Estou lendo o livro Ella Fitzgerald - A Primeira Dama do Jazz, de Geoffrey Mark Fidelman. Para quem não conhece, Ella foi a melhor entre aquelas que deixaram alguma coisa gravada aqui nesse planeta. A mais criativa, afinada, inventiva e swingada cantora, só ouvindo seus CDs para entender o que eu estou falando.
Ler uma biografia é interessante, principalmente porque eu já sei o que acontece no final do livro, então as surpresas vão aparecendo quando a gente menos imagina. Mas a parte que eu quero mais chegar ainda parece estar longe. Estou bastante ansioso para chegar no trecho que fala sobre o CD:
Ella in Berlin - Mack the Knife
★ ★ ★ ★ ★
Ella Fitzgerald
1960
Uma das melhores gravações ao vivo que eu já ouvi, sem dúvida nenhuma esse era o show que eu gostaria de ter ido - pena que eu não era nascido nem morava na Alemanha na época. Se não bastasse as maravilhosas rendições de This Lady is a Tramp (dedicada aos fãs de Frank Sinatra), Misty, Gone With the Wind e Summertime, Ella nos deu a graça de apreciar talvez a melhor versão de Mack the Knife (sua gravação ganhou o Grammy de Melhor Performance Vocal). Acontece que Ella simplesmente esqueceu a letra na terceira estrofe - e a partir daí, foi uma invencionice atrás da outra, desde imitar Louis Armstrong, a citar aqueles que já haviam gravado a música (inclusive Ella and her Fella). Enfim, algo absolutamente inacreditável e maravilhoso que, ao que me parece, mudou o paradigma da letra de Mack the Knife. Preciso chegar no capítulo de 1960 do livro para saber mais...
O álbum, no entanto, reserva outra surpresinha que se chama How High is the Moon. Seu scat nessa música é impecável. A fluidez que Ella e sua banda vão emendando os diversos temas, inclusive A Tisket, a Tasket e Smoke Gets In Your Eyes, abrangendo toda sua extensão vocal, é algo que deve ser apreciado por todos. Algo que ficou registrado pela História. Sem exagero.
Ler uma biografia é interessante, principalmente porque eu já sei o que acontece no final do livro, então as surpresas vão aparecendo quando a gente menos imagina. Mas a parte que eu quero mais chegar ainda parece estar longe. Estou bastante ansioso para chegar no trecho que fala sobre o CD:
Ella in Berlin - Mack the Knife
★ ★ ★ ★ ★
Ella Fitzgerald
1960
Uma das melhores gravações ao vivo que eu já ouvi, sem dúvida nenhuma esse era o show que eu gostaria de ter ido - pena que eu não era nascido nem morava na Alemanha na época. Se não bastasse as maravilhosas rendições de This Lady is a Tramp (dedicada aos fãs de Frank Sinatra), Misty, Gone With the Wind e Summertime, Ella nos deu a graça de apreciar talvez a melhor versão de Mack the Knife (sua gravação ganhou o Grammy de Melhor Performance Vocal). Acontece que Ella simplesmente esqueceu a letra na terceira estrofe - e a partir daí, foi uma invencionice atrás da outra, desde imitar Louis Armstrong, a citar aqueles que já haviam gravado a música (inclusive Ella and her Fella). Enfim, algo absolutamente inacreditável e maravilhoso que, ao que me parece, mudou o paradigma da letra de Mack the Knife. Preciso chegar no capítulo de 1960 do livro para saber mais...
O álbum, no entanto, reserva outra surpresinha que se chama How High is the Moon. Seu scat nessa música é impecável. A fluidez que Ella e sua banda vão emendando os diversos temas, inclusive A Tisket, a Tasket e Smoke Gets In Your Eyes, abrangendo toda sua extensão vocal, é algo que deve ser apreciado por todos. Algo que ficou registrado pela História. Sem exagero.
O jornalismo da Internet é uma coisa linda:
Vou fazer uma Confição: O CD da Madonna tem tudo pra ser um licho.
Vou fazer uma Confição: O CD da Madonna tem tudo pra ser um licho.
Sem mais delongas:
Filme 4
Manderlay
★ ★ ★ ★ ★
Lars Von Trier
Idem. Dinamarca / Suiça / Holanda / França / Alemanha / Estados Unidos, 2005.
Von Trier realmente não tem medo de se tornar a persona non grata dos Estados Unidos. Após o ácido Dogville, filme feito em resposta à indignação dos americanos com o belíssimo Dançando no Escuro, o diretor dinamarquês continua sua saga chamada "Estados Unidos - Terra das Oportunidades" e, finalmente, nos apresenta ao filme de ponte, o segundo da trilogia.
Manderlay trata da visita de Grace, após os desastrosos eventos acontecidos em Dogville, a uma fazenda chamada Manderlay. A bondosa garota descobre, estarrecida, que ainda existem escravos, mesmo após a abolição ter acontecido 70 anos antes. Decidida a acabar com aquele mal, ela convence o pai a deixar uma parte dos gângsters lá e começa uma revolução social na fazenda.
