caribbean: Dead Man's Cheast. EUA, 2006
Piratas do Caribe ocupa atualmente a lacuna deixada pela trilogia Indiana Jones, referência no gênero cinematográfico "aventura". Sua razão de ser é provocar diversão através do uso de personagens interessantes, num mundo realista porém fantasioso dos piratas, bucaneiros, navios fantasmas e tesouros amaldiçoados.
Quando foi lançado em 2003, Piratas do Caribe era uma aposta da Disney para se livrar de seus sucessivos fracassos cinematográficos. Baseado numa atração do famoso parque de diversões, o filme tinha em seus créditos o excelente ator Johnny Depp, a direção do versátil Gore Verbinski e a produção de Jerry Bruckheimer, responsável por diversos blockbusters. Quem diria que esses elementos iam levar a uma produção que agradasse a público e crítica, responsável por 5 indicações ao Oscar (inclusive melhor ator para Depp), transformando a franquia numa das mais bem quistas e rentáveis do cinema atual?
O Baú da Morte estrutura-se sob diversas linhas em que Jack Sparrow é o eixo absoluto. Enquanto o personagem de Orlando Bloom, Will Turner, quer a ajuda do capitão pirata para libertar sua amada, o próprio Sparrow precisa se livrar de uma maldição imposta pelo monstro Davy Jones, capitão do navio fantasma Flying Dutchman, que clama ser dono de sua alma. Dentro de uma guerra pelo controle dos 7 mares, em que aparece a figura de Cutler Beckett, da Cia. das Índias Orientais, tudo o que Sparrow quer é se livrar de suas enrascadas, achar mais tesouros e continuar navegando com o Pérola Negra, o que, obviamente, não será posível.
O filme é repleto de sequências de ação e aventura. Logo no início, os personagens vão parar numa ilha com uma tribo canibal. Percebam que esse longo interlúdio em nada acrescenta para a trama. eu único intuito é divertir o espectador. E com isso, segue-se o roteiro de Piratas como uma deliciosa desculpa para coreografias de luta e efeitos especiais. A criatura Davy Jones, por exemplo, é um avanço na animação digital. Ora, é possível claramente ver Bill Nighy naquela cabeça de polvo, o que eu considero uma incrível proeza (por mais bem feito que Gollum ou Torê Kong estivessem, não era possível identificar o rosto do ator Andy Serkis).
Ademais, o prato principal da ceia que é Piratas do Caribe é mesmo a atuação de Johnny Depp, num personagem mau caráter, repleto de maneirismos e "castigado" pela vida. Jack Sparrow é uma composição única e, sem exageros, histórica. Felizmente, Gore Verbinsky foi sábio o suficiente para perceber que Sparrow funciona em doses homeopáticas; por isso O Baú da Morte ganha importantes reforços no elenco: desde a figura conspícua e misteriosa de Tia Dalma (Naomie Harris, divertidíssima), como o triste Bootstrap Bill, vivido pelo excelente ator Stellan Skarsgård, além do elenco original. Se Orlando Bloom, com Will Turner tem seus momentos, quem rouba a cena (quando Depp deixa) é Keira Knightley, que já recebeu muitos elogios desse blogueiro em outras ocasiões.
Apesar de o filme não ter fim (o terceiro volume foi rodado junto com o segundo), é realmente uma satisfação saber que poderemos assistir (e porque não, aplaudir) a mais uma brilhante performance de Johnny Depp nessa série tão divertida que é Piratas do Caribe.
Superman - O Retorno ★ ★
Bryan Singer. Superman Returns. Austrália/EUA, 2006.
É um pássaro? É um avião? Não, é mais um filme do Superman. E que história longa teve esse filme, até conseguir sair do papel. Roteiros mil, trocas de diretores, problemas na produção, atrasos, falta de interesse, etc. Uma parte interessante é que o McG chegou a chefiar o projeto de trazer o homem de aço de volta às telas. McG é responsável pelas macaquices dos dois (ótimos) filmes As Panteras. Quando a direção foi entregue definitivamente para Bryan Singer (responsável pelos dois primeiros X-Men) muitos (senão todos) respiraram aliviados. Afinal, foi ele mesmo que resgatou o interesse pelas adaptações de histórias em quadrinhos. Hoje, acho que seria muito mais interessante assistir uma rendição do McG para a saga do herói americano.
