IMHO

Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães


Jane Monheit, a nova diva do jazz, é uma das minhas cantoras favoritas. Costumo definí-la como uma nova Ella Fitzgerald, em versão melhorada fisicamente, é claro. O timbre de sua voz é um dos mais bonitos do mundo; como se não bastasse, ela ainda possui uma técnica invejável, capaz de oscilar entre as notas com rapidez sem perder a afinação. Só não tem a mesma clareza do fraseado de dona Ella, que continua incomparável.

Além de tudo isso, a moça tem bom gosto musical. Dona de uma beleza clássica, poderia fazer sucesso no mundo pop, mas optou pela carreira do jazz (felizmente!) e, ao longo dos seus cinco CDs gravados, tem oscilado entre standards do cancioneiro americano, bossas do Tom Jobim e Ivan Lins e músicas com roupagem mais pop.

Fazia tempo que queria ver uma apresentação ao vivo dessa diva e, finalmente, pude vê-la em duas apresentações.

1. Bourbon Street
Famoso por tentar recriar o clima jazz, soul & blues dos bares de New Orleans, o bar localizado em Moema é muito bem decorado, além de investir pesado no som ao vivo. Os melhores músicos de jazz & blues do mundo costumam passar por ali, em apresentações concorridas, com a predominância sempre de um clima intimista. Quem quiser fazer uma visitinha, vá com bastante saldo no cartão. Nada é barato no Bourbon.

Com meia horinha de atraso, eis que Jane sobe ao palco acompanhada de seu quinteto: Mike Kanan (piano), Rick Montalbano (bateria), Orlando Le Fleming (baixo), Miles Okazaki(violão/guitarra) e Andy Snitzer (sax). Uau. Exuberante num vestido com um generoso decote, exibindo formas avolumadas, Jane reina absoluta no palco. "Presença de palco" é eufemismo: é impossível não ficar encantado com seus movimentos (Jane balança o ombro esquerdo de maneira muito especial). Parece tudo muito calculado e, ao mesmo tempo, muito natural. É uma grande diva.

Ela abre o show com o "novo" sucesso: "September in the Rain", de Dubin e Warren. Eu e meu amigo Laerte costumamos dividir as músicas de Jane em 3 categorias (a estupidamente grosso modo): as rápidas legais, as lentas legais e as lentas chatas. Essa faz parte do primeiro grupo.

A moça também demonstra uma paixão pelas músicas brasileiras. Durante seu show, cantou um medley de "Chega de Saudade" e "Brigas nunca Mais" (em português mesmo! - Jane já tinha gravado "No More Blues", versão gringa da primeira), a nova "Só Tinha que ser com Você", um arranjo bossa nova de "Começar de Novo" (Jane gravou um arranjo sinfônico da canção em seu álbum "In the Sun"). Além dessas, cantou também uma versão em inglês de "Lembra de Mim", do Ivan Lins (é o compositor favorito de Miss Monheit), entitulada (pasmem!) "Remember Me". E fechou o show com "Waters of March" (no finalzinho ela emendou um "é pau é pedra..."). Sensacional.

Jane também apresentou o novo arranjo de Michael Kanan para "I Won't Dance", que ela tinha gravado com o cantor canadense Michael Bublé no álbum "Taking a Chance on Love" e uma versão bem acelerada da maravilhosa "Cheek to Cheek", contanto inclusive com o esquema de perguntas e respostas nos solos de Sax e Guitarra, e depois com Piano e Bateria. Fantástico. Não posso esquecer também a emocionante rendição de "Embraceable You", acompanhada pelo violão de Okazaki.

Jane fez um belíssimo show, oscilando entre algumas canções nunca gravadas, outras de seu repertório e ainda algumas versões diferentes de canções já gravadas por ela, muitas vezes surpreendendo aqueles que conhecem seu trabalho. E ainda deu dois bis, a deliciosa "Our Love is Here to Stay" do Gershwin e a bela "Tea for Two" (uma das lentas legais, piano & voz).


2. Memorial da América Latina
O segundo show foi no Memorial. Jane estava acompanhada da Jazz Sinfônica, que abriu o show com duas fantasias, a primeira sobre temas de Cole Porter, a segunda sobre temas de Edu Lobo.

Logo, a exuberante Jane entrou cantando "Somewhere Over the Rainbow", numa versão extendida que misturava as rendições apresentadas nos álbuns "Come Dream with Me" (acompanhada por um quarteto de piano, bateria, sax e baixo) e "Taking a Chance on Love" (na verdade, a canção foi dada como um bônus, por aparecer nos créditos do filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã).