Von Trier revela sua vocação para arquiteto. Sua trama é construída aos poucos, com cuidado, revelando paulatinamente o arsenal de crueldades ao qual a sociedade americana, de uma forma ou outra, tratou seus negros. Sua obra acaba lembrando Comte-Sponville, ainda que às aversas: o dinamarquês resgata primeiro os princípios morais aos quais nós estamos acostumados, para depois desconstruir a lógica de sua argumentação, concluindo que a imoralidade contida em seu roteiro é mesmo fruto da História - e essa, infelizmente, imutável e irremediável.
Mais uma vez, os óbices enfrentados por Grace são decorrentes de sua personalidade. Talvez o grande defeito da garota é que ela seja humana demais. Para nosso deleite, às vezes ela se cansa de sua humanidade superior, e volta ao plano dos reles mortais. Bryce Dallas Howard (a cegueta de A Vila), quase 15 anos mais nova que Nicole (mas isso não é problema, ela continua sendo a mesma Grace), encarna com perfeição o choque ao descobrir a natureza humana de seu próprio país.
Von Trier finaliza seu filme com a famosa sequência de fotos, com "Young Americans" tocando, não sem antes resgatar o dilema que motiva seu filme. Afinal, se a mão da oportunidade foi estendida, a culpa não é de quem não soube aproveitá-la? Não é coincidência que a primeira de suas fotos é de um grupo do KKK.
Agora é só esperar mais dois anos por Wasington e o fim da trilogia.
Filme 5
Seven Swords
★
Tsui Hark
Idem. Coréia do Sul / Hong Kong / China, 2005
Grande decepção da noite. Eu costumava endeusar o cinema chinês mas, depois desse fiasco, vi que existe filme ruim em qualquer lugar.
A China se vendeu a Hollywood? Ao que parece, sim. História sem pé nem cabeça, surgida de um argumento histórico - o rei de alguma daquelas dinastias antigas, não lembro se era Qin, Xin, Jin, Ming ou Ling, decretou ser proibida as artes marciais, e quem as praticasse seria decapitado. A partir daí, surge um bando de maníacos que, a mando do rei, sai cortando a cabeça de todo mundo que não pagar uma certa quantia. As bizarrices começam quando os "heróis" do filme vão a uma montanha que existem 7 espadas, cada uma com um poder especial (riam, riam). Então, os Power Rangers chineses passam as próximas duas horas combatendo o mal e salvando a vila dos decrépitos seres decapitadores.
Em determinado momento da trama, algum dos portadores das espadas fala "Temos que ver o nascer do sol". Então eles vão ver o nascer do sol, numa tomada cuja pretensão de parecer bonita é suplantada pela direção burocrática. Filme sem o menor senso de estilo, o diretor Tsui Hark parece que dá tiro para todos os lados, com uma montagem frenética, enquanto a história (?) é sempre deixada para último plano. Aliás, depois de uma sucessão de cortes de cabeça, a violência estilizada anestesia o espectador que, sem encontrar algo de interessante no roteiro nem envolvimento com os personagens, desencanta-se com a falta de conteúdo e significados.
Certo, talvez eu esteja sendo um pouco duro. Alguém poderia argumentar que as pretensões do diretor limitar-se-iam a criar um épico cheio de lutas de kung fu, diferentemente dos trabalhos de Ang Lee e Zhang Yimou (que eleva as Artes Marciais à categoria de Arte). Paciência. Tenho o direito de não gostar desse tipo de cinena. Por isso, dormi durante a projeção e ainda saí antes do fime, já que era quinze para às doze, ainda faltava quase uma hora para o fim - e ainda teria aula no dia seguinte. Portanto, fiz uma análise de decisão, cujo resultado foi: SAIA DAQUI AGORA! O que são as ferramentas de pesquisa operacional, não é mesmo, minha gente?
Ah, Tsui Hark já dirigiu filmes com o Van Damme. Acho que não estou sendo tão injusto, no final das contas.
A propósito - deixei um pouco a mostra de lado. De programação futura, por enquanto, só pretendo ver o-filme-mais-aguardado-de-todos 2046, do Kar-Wai. Saudações a todos.
Filme 4
Manderlay
★ ★ ★ ★ ★
Lars Von Trier
Idem. Dinamarca / Suiça / Holanda / França / Alemanha / Estados Unidos, 2005.
Von Trier realmente não tem medo de se tornar a persona non grata dos Estados Unidos. Após o ácido Dogville, filme feito em resposta à indignação dos americanos com o belíssimo Dançando no Escuro, o diretor dinamarquês continua sua saga chamada "Estados Unidos - Terra das Oportunidades" e, finalmente, nos apresenta ao filme de ponte, o segundo da trilogia.
Manderlay trata da visita de Grace, após os desastrosos eventos acontecidos em Dogville, a uma fazenda chamada Manderlay. A bondosa garota descobre, estarrecida, que ainda existem escravos, mesmo após a abolição ter acontecido 70 anos antes. Decidida a acabar com aquele mal, ela convence o pai a deixar uma parte dos gângsters lá e começa uma revolução social na fazenda.