Talvez o maior problema do filme seja mesmo o convencionalismo das imagens de Bryan Singer, coisa que certamente não veríamos no filme do McG, para o bem ou para o mal. Todo filme de super-herói deve começar pela escolha do vilão, e este não é outro senão o famigerado Lex Luthor. Ele é retratado como um sujeito ganancioso, que não se importa em matar bilhões de seres humanos só para construir um pedaço de terra no meio do mar. Ora, quem assiste a Smallville, o seriado do Superman adolescente (ou Superboy, como queiram) percebem que nem na série de TV alguém pode ser tão maniqueísta assim. Luthor, como não poderia deixar de ser, está cercado por um bando de capangas acéfalos e incompetentes, cujo destaque máximo é sua assistente estúpida, mas de bom coração.
Uma das facetas mais interessantes da saga do homem de aço saempre foi a dualidade entre os personagens Clark Kent e Superman. Ao contrário dos outros super-heróis, Clark Kent é a máscara do herói, e não o contrário, fato este discutido pelo interessante monólogo do personagem Bill, em Kill Bill, de Quentin Tarantino. Ora pois, Clark Kent é um mero coadjuvante neste longa. A partir de determinado ponto da projeção, o alter ego do super homem simplesmente desaparece, mas ninguém nota. Na verdade, nunca soa convincente o fato de o rapaz sumir por cinco anos, depois voltar e conseguir seu emprego. Aliás, ele demonstra uma incompetência ímpar: Louis Lane faz a maior parte do trabalho em que o jornalista é encarregado pelo chefe. "Coisas de filme", o espectador mais bondoso pode falar. Coisa de roteiro ruim, é o que eu digo.
Louis Lane, por sinal, torna-se uma aborrecida mulher casada com filho de cinco anos. O "interesse amoroso", interpretado por Kate Bosworth, não passa disso: é a mulher pelo qual o homem de aço tem uma queda, mas como ela agora é casada, torna-se inatingível. Talvez Bryan Singer e seus roteiristas devam assistir mais às novelas das 8, para aprenderem a ser menos conservadores. Superman - O Retorno revela-se mais um romance água com açúcar do que qualquer outra coisa. Personagem que surpreende, no final das conta, é o marido da Louis Lane, vivido pelo "cíclope" James Marsden: um sujeito decente, que faz de tudo para proteger a mulher amada (inclusive não pestaneja e vai atrás quando ela está em dificuldades). Uma escolha acertada de personagem em meio a tantos clichês.
Por outro lado, não posso dizer que o filme seja realmente ruim. As cenas de ação são boas, o filme apresenta doses de humor esporádicas, tem um ritmo que nunca chega a ser cansativo, mesmo considerando sua longa metragem de 154 minutos. Os efeitos especiais são espetaculares. Parece realmente que o super-homem está voando. O famoso tema de John Williams está lá na abertura (o que é bastante emocionante). O novato Brandon Routh dá conta do recado (as falhas dos seus personagens não decorrem da sua atuação, e sim do roteiro). Até Marlon Brando eles deram um jeito de ressuscitar. O problema mesmo é que o filme é conservador e previsível. É difícil criar situações de perigo para um ser indestrutível sem abusar para seu ponto fraco, que é a kriptonita, ou seja, o óbvio. Não foi desta vez que os roteiristas conseguiram fazer um trabalho inovador, o que suscita a pergunta (levantada pelo próprio filme): por que o mundo precisa do Superman?
O personagen, já retratado como o símbolo do poder americano, é mostrado no filme de Singer como o representante da pureza, que se sacrificaria pela humanidade que o acolheu, um quase-Jesus. Simbolismos religiosos à parte, o fato é que o anseio por um super-herói, no mundo atual, seria para acabar com a guerra entre o Líbano e o Iraque, ou ajudar as vítimas dos tsunamis da vida, ou mesmo para diminuir as desiguladades sociais entre os países africanos e o resto do mundo. Não para acabar com as sandices de um vilão como Lex Luthor. Se o maior problema que os roteiristas de um filme com um super-herói como o Superman conseguem criar é uma ilha no meio do oceano, acredito que o homem de aço pode mesmo tirar férias. Definitivas.
P.S.: Nada mais irritante para um pianista do que ver um Steinway sendo destruído por um garoto de cinco anos de idade.