Nesse show, Jane apresentou as versões orquestrais de diversos trabalhos, como "Some Other Time", "My Haunted Heart" e "Começar de Novo". As novidades foram uma versão da Jazz Sinfônica de "It Might as Well Be Spring" e "Caminhos Cruzados" (cantada em português mesmo!). Jane e seu quinteto cantaram algumas músicas do show do Bourbon - um agradável repeteco.

O show só não foi melhor porque o espaço não era lá essas coisas. O Memorial da América Latina tem um espaço esquisito para shows, com duas platéias e o palco no meio, atrapalhando a visão dos músicos. O lugar ideal para um show desse tipo seria a Sala São Paulo, que tem a acústica adequada. O público também não era dos melhores; as pessoas ficavam conversando durante a apresentação. Acho que estou ficando mal-acostumado.

O lado bom de tudo isso é que Jane volta ao Brasil todo ano e permite a seus admiradores brazucas a acompanhar sua evolução (por exemplo, seus graves melhoraram bastante de uns tempos pra cá). Seria interessante ver o que será da cantora daqui a muitos anos pois, mesmo tendo apenas 28 aninhos, já é uma das maiores cantoras de jazz da atualidade. Se ela continuar nesse mesmo caminho, tem potencial de ser uma das melhores de todos os tempos.

Sei que estou relapso com esse blog (e com o outro também) mas a vida está mais do que nunca corrida. Devo (me cobrem!) texto sobre V de Vingança e os show de Jane Monheit (provável tema do próximo post).


A Máquina ★ ★ ★ ★
João Falcão.Idem. Brasil, 2006

A crítica foi particularmente impiedosa com o longa da família Falcão. Com uma estética globo-de-ser e um sotaque nordestino à la Lisbela e o Prisioneiro, o filme não deixa a peteca cair, embora a infusão de gêneros soe às vezes como falta de direcionamento. O carisma dos atores e os diálogos sempre interessantes até nos faz esquecer a falta de sentido da história. Boas idéias estão espalhadas por todo o filme, com destaque para o João Kleber de Wagner Moura.

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Espíritos - a Morte está ao seu lado ★ ★ ★ ★
Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom. Shutter. Tailândia, 2004

Desde "O Chamado" não vejo um filme de terror tão assustador. Não recomendo para cardíacos. A história aqui é de um fotógrafo que descobre uma presença no mínimo inusitada em suas fotos: a Natre, o espírito mal-comido. O filme tem uma história razoável e um desfecho muito interessante, apesar de a "vilã" ser mais um clone de Sadako (a pobre incompreendida de O Chamado). Para quem gosta do gênero, é obrigatório.

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O Plano Perfeito ★ ★ ★ ★
Spike Lee. Inside Man. EUA, 2005

Spike Lee faz um filme de assalto esperto e não convencional, recheado de comentários ácidos e críticos sobre a nossa sociedade. Destacam-se, também, as boas presenças de Jodie Foster, como a misteriosa Madeleine White, Denzel Washington, esbanjando charme e simpatia no papel do detetive XXX e Clive Owen como o ladrão de bancos. Divertido e esperto, as poucas falhas na história são compensadas pela própria dinâmica do filme, graças à ótima direção de Lee.

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Os Seus, os Meus e os Nossos ★ ★ ★
Raja Gosnell. Yours, Mine and Ours. EUA, 2005

Próximo sucesso da sessão da tarde. Completamente previsível e repleto de clichês, o filme tem como vantagem um elenco carismático (personagens nem tanto), além de evocar uma mensagem familiar bastante positiva e rara, nos dias de hoje. Filme leve e feito para se sentir bem, sempre tem um lugar ao sol.

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Para controle interno:

1. Noites de Cabíria
2. A Estrada da Vida
3. A Doce Vida
4. Oito Mulheres
5. Carga Explosiva 2
6. Terror em Amityville
7. V de Vingança
8. Requiem para um Sonho
9. Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais

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Estou ficando bonzinho, né?

Memórias de uma Gueixa ★ ★
Rob Marshall. Memoirs of a Geisha. EUA, 2005.

Crash - No Limite
Paul Haggis. Crash. EUA/Alemanha, 2004.

Todo mundo sabe que o Oscar pouco está interessado em premiar os melhores filmes do ano. Geralmente, o prêmio é concedido por motivos políticos, financeiros, em virtude do lobby das produtoras ou por mero "prêmio de consolação" para corrigir erros anteriores. A questão fundamental é: "quem se importa com o Oscar"? Os cinéfilos, certamente que não. O problema é que a premiação desse ano indicou alguns dos melhores filmes do ano. Numa premiação em que concorria Munique, Boa Noite e Boa Sorte, O Segredo de Brokeback Mountain, Match Point, Capote, Orgulho e Preconceito, etc. e tal, é no mínimo injusto que filmes ruins como Memórias de uma Gueixa e Crash tenham ganhado 3 prêmios cada um.