Von Trier revela sua vocação para arquiteto. Sua trama é construída aos poucos, com cuidado, revelando paulatinamente o arsenal de crueldades ao qual a sociedade americana, de uma forma ou outra, tratou seus negros. Sua obra acaba lembrando Comte-Sponville, ainda que às aversas: o dinamarquês resgata primeiro os princípios morais aos quais nós estamos acostumados, para depois desconstruir a lógica de sua argumentação, concluindo que a imoralidade contida em seu roteiro é mesmo fruto da História - e essa, infelizmente, imutável e irremediável.
Mais uma vez, os óbices enfrentados por Grace são decorrentes de sua personalidade. Talvez o grande defeito da garota é que ela seja humana demais. Para nosso deleite, às vezes ela se cansa de sua humanidade superior, e volta ao plano dos reles mortais. Bryce Dallas Howard (a cegueta de A Vila), quase 15 anos mais nova que Nicole (mas isso não é problema, ela continua sendo a mesma Grace), encarna com perfeição o choque ao descobrir a natureza humana de seu próprio país.
Von Trier finaliza seu filme com a famosa sequência de fotos, com "Young Americans" tocando, não sem antes resgatar o dilema que motiva seu filme. Afinal, se a mão da oportunidade foi estendida, a culpa não é de quem não soube aproveitá-la? Não é coincidência que a primeira de suas fotos é de um grupo do KKK.
Agora é só esperar mais dois anos por Wasington e o fim da trilogia.
Filme 5
Seven Swords
★
Tsui Hark
Idem. Coréia do Sul / Hong Kong / China, 2005
Grande decepção da noite. Eu costumava endeusar o cinema chinês mas, depois desse fiasco, vi que existe filme ruim em qualquer lugar.
A China se vendeu a Hollywood? Ao que parece, sim. História sem pé nem cabeça, surgida de um argumento histórico - o rei de alguma daquelas dinastias antigas, não lembro se era Qin, Xin, Jin, Ming ou Ling, decretou ser proibida as artes marciais, e quem as praticasse seria decapitado. A partir daí, surge um bando de maníacos que, a mando do rei, sai cortando a cabeça de todo mundo que não pagar uma certa quantia. As bizarrices começam quando os "heróis" do filme vão a uma montanha que existem 7 espadas, cada uma com um poder especial (riam, riam). Então, os Power Rangers chineses passam as próximas duas horas combatendo o mal e salvando a vila dos decrépitos seres decapitadores.
Em determinado momento da trama, algum dos portadores das espadas fala "Temos que ver o nascer do sol". Então eles vão ver o nascer do sol, numa tomada cuja pretensão de parecer bonita é suplantada pela direção burocrática. Filme sem o menor senso de estilo, o diretor Tsui Hark parece que dá tiro para todos os lados, com uma montagem frenética, enquanto a história (?) é sempre deixada para último plano. Aliás, depois de uma sucessão de cortes de cabeça, a violência estilizada anestesia o espectador que, sem encontrar algo de interessante no roteiro nem envolvimento com os personagens, desencanta-se com a falta de conteúdo e significados.
Certo, talvez eu esteja sendo um pouco duro. Alguém poderia argumentar que as pretensões do diretor limitar-se-iam a criar um épico cheio de lutas de kung fu, diferentemente dos trabalhos de Ang Lee e Zhang Yimou (que eleva as Artes Marciais à categoria de Arte). Paciência. Tenho o direito de não gostar desse tipo de cinena. Por isso, dormi durante a projeção e ainda saí antes do fime, já que era quinze para às doze, ainda faltava quase uma hora para o fim - e ainda teria aula no dia seguinte. Portanto, fiz uma análise de decisão, cujo resultado foi: SAIA DAQUI AGORA! O que são as ferramentas de pesquisa operacional, não é mesmo, minha gente?
Ah, Tsui Hark já dirigiu filmes com o Van Damme. Acho que não estou sendo tão injusto, no final das contas.
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A propósito - deixei um pouco a mostra de lado. De programação futura, por enquanto, só pretendo ver o-filme-mais-aguardado-de-todos 2046, do Kar-Wai. Saudações a todos.
Fiquei de contar, no último post, sobre meu encontro com Manoel de Oliveira. Tudo bem, "encontro" é forçar um pouco a barra, mas digamos que eu estava na hora certa, no lugar certo. Voltarei a falar disso assim que providenciar um cabo USB e poder transferir as fotos da minha câmera (sim, eu dei a sorte de estar com a vermelhinha e registrei a preesnça da múmia portuguesa a poucos metros da minha pessoa).
Mais relevante é minha ida ao Cine Bombril. O nome parece ridículo, mas você não irá encontrar nenhuma palha da aço exposta. Muito pelo contrário. Eu nunca tive coragem de entrar naqueles cinemas do Conjunto Nacional (dizem que tinha goteira e ratos), por isso muito me surpreendeu a mega-reforma promovida pelo Bombril. Os cinéfilos de São Paulo agradecem pelo ambiente extremamente agradável e muito bem decorado, além da sala de excelente qualidade. E, ainda por cima, tive o prazer de assistir ao excelente:
Filme 3
Querida Wendy
★ ★ ★ ★ ★
Thomas Vinterberg
Dear Wendy. Dinamarca/França/Alemanha/Reino Unido, 2005.
