Jogos Mortais 3 ★ ★ ★
Darren Lynn Bousman. Saw III. EUA, 2006 Adeus Sexta Feira 13, Brinquedo Assassino, Freddy Krueger e demais monstros famosos. O cinema não tem mais lugar pra eles (talvez apenas em produções satíricas). Descobriu-se, um pouco tardiamente, que não tem ninguém que mete mais medo do que o próprio ser humano – não precisa ser uma aberração como Jason ou um Predador da vida para aterorrizar a vida de alguém. Jogos Mortais parte desse pressuposto e cria um dos “vilões” mais interessantes do cinema atual, e por isso, consolida-se como a série de terror mais lucrativa dos últimos tempos.
Para quem ainda não viu nenhum dos três filmes (né, mamãe), trata-se de uma série de crimes baseados no seguinte conceito: as “vítimas” são submetidas a um jogo no qual a derrota significa morte e a vitória, uma possibilidade de repensar a vida – não é a toa que as vítimas são escolhidas a dedo entre criaturas deploráveis como viciados em droga, ladrões ou paparazzi.
(A partir de agora vou revelar detalhes sobre os dois primeiros filmes, então leitor que não quer saber o final dos filmes 1 e 2, pare de ler aqui)
O final do primeiro filme revela o perfil do criador dos jogos mortais: o JigSaw (alcunha dada pela polícia) é um senhor chamado John, que sofre de câncer. O segundo filme se presta a elucidar suas motivações para sua carreira criminal: ao saber que tinha câncer, tenta se suicidar, e depois de um mal sucedido acidente de carro, realiza o poder de cada ser humano sobre sua própria vida e como muitos desperdiçam (ou algo do gênero – já faz mais de um ano que eu assisti à segunda parte). No final deste, uma “bomba” (ok, ok, confira!) é revelada: John tem uma “assistente”, Amanda – mais conhecida como “Morde Girl”. Ela própria foi uma das pouquíssimas vencedoras dos jogos de Jigsaw e por isso escolhida pelo mestre para dar continuidade à sua obra.
Amanda "Morde Girl" e sua vítima médica Neste terceiro filme (finalmente!), JigSaw e Morde Girl convidam para seus jogos mirabolantes dois participantes. Um deles é a médica Lynn, que deve manter John vivo ao custo de sua própria vida (se o coração de John pára, sua cabeça explode). O outro é Jeff, cujo filho foi morto num atropleamento e sua obsessão é acabar com a raça do assassino. Digamos que JigSaw cria um jogo em que ele poderá se vingar.
Ao mesmo tempo, acompanhamos a dinâmica entre JigSaw e sua aprendiz, o que garante os momentos mais interessantes do filme. É realmente curioso que, mesmo conhecendo os podres do vilão-mor, é impossível nao torcer para que John continue vivendo (pelo menos até o final do longa), ao mesmo tempo que acompanhamos sua relação paternalista com Amanda, que revela ser emotiva e perversa.
John e Amanda: uma dupla quase perfeita
Repleto de cenas tensas e cheio de violência explícita, felizmente o diretor Darren Lynn Bousman, que já havia comandado o filme anterior, não se rende aos diversos clichês do gênero. Num longa repleto de sadismo como este, Bousman não perde tempo criando sustos falsos, uso abusivo da trilha sonora ou gritos histéricos de meninas gostosas. Aqui, os personagens só gritam quando estão sentindo bastante dor (geralmente quando perdem uma parte do corpo). Ainda assim, o diretor insiste em flashbacks que resumem o filme todo (como se o espectador de Jogos Mortais fosse idiota o suficiente para não entender todas as revelações bomtásticas que acabaram de ser apresentadas – bem, talvez seja).
E por falar em final, se não é tão surpreendente que quanto o dos antecessores, pelo menos mostra a engenhosidade do querido JigSaw ainda que a beira da morte. E não posso deixar de achar corajoso a forma com que o diretor acabou com seu filme, o que me leva a questionar sobre os rumos da franquia, considerando que a continuação 4 já foi anunciado para a mesma época, no ano próximo (também, Saw 3 custou 12 milhões e já arrecadou mais de 100. Até eu anunciaria um Jogos Mortais 4 para o próximo ano).
Como já disse diversas vezes nesse meu blog (prolixo, eu?), terror é um gênero totalmente descartável, mas imensamente divertido, não obstante repleto de obras totalmente infelizes, que insultam a inteligência do espectador. Jogos Mortais 3, particularmente, é cruel e violento, tem um assassino interessante, esperto, doente e carismático e, por último nunca chega a ser uma afronta à lógica, o que o coloca muito acima da média dos filmes de suspense/terror – razões suficientes para quem gosta do gênero assistir à derradeira aventura de JigSaw.
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