Coisas Belas e Sujas

O caso de Memórias de uma Gueixa não é tão grave assim, pois ele só ganhou em categórias técnicas e, de certa forma, merecia. O problema é que o filme tem preocupações muito duvidosas, levando a questionar até quando a 7a. Arte pode ser prejudicada por interesses financeiros. É irritante, por exemplo, saber que as atrizes principais escaladas para um projeto situado no Japão não são nipônicas (Zhang Ziyi e Gong Li são chinesas, Michelle Yeoh nasceu na Malásia), apenas pelo fato que são mais conhecidas mundialmente. Também para facilitar a vida dos americanos que não estão acostumados a ler, o filme é todo falado em um inglês macarrônico que, inicialmente ridículo, depois de duas horas e meia de projeção, torna-se insuportável.

Se a história fosse boa, poderíamos até relevar tudo isso. Infelizmente, não é. Ao longo de inesgotáveis 145 minutos, a única coisa que senti pelo filme foi sonolência. Vejam só: o filme fala sobre uma put... quer dizer, gueixa (Zhang Ziyi), que se apaixona pelo "presidente" quando ainda era uma guria. Aquela paixão de infância ainda permanece à medida que a prost... gueixa vai aprendendo todas as manhas de sua honrada profissão. O mais ridículo é que, no final (sim, vou contar o final), o "presidente" revela que também era apaixonado pela vad... put... gueixa, ou seja, ele era pedófilo! Absurdo. A vilã Gong Li é outro exemplo de como o filme é ruim. No momemento em que a personagem cumpre seu propósito no filme, ela simplesmente sai andando e nunca mais volta.

Apesar de ter uma fotografia deslumbrante, figurino maravilhoso, direção de arte belíssima, o fato é que tanta beleza sem uma história convincente não faz a menor diferença. E o que é pior, às vezes tanto excesso até atrapalha. Por exemplo, em determinado momento, a messalin... gueixa joga um lenço do alto de uma montanha. A cena, muito bonita, QUASE me fez esquecer que a rapari... gueixa deve ter levado dias e dias para subir naquele acidente geográfico, quando poderia ter jogado o lencinho no lixo da cozinha, por exemplo (e a mulher-da-vid... gueixa vivida por Zhang Ziyi não voa como seu personagem de O Tigre e o Dragão).

Por essas e por outras, Memórias de uma Gueixa não engrena; o ar de falsidade plástica que permeia todo o filme não o justifica e nem o sustenta.

Muito acaso e pouco conteúdo

O pior dos concorrentes a melhor filme foi o vencedor do último Oscar. Crash é uma experiência cinematográfica que demonstra o amadorismo do incipiente Paul Haggis em compor imagens fortes baseado no seu roteiro frouxo e apelativo. Não se pode negar, o filme tem algumas boas idéias que se pode encontrar aqui e ali, mas o filme é prejudicado pelo texto "espertinho", em que a necessidade da criação de um "efeito" (no caso, o encontro dos personagens) é prejudicado pela fraqueza das causas (as inúmeras coincidências, a utilização de clichês e a falta de desenvolvimento dos personagens).

O filme tenta retratar um mosaico da intolerância existente no mundo pós-contemporâneo e, em particular, na cidade de Los Angeles. Latinos não suportam orientais, que odeiam os negros, que não gostam dos brancos que tem medo dos árabes e por aí vai. Ninguém se tolera, todo mundo tem preconceitos. Numa cidade fria como Los Angeles, duas batidas de carro separam o início e o fim de um filme que nada prova e cujo objeto de análise é insustentável pela falta de consistência do mesmo. Observem: o policial interpretado por Matt Dillon em uma cena bolina a mulher de um diretor de cinema negro. Em outra cena, o mesmo policial salva a mesma mulher de um acidente de carro. Uau. Ele é bonzinho ou malvado? Ele não gosta de negros, mas cuida do pai inválido. E daí?

Outra lógica assustadora pode ser percebida no roteiro de Haggis de maneira a conseguir seus "efeitos". A dondoca vivida por Sandra Bullock escorrega e rola pela escada na sua casa, numa das cenas mais patéticas do filme, depois de ter anunciado que vive "o tempo todo com medo". Na sequência seguinte em que ela aparece, a madame abraça sua empregada e diz que ela é sua única amiga (depois de ter detonado a funcionária em outras cenas), querendo mostrar como a sociedade rica é fria, como as pessoas são egoístas e uma infinidade de obviedades. A fraqueza do roteiro fica rapidamente evidenciada quando percebemos que Haggis, procurando imprimir alguma mensagem em suas cenas, constantemente cria mecanismos unicamente para tal fim, o que inclui o freqüente encontro entre os personagens de forma esquematicamente e organizada e absurdos como o escorregão da Sandra Bullock. Basta dizer que, sem tantos "acasos", as mensagens perderiam valor ou não significariam nada; um filme que tenta se sustentar unicamente por meio de coincidências não tem o menor valor cinematográfico.