Filme que todos os brasileiros deveriam ter assistido antes de sair votando no NÃO. Aliás, não emiti nenhum comentário sobre essa questão por me julgar alienado ou pelo menos suficientemente desinformado a respeito da argumentação de ambos os lados (extremamente maniqueísta esse referendo, não?). Pois bem, como todo sabem, eu não voto aqui em Sampa, portanto bastei justificar minha escolha. Mas, confesso que tinha uma queda pelo SIM, pois:
1. Não acredito que arma alguma possa defender alguém de um assaltante mal-intencionado;
2. Sair dando tiros nos assaltantes não corrige os problemas da nação;
3. Armas são entidades criadas apenas e tão somente para matar. Por isso, evito as comparações grosseiras com outras coisas que os apoiadores do NÃO falam que são igulamente prejudiciais (um dos argumentos jocosos é, já que é pra proibir o que atenta contra a vida, que também se proíbam o uso de carros, etc).
4. Uma arma na mão é um passaporte para se cometer besteiras.
(Aguardo comentários do mano Edgard!)
Esses argumentos, principalmente os dois últimos, são bem explicitados no filme que tem o roteiro do sempre interessante Lars Von Trier. As conseqüências do porte de armas, a princípio para fins pacifistas e de suporte moral, tomam proporções totalmente desastrosas por um evento banal - e é isso, no fundo, a desgraça do porte de armas. Contando com uma narrativa concisa e objetiva, atuações competentes de todo o seu elenco jovem, o diretor Vinterberg sabe aliviar o tom nos momentos certos, criando situações extremamente divertidas, mas cria uma atmosfera de tensão, resultado da visão que o diretor e roteirista compartilham da sociedade patológica americana.
Não conhecia Vinterberg até então - do seu passado, sei que participou do movimento Dogma, junto com Von Trier. Tal como o diretor - ou melhor, autor - de Dançando no Escuro (um dos meus filmes favoritos) e Dogville, Vinterberg parece saber usar a linguagem cinematográfica com propriedade ao tratar de temas sempre polêmicos. Enfim, um nome que chama a atenção.
Aliás, para amanhã, verei o tão aguardado Manderlay, do Von Trier (continuação de Dogville) e, de quebra, verei também Seven Swords (adoro cinema chinês). Então, até amanhã.
Mais relevante é minha ida ao Cine Bombril. O nome parece ridículo, mas você não irá encontrar nenhuma palha da aço exposta. Muito pelo contrário. Eu nunca tive coragem de entrar naqueles cinemas do Conjunto Nacional (dizem que tinha goteira e ratos), por isso muito me surpreendeu a mega-reforma promovida pelo Bombril. Os cinéfilos de São Paulo agradecem pelo ambiente extremamente agradável e muito bem decorado, além da sala de excelente qualidade. E, ainda por cima, tive o prazer de assistir ao excelente:
Filme 3
Querida Wendy
★ ★ ★ ★ ★
Thomas Vinterberg
Dear Wendy. Dinamarca/França/Alemanha/Reino Unido, 2005.
Filme que todos os brasileiros deveriam ter assistido antes de sair votando no NÃO. Aliás, não emiti nenhum comentário sobre essa questão por me julgar alienado ou pelo menos suficientemente desinformado a respeito da argumentação de ambos os lados (extremamente maniqueísta esse referendo, não?). Pois bem, como todo sabem, eu não voto aqui em Sampa, portanto bastei justificar minha escolha. Mas, confesso que tinha uma queda pelo SIM, pois:
1. Não acredito que arma alguma possa defender alguém de um assaltante mal-intencionado;
2. Sair dando tiros nos assaltantes não corrige os problemas da nação;
3. Armas são entidades criadas apenas e tão somente para matar. Por isso, evito as comparações grosseiras com outras coisas que os apoiadores do NÃO falam que são igulamente prejudiciais (um dos argumentos jocosos é, já que é pra proibir o que atenta contra a vida, que também se proíbam o uso de carros, etc).
4. Uma arma na mão é um passaporte para se cometer besteiras.
(Aguardo comentários do mano Edgard!)
Esses argumentos, principalmente os dois últimos, são bem explicitados no filme que tem o roteiro do sempre interessante Lars Von Trier. As conseqüências do porte de armas, a princípio para fins pacifistas e de suporte moral, tomam proporções totalmente desastrosas por um evento banal - e é isso, no fundo, a desgraça do porte de armas. Contando com uma narrativa concisa e objetiva, atuações competentes de todo o seu elenco jovem, o diretor Vinterberg sabe aliviar o tom nos momentos certos, criando situações extremamente divertidas, mas cria uma atmosfera de tensão, resultado da visão que o diretor e roteirista compartilham da sociedade patológica americana.
