IMHO

Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães


Da comunidade "EU TENHO MEDO DO PLANTÃO"


tópico: Qual a pior notícia que vc viu no plantão?

Mauricio
Qual a pior notícia que vc viu no plantão? 27/7/2005 21:15
A queda da primeira torre me em 11/09 me assustou muito. E vc? Qual a pior?

Mauricio
Qual a pior notícia que vc viu no plantão? 27/7/2005 21:15
A queda da primeira torre me em 11/09 me assustou muito. E vc? Qual a pior?

Aline
São vários 27/7/2005 16:44
A queda das torres gêmeas do 11/09.

**Nátaly**
27/7/2005 18:51
a q mais me xocou q eu lembro ateh hj foi sobre a morte dos mamonas assinas...

Renato
28/7/2005 03:46
o nascimento da sachxa..

"O nascimento de Sachxa (sic)" é foda!!!



Sideways - Entre umas e outras

Alexander Payne
Sideways. Estados Unidos, 2004

O que o vinho pode dizer sobre o comportamento humano? Sem nenhum exagero, Sideways demonstra que um bom Pinot Noir pode dizer bastante coisa. Engana-se, no entanto, quem acha que tal "comédia etílica" limita-se à relação do homem com a bebida. Payne, numa linguagem intimista, celebra um dos raros prazeres na vida de um homem angustiado pela própria mediocridade.

Sideways ocupa-se de uma semana da vida de Miles (Paul Giamatti) - professor de literatura, autor de um livro em busca de publicação, enólogo - e seu amigo, Jack (Thomas Haden Church), ator desempregado, cujo papel mais marcante acontecera há muitos anos atrás, numa novela. Ambos fazem um "tour dos vinhos" pela Califórnia, como despedida de solteiro. Nessa viagem, Miles reencontra sua amiga, a garçonete Maya (Virgina Madsen) e Jack acaba "ficando" com Stephanie (Sandra Oh), o que acaba gerando embaraços na cabeça de Jack sobre o casamento.

Payne tem em mãos o roteiro de uma comédia dramática intimista e humana, o que significa que as situações que seus personagens viverão durante essa semana não servirão para mudar seu caráter, mas para evidenciá-lo. Sua imagem serve, portanto, para dar luz às características de Miles e Jack: ambos são seres distantes de se realizarem como cidadãos. Para Miles, isso aconteceria com a publicação de seu romance com toques autobiográficos, o que acaba não se contretizando. O escapismo para sua vida insignificante é o gosto pelo vinho - o Miles enólogo é uma fachada para o Miles alcólatra. Sua busca por sofisticação da bebida é uma maneira de se livrar de uma existência prosaica, embora o personagem nada faz - ou é incapacitado - para mudar, avançar.


Um brinde!

Miles é o anti-herói que rouba o dinheiro de sua própria mãe, ainda que a mesma esteja disposta a dar dinheiro ao filho, mas a vergonha de pedir é a vergonha de assumir sua mediocridade. Esse Miles vai ganhando contornos reais - Payne, longe de ser maniqueísta, relaciona o vinho que Miles prefere à própria metáfora de sua existência, numa das cenas mais comoventes do filme. Seus muitos defeitos, felizmente, não se expandem para as outras pessoas, ao contrário de Jack. Por isso, simpatizamos mais com Miles que, apesar de frustrado, não se esconde num redoma como o faz seu amigo.

É óbvio que todo o trabalho de composição do personagem que até agora fora apresentado deve-se em grande parte ao magistral trabalho realizado pelo excelente ator Paul Giamatti (de O Anti-Herói Americano). Sua atuação, contida e sutil, revela-se de grande importância, tanto para realçar o caráter de Miles, quanto para se tornar crível, nunca exagerado, como numa comédia pastelão. Giamatti atinge a tonalidade precisa de um Miles tímido, cheio de defeitos, mas humano. Ao fim, a torcida para que ele supere suas limitações não é gratuita, nem provocada de maneira melodramática. O plano final só não é objetivo para provocar um poder de sugestão ao espectador, mas este terá plena convicção de que Payne redime Miles. Afinal, todos merecem uma chance, não é mesmo?

O Cinema, atualmente, tem se mostrado hábil em contar histórias de seres sobrehumanos, capazes de grandes feitos e proezas. Contrariando os prognósticos, Sideways é mais uma prova que o Cinema constitui uma ferramenta de inigualável poder para retratar o cotidiano e o ser humano comum e, quando o faz, é tão (ou mais) interessante quanto a história de um super-herói.