O filme se torna ainda mais perigoso, à medida que o analisamos pelo olhar do diretor-roteirista sempre empenhado em categorizar seus personagens, nunca visto como seres humanos (pelas pouquíssimas cenas em que aparecem, donde nada é possível concluir), mas como estereótipos de etnias e tipos. 2 jovens negros comentam sobre o preconceito dos ricos diante deles (o medo de serem furtados), mas logo após os negros revelam-se dignos deste preconceito, ao se anunciarem assaltantes; o diretor nunca se aprofunda em sua visão de mundo, não busca a motivação desses jovens, mas expõe a visão acusadora de seus próprios preconceitos.

Paul Haggis deveria ter assistido a La Ciénega da argentina Lucrecia Martel, cuja infusão de personagens numa microsociedade intolerante é muito mais bem representada (observe a atmosfera sufocante quase insuportável que toma conta do filme da diretora argentina) e nada esquemática. Haggis também foi premiado por Menina de Ouro, cujo roteiro, também repleto de clichês, só funciona pela impecável direção de Clint Eastwood - lembrando que um roteiro funciona como ponto de partida referencial para a criação de uma obra - e tornou-se o novo queridinho de Hollywood. E, provavelmente, o novo mala pseudo-intelectual.

Ponto Final - Match Point ★ ★ ★ ★ ★
Woody Allen. Match Point. EUA/Inglaterra/Luxemburgo, 2005.

Provavelmente é uma infelicidade do destino o fato de que, desde que eu passei a me interessar por Cinema, o famoso diretor Woody Allen encontrasse em franco declínio. Somente isso para explicar o fato de que este, considerado a volta do diretor ao mundo dos bons filmes, é também o primeiro trabalho woodyalleniano que eu vi.

Pelo menos, foi um bom começo. Match Point, até agora, é o melhor filme do ano. Fiquei surpreso com personagens tão interessantes e complexos, diálogos inteligentes e muita ironia.

O filme acompanha a trajetória do professor e ex-jogador de tênis, Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers), em uma rápida ascenção social. Egresso da Irlanda, Chris passa a dar aula para a alta sociedade londrina e logo faz amizade com um de seus alunos, Tom (Matthew Goode), que o apresenta à irmã e... pimba! Casamento. Com um toque de Ripley, Allen apresenta Wilton lendo Dosoievsky (sendo rapidamente substituido por um "Aprenda Dosoievsky"), pedindo conselhos para seu amigo-aluno sobre onde pode comprar CDs de ópera, fica difícil descobrir quantas máscaras o protagonista está usando.

Logo aparece Lola, vivida pela estonteante Scarlett Johansson, como a noiva de Tom. Americana e aspirante a atriz, Lola e Chris se conhecem e, unidos pelo sentimento de "peixe fora d'água"... pimba! Amantes. No entanto, ao contrário do calculista e ambicioso Chris, que dispara cada palavra com precisão cirúrgica para conquistar seus objetivos, Lola é mais ingênua do que seu ar de femme fatale possa sugerir, o que fica patente logo no inteligente diálogo que ela trava com Chris, que não raro lembra uma partida de tênis. Outro diálogo do mesmo naipe acontece (ou não) no último ato, quando até mesmo Sófocles é lembrado.

Pitadas de genialidade podem ser encontradas ao longo de todo o filme. Apesar de passar longe de uma comédia, estilo pelo qual Allen é mais conhecido, não se pode deixar de perceber a graça de certas situações, como na hora que Chloe, a esposa de Chris, mede a temperatura ao tomar café da manhã, para ver se está na temperatura adequada para engravidar (?). E, ao mesmo tempo que o final do filme é angustiante e cruel, revelando camadas obscuras do caráter de seus personagens, o fato é que o cinismo peculiar e tão bem concatenado com todo o resto acaba por surpreender e divertir o espectador numa lógica inversa e perturbada da realidade. Ironicamente, surge bem claramente a figura do livro Crime e Castigo, apresentado de relance numa das cenas e relembrado em outro diálogo. É sutileza marcante, bem idealizada e concretizada, num filme praticamente impecável.

No fim das contas, o diretor faz um filme assustador, sobre as ironias da sorte aliadas à falta de princípios éticos. Hora de procurar mais filmes do uúdiálen.




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