Não conhecia Vinterberg até então - do seu passado, sei que participou do movimento Dogma, junto com Von Trier. Tal como o diretor - ou melhor, autor - de Dançando no Escuro (um dos meus filmes favoritos) e Dogville, Vinterberg parece saber usar a linguagem cinematográfica com propriedade ao tratar de temas sempre polêmicos. Enfim, um nome que chama a atenção.
Aliás, para amanhã, verei o tão aguardado Manderlay, do Von Trier (continuação de Dogville) e, de quebra, verei também Seven Swords (adoro cinema chinês). Então, até amanhã.
Após uma semana extremamente estressante e um final desastroso, nada melhor que uma Mostra BR de Cinema para pôr em prática um pouco de catarse e curar minhas feridas.
Filme 0
A Noiva Cadáver
★ ★ ★ ★ ★
Tim Burton e Mike Johnson
Corpse Bride. Reino Unido, 2005.
Filme 0? Sim, pois ele não está na Mostra. Mas só não está porque já tinha entrado para o circuito. O que importa é que eu o assisti quando já estava no espírito cinéfilo, ao mesmo tempo que cheguei muito tarde e todas as sessões já estavam esgotadas. Assim, fui conferir o novíssimo trabalho de Tim Burton.
2005 foi o ano no qual recebemos um inestimável presente: dois filmes de Tim Burton. Esse Noiva Cadáver utiliza a técnica Stop Motion (leia-se: deu um trabalho desgraçado para fazer) e, felizmente, o resultado foi extremamente recompensador. TB cria uma fábula sobre a vida e a morte, o amor e a morte, a vida e o amor - sim, já deu para pegar o espírito da coisa. Mais uma vez, o ambiente gótico é povoado por seres esquisitos, em que o personagem principal, Victor, sofre um evidente vazio que é preenchido à medida que encontra seu amor na prometida Victoria. A música Bizarre Love Triangle se encaixaria com bastante perfeição, pois o "terceiro elemento" não é ninguém senão A Noiva Cadáver. Muitas confusões e reencontros povoam o universo imaginativo de cores contrastantes - enquanto o ambiente dos vivos é pálido e sem graça, a terra dos mortos é cheia de luzes e jazz. Aliás, a trilha sonora de Danny Elfman é mais uma vez impecável. Não me admira se ele for indicado ao Oscar para concorrer contra si mesmo por seu trabalho em A Fantástica Fábrica de Chocolates.
Noiva Cadáver conta com todos os habitués de Burton: Johnny Depp, que dá o toque certo na voz do tímido Victor, Helena Bonham Carter (a esposa do TB) no papel da Noiva, Christopher Lee, impagável e Deep Roy. A Noiva Cadáver, apesar de curto (apenas 76 minutos), é diversão garantida, com um toque de melancolia, mas uma beleza digna dos grandes artistas.
Filmes 1 e 2
Meu Pai Tem 100 Anos
★ ★ ★ ★ ★
Guy Maddin
My Dad is 100 Years Old. Canadá, 2005
Roma, Cidade Aberta
★ ★
Roberto Rossellini
Roma, Città Aperta. Itália, 1945
O primeiro é um curta escrito e atuado pela filha do homem, a Isabella Rossellini - que também é a autora do simples, porém criativo, cartaz dessa Mostra. Servindo como declaração de amor e estudo sobre a genialidade do seu pai, o curta por si só é um delírio audaz, representando Roberto apenas por uma grande barriga. A cena da conversa dos diretores é simplesmente fantástica, revelando todo o talento de Isabella. Valeu pela sessão.
Notem que eu nunca havia assistido a nada do Rossellini. Aliás, eu tenho um certo preconceito contra filmes de antes da década de 60 (podem rir...), mas a imagem - e o som, na maioria dos casos - realmente me incomodam. O fato é que eu não consegui me impressionar com esse "clássico" do neo-realismo italiano (aprendi isso durante o curta). Trama política, sobre a invasão dos nazistas em Roma, engrena apenas no final. Pelo menos a cadeira era confortável e eu pude curtir uma boa soneca durante o filme.
Em breve, mais sobre a Mostra, inclusive Meu Encontro Com Manoel de Oliveira.
Filme 0
A Noiva Cadáver
★ ★ ★ ★ ★
Tim Burton e Mike Johnson
Corpse Bride. Reino Unido, 2005.
Filme 0? Sim, pois ele não está na Mostra. Mas só não está porque já tinha entrado para o circuito. O que importa é que eu o assisti quando já estava no espírito cinéfilo, ao mesmo tempo que cheguei muito tarde e todas as sessões já estavam esgotadas. Assim, fui conferir o novíssimo trabalho de Tim Burton.
2005 foi o ano no qual recebemos um inestimável presente: dois filmes de Tim Burton. Esse Noiva Cadáver utiliza a técnica Stop Motion (leia-se: deu um trabalho desgraçado para fazer) e, felizmente, o resultado foi extremamente recompensador. TB cria uma fábula sobre a vida e a morte, o amor e a morte, a vida e o amor - sim, já deu para pegar o espírito da coisa. Mais uma vez, o ambiente gótico é povoado por seres esquisitos, em que o personagem principal, Victor, sofre um evidente vazio que é preenchido à medida que encontra seu amor na prometida Victoria. A música Bizarre Love Triangle se encaixaria com bastante perfeição, pois o "terceiro elemento" não é ninguém senão A Noiva Cadáver. Muitas confusões e reencontros povoam o universo imaginativo de cores contrastantes - enquanto o ambiente dos vivos é pálido e sem graça, a terra dos mortos é cheia de luzes e jazz. Aliás, a trilha sonora de Danny Elfman é mais uma vez impecável. Não me admira se ele for indicado ao Oscar para concorrer contra si mesmo por seu trabalho em A Fantástica Fábrica de Chocolates.
Noiva Cadáver conta com todos os habitués de Burton: Johnny Depp, que dá o toque certo na voz do tímido Victor, Helena Bonham Carter (a esposa do TB) no papel da Noiva, Christopher Lee, impagável e Deep Roy. A Noiva Cadáver, apesar de curto (apenas 76 minutos), é diversão garantida, com um toque de melancolia, mas uma beleza digna dos grandes artistas.
Filmes 1 e 2
Meu Pai Tem 100 Anos
★ ★ ★ ★ ★
Guy Maddin
My Dad is 100 Years Old. Canadá, 2005
Roma, Cidade Aberta
★ ★
Roberto Rossellini
Roma, Città Aperta. Itália, 1945
O primeiro é um curta escrito e atuado pela filha do homem, a Isabella Rossellini - que também é a autora do simples, porém criativo, cartaz dessa Mostra. Servindo como declaração de amor e estudo sobre a genialidade do seu pai, o curta por si só é um delírio audaz, representando Roberto apenas por uma grande barriga. A cena da conversa dos diretores é simplesmente fantástica, revelando todo o talento de Isabella. Valeu pela sessão.
Notem que eu nunca havia assistido a nada do Rossellini. Aliás, eu tenho um certo preconceito contra filmes de antes da década de 60 (podem rir...), mas a imagem - e o som, na maioria dos casos - realmente me incomodam. O fato é que eu não consegui me impressionar com esse "clássico" do neo-realismo italiano (aprendi isso durante o curta). Trama política, sobre a invasão dos nazistas em Roma, engrena apenas no final. Pelo menos a cadeira era confortável e eu pude curtir uma boa soneca durante o filme.
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Em breve, mais sobre a Mostra, inclusive Meu Encontro Com Manoel de Oliveira.
... ele abre uma janela.
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Pena que a cortina a esteja escondendo por enquanto.
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Pena que a cortina a esteja escondendo por enquanto.
Adeus, Pontes e Calçadas.
A primeira bota a gente nunca esquece.
Agora, só faltam 2/3. Mierzwa.
A primeira bota a gente nunca esquece.
Agora, só faltam 2/3. Mierzwa.
18 de outubro de 2005. Um dia deveras interessante.
Começou tenso. Afinal, tinha uma prova de Finanças às 11 horas e mal tinha me preparado para ela (só estudei ontem). Foi o melhor investimento de alto risco que eu já fizera. A prova estava muito fácil.
Mais à tarde, recebi a notícia que minha equipe do Desafio Sebrae foi para a Final Estadual. Só 8 equipes foram para a final estadual. No estado de São Paulo, foram 352 equipes para a Segunda Fase, e um sem número de equipes estavam na primeira. Mandou bem, Rozenchayssa! Querem ver o segredo do nosso sucesso?
Em seguida, tive A entrevista. Foi um papo agradável e fiz o que pude. Na verdade, sinto queas coisas já estão fora do controle, mas o resultado geral me agradou bastante, bem acima das minhas expectativas.
Por último, descobri que sou muito amado pelos meus amigos. Sim, pois exceto os colegas produteiros, nenhum - eu disse NENHUM - amigo (?) me desejou sorte na Entrevista de hoje. Concluo que é porque eles me querem aqui no Brasil. (sim, tem muita ironia nesse parágrafo).
Bjundas a todos.
Começou tenso. Afinal, tinha uma prova de Finanças às 11 horas e mal tinha me preparado para ela (só estudei ontem). Foi o melhor investimento de alto risco que eu já fizera. A prova estava muito fácil.
Mais à tarde, recebi a notícia que minha equipe do Desafio Sebrae foi para a Final Estadual. Só 8 equipes foram para a final estadual. No estado de São Paulo, foram 352 equipes para a Segunda Fase, e um sem número de equipes estavam na primeira. Mandou bem, Rozenchayssa! Querem ver o segredo do nosso sucesso?
Em seguida, tive A entrevista. Foi um papo agradável e fiz o que pude. Na verdade, sinto queas coisas já estão fora do controle, mas o resultado geral me agradou bastante, bem acima das minhas expectativas.
Por último, descobri que sou muito amado pelos meus amigos. Sim, pois exceto os colegas produteiros, nenhum - eu disse NENHUM - amigo (?) me desejou sorte na Entrevista de hoje. Concluo que é porque eles me querem aqui no Brasil. (sim, tem muita ironia nesse parágrafo).
Bjundas a todos.
Graças ao not pr0n, acabei de descobrir Big Bad Voodoo Daddy.
Pena que já é tarde.
Pena que já é tarde.
Já que não vou mais ao cinema, pelo menos música eu ainda escuto. Da série "música de elevador":
Thanks for the Memory... The Great American Songbook Volume IV
★ ★
Rod Stewart
2005
O que esperar quando Rod Stewart anuncia mais um dos seus Great American Songbooks? Após três CDs onde o vovô do rock revisita os clássicos do jazz americano, temos uma boa noção do que esperar: arranjos plásticos, feito de pianos, cordas, um sax ali, outro acolá, uma bateria soft - sempre a mesma estrutura para todas as músicas, muitos duetos e um repetório nada arriscado.
Pois Thanks for the Memory é exatamente isso. Cada vez mais representante do que eu e o meu amigo Leonardo Mazzariol chamamos de "jazz vulgar" - em determinado momento da primeira faixa, podemos ouvir Rod falando "listen, baby", Rod varia do óbvio ao pouco arriscado, passando pelo lugar-comum em seu novo CD.
Isso não é exatamente um problema se o ouvinte pretende tocar o CD na hora do almoço, ou mesmo como música de fundo no elevador, já que tudo é muito agradável e sem o menor sentido de profundidade. Há também os que não gostam da sua "voz de velho", mas isso é problema pessoal de cada um.
Alguns dos standards revisitados e queridas músicas do cancioneiro americano incluem a minha adorada I've Got a Crush on You, My Funny Valentine, Taking a Chance on Love, Makin' Whoopee, a deliciosa You Send Me e Blue Skies. Se você, caro leitor, não conhece nenhuma dessas músicas, nem se aventure a ouvir o CD do Rod Stewart, e prefira ouvir de outras fontes mais confiáveis. Os duetos, que não são poucos, tem como representantes mais ilustres Diana Ross e Elton John - pouco caça-níqueis né, vovô Rod? Pra dizer que nada se salva, o comecinho de Blue Skies faz um bom uso dos violões de Dave Koz, e eu gostei de ver alguém cantando You Send Me, que estava um pouco esquecida ultimamente.
Ano que vem, provavelmente Rod vai lançar um Cheek to Cheek... - The Great American Songbook Volume V. E eu já saberei exatamente o que esperar do CD.
Thanks for the Memory... The Great American Songbook Volume IV
★ ★
Rod Stewart
2005
O que esperar quando Rod Stewart anuncia mais um dos seus Great American Songbooks? Após três CDs onde o vovô do rock revisita os clássicos do jazz americano, temos uma boa noção do que esperar: arranjos plásticos, feito de pianos, cordas, um sax ali, outro acolá, uma bateria soft - sempre a mesma estrutura para todas as músicas, muitos duetos e um repetório nada arriscado.
Pois Thanks for the Memory é exatamente isso. Cada vez mais representante do que eu e o meu amigo Leonardo Mazzariol chamamos de "jazz vulgar" - em determinado momento da primeira faixa, podemos ouvir Rod falando "listen, baby", Rod varia do óbvio ao pouco arriscado, passando pelo lugar-comum em seu novo CD.
Isso não é exatamente um problema se o ouvinte pretende tocar o CD na hora do almoço, ou mesmo como música de fundo no elevador, já que tudo é muito agradável e sem o menor sentido de profundidade. Há também os que não gostam da sua "voz de velho", mas isso é problema pessoal de cada um.
Alguns dos standards revisitados e queridas músicas do cancioneiro americano incluem a minha adorada I've Got a Crush on You, My Funny Valentine, Taking a Chance on Love, Makin' Whoopee, a deliciosa You Send Me e Blue Skies. Se você, caro leitor, não conhece nenhuma dessas músicas, nem se aventure a ouvir o CD do Rod Stewart, e prefira ouvir de outras fontes mais confiáveis. Os duetos, que não são poucos, tem como representantes mais ilustres Diana Ross e Elton John - pouco caça-níqueis né, vovô Rod? Pra dizer que nada se salva, o comecinho de Blue Skies faz um bom uso dos violões de Dave Koz, e eu gostei de ver alguém cantando You Send Me, que estava um pouco esquecida ultimamente.
Ano que vem, provavelmente Rod vai lançar um Cheek to Cheek... - The Great American Songbook Volume V. E eu já saberei exatamente o que esperar do CD.
Está às moscas, e vai ficar às moscas até o dia 22, quando me livrarei - para o bem ou para o mal - de uma deliciosa revisão de Matemática Elementar, Mecânica, Termodinâmica e Física.
Mas, acho que isso vale um pos rápido antes de dormir:
Those Were the Days
★ ★ ★ ★
Dolly Parton
2005
Não se assuste, isso não é um traveco, nem Elvira, a Rainha das Trevas versão country loira. Dolly Parton das trevas retorna num CD delicioso. Para quem gosta de country, é claro, e especialmente de bluegrass, não tem melhor pedida. Se não bastasse as rendições de Blowin' in the Wind, Twelfth Of Never e Imagine, o CD conta com não sei quantos duetos de altíssima qualidade, belos arranjos repletos de gaitas e violões. Country é muito bão, sô!
Bom saber que Dolly, depois de tantos anos na estrada, ainda continua na ativa.
(a propósito, Elvira, a Rainha das Trevas é o meu filme trash favorito),
Mas, acho que isso vale um pos rápido antes de dormir:
Those Were the Days
★ ★ ★ ★
Dolly Parton
2005
Não se assuste, isso não é um traveco, nem Elvira, a Rainha das Trevas versão country loira. Dolly Parton das trevas retorna num CD delicioso. Para quem gosta de country, é claro, e especialmente de bluegrass, não tem melhor pedida. Se não bastasse as rendições de Blowin' in the Wind, Twelfth Of Never e Imagine, o CD conta com não sei quantos duetos de altíssima qualidade, belos arranjos repletos de gaitas e violões. Country é muito bão, sô!
Bom saber que Dolly, depois de tantos anos na estrada, ainda continua na ativa.
(a propósito, Elvira, a Rainha das Trevas é o meu filme trash favorito),
2 Filhos de Francisco
★ ★ ★ ★ ★
Breno Silveira
Idem. Brasil, 2005
★ ★ ★ ★ ★
Breno Silveira
Idem. Brasil, 2005
Eu odeio as críticas resumidas e mal-feitas do jornal Folha de São Paulo e quase nunca concordo com as estrelinhas distribuídas. No entanto, acho deveras engraçado aqueles comentários maldosos que vem no Guia da Folha, em que vários críticos definem um filme numa pequena expressão. O crítico Christian Petermann, por exemplo, definiu Gaijin - Ama-me como Sou por "ignore-o como está". Contudo, uma particularmente me incomodou - o Sergio Rizzo, conferindo apenas uma estrela para 2 Filhos de Francisco, disse que "quando Hollywood faz assim, leva pau". Digo que me incomodou porque esse filme vem arrancando elogios tanto da crítica quando do público.
Um pouco ressabiado, fui assistir ao filme. E, duas horas e pouco depois, cheguei a conclusão que o Rizzo não está certo. Sim, porque Hollywood não faz daquele jeito. Aliás, difícil ver hoje em dia, um filme tão impregnado de humanidade que nem esse. Extremamente simples, sincero e, arrisco dizer, sem pretensão, o longa de Breno Silveira é uma história repleta de brasilidade, mas com o toque universal trazido pela importância da música em seu contexto.
Não são poucos os filmes cujo fio condutor é a música. Filmes como A Noviça Rebelde, Dançando no Escuro ou Mudança de Hábito, cada um com uma abordagem completamente diferente, tem em comum o fato que a música atua ora como força redentora, ora como a maneira para resolver os problemas. Não é à toa que gosto de todos eles. A música tem um papel muito importante na minha vida, então é impossível não me identificar com personagens que também se nutrem de música.
No caso particular de 2 Filhos de Francisco, esses "personagens" são criaturas de carne e osso que, ao final do filme, conseguem ganhar a simpatia até mesmo daqueles que não gostam do estilo sertanejo. Afinal, a história contada não é outra senão o velho conto da vitória pessoal, nesse caso, vitória sobre a pobreza (tema sobre o qual Hollywood nunca saberia falar), a ignorância e o preconceito contra o estilo musical.
Contando com atuações singelas de todo o elenco, principalmente de Ângelo Antônio e Dira Paes - além do sempre ótimo José Dumont, só faço uma ressalva quanto ao sotaque carioca de Márcio Kieling, mas isso é problema menor numa produção tão agradável. Problema mais agravante, não diretamente do filme em si, é a inclusão extremamente forçada da propaganda de duas empresas - o que de certa forma, acaba funcionando como marketing negativo. Imagino a sinuca de Breno Silveira para incluir com imensa "bondade" alguma imagem de seus patrocinadores tão sensíveis com relação a arte.
Algumas cenas memoráveis podem ser vistas no longa de Breno Silveira. Cito uma que me comoveu profundamente: depois de chegar em Goiânia, embaixo de chuva, Francisco e família chegam em sua casa caótica e cheia de vzamentos. Motivos de sobra para o desânimo, o fato é que Francisco, através de um gesto imensamente simples, conseguiu divertir toda a família - e é essa simplicidade o mais comovente, essa sensação positivista de que a labuta honesta é recompensadora, no final das contas. Essa sensação, num período de tantos turbilhões políticos, é mais que necessária.
Assim, 2 Filhos de Francisco é um filme que, além de tudo, saiu na hora certa. Não desmerecendo as investidas no cinema nacional, o fato é que a miséria brasileira já foi explorada de tudo quanto é jeito. Nada mais justo do que a celebração do sucesso de uma dupla sertaneja, que não soa como propaganda, mas uma sincera, divertida e emocionante história de realização pessoal.
P.S.: um pouquinho de humor vai bem: confiram a maravilhosa charge de Maurício Ricardo: 1 Neta de Francisco
Minha primeira dinâmica de grupo será daqui a pouco.
Nervoso, eu?
Nervoso, eu?