Depois de um ano, dores de cabeça, noites mal dormidas, chateações e falta de estímulo, eis o resultado da minha Iniciação Científica:

E não pensem que vou perder meu tempo tentando explicar essa bizarrice. Já gastei muitas páginas de um relatório e precioso tempo das minhas férias. Enfim, reconheço que tal atividade, que terá alguma importância para a minha formação acadêmica (?), graças ao bom Deus se encerrou (mas voltará em novembro, para o SIICUSP ou coisa que o valha), para o bem da minha felicidade.

Do que há de ruim para o que há de bom para ser visto:


Eca!

A Volta ao Mundo em Oitenta Dias - Uma Aposta Muito Louca (Around the World in 80 Days)

Dirigido por Frank Coraci. Escrito por David Titcher, David Goldstein, David Benullo. Baseado na obra de Jules Verne. Com Jackie Chan, Steve Coogan, Jim Broadbent, Cecile de France, Arnold Schwarzenegger, Kathy Bates, Owen Wilson, Luke Wilson, Rob Schneider, Mark Addy, Karen Joy Morris, Will Forte, John Cleese, Ewen Bremmer, Ian MacNeice. Estados Unidos, Alemanha, Irlanda, Reino Unido. 2004.

Cuidado com os subtítulos: quanto mais ridículo, pior é o filme. Os ossos de Jules Verne devem estar se revirando no caixão, depois que sua obra virou desculpa para as lutas de Jackie Chan - e, ainda assim, é o único que se salva de um elenco cheio de participações especiais. Não funciona como comédia, como filme de luta, como romance, enfim... não perca seu tempo (e dinheiro) com esse filme.

Legalmente Loira 2 (Legally Blonde 2: White, Red and Blonde)

Dirigido por Charles Herman-Wurmfeld. Escrito por Kate Kondell. Com Reese Witherspoon, Bob Newhart, Sally Field, Luke Wilson, Bruce McGill, Dana Ivey, Jennifer Coolidge, Alanna Ubach, Jessica Cauffiel, Regina King. Estados Unidos. 2003.

Trata-se evidentemente de um filme em um universo paralelo, em que as pessoas são recompensadas pelos seus atos mais ridículos (para a nossa realidade). Dito isso, se a questão do uso de animais em experimentos cosméticos tinha alguma intenção de ser discutida, ela se perde nas gracinhas da protagonista Elle vivida pela simpática Reese Witherspon.


Podia ser pior

Balzac e a Costureirinha Chinesa (Balzac et la petite tailleuse chinoise)

Escrito e dirigido por Dai Sijie. Com Zhou Xun, Chen Kun, Liu Ye. França, China. 2002.

O filme funciona como uma crítica ao comunismo chinês que "reeducava" seus jovens tolhendo sua cultura, queimando livros. No entanto, os ares de romance juvenil acabam tornando piegas o que parecia ser um começo promissor. Falta profundidade. mas a bela fotografia, trilha sonora e boas atuações do trio principal salvam o filme do lugar-comum.

Tá Todo Mundo Louco (Rat Race)

Dirigido por Jack Zucker. Escrito por Andy Breckman. Com Whoopi Goldberg, Cuba Gooding, Jon Lovitz, John Cleese, Rowan Atkinson, Seth Green, Breckin Meyer, Amy Smart, Kathy Najimy, Vince Vieluf, Lanei Chapman. Estados Unidos, Canadá. 2001.

Uma comédia com um grande elenco, nenhum protagonista e uma corrida maluca por dois milhões de dólares. A quantidade de situações implausíveis é tão grande que o roteiro de Breckman acaba surpreendendo graças às suas maluquices inesperadas - a vaca voando no final acaba soando "natural". Despretensioso e extremamente divertido.


Kiru Biru


Kill Bill

Escrito e dirigido por Quentin Tarantino, baseado nos personagens de Q&U. Com Uma Thurman, Lucy Liu, Vivica A. Fox, Chiaki Kuriyama, Sonny Chiba, Gordon Liu, David Carradine, Michael Madsen, Daryl Hannah, Samuel L. Jackson, Christopher Nelson, Michael Parks, Larry Bishop, Bo Svenson, Perla Haney-Jardine. Estados Unidos. 2003 (Vol. 1), 2004 (Vol. 2).

"O quarto filme de Quentin Tarantino". Quanta petulância. O roteiro de Kill Bill é uma mera desculpa para que Tarantino realize suas macaquices visuais com roupagem pop. O resultado: um filme de violência plástica, um estudo sobre a vingança que se empalidece diante da obra de Chan-wook Park, além de ser dividio em dois volumes para tirar mais dinheiro do público. Pedantismos a parte, Kill Bill ainda é um dos filmes mais divertidos do ano passado.


R E _OR_O

O Operário (El Maquinista)

Dirigido por Brad Anderson. Escrito por Scott Kosar. Com Christian Bale, Jennifer Jason Leigh, Aitana Sanchez-Gijon, Michael Ironside, John Sharian. Espanha. 2004.

"Christian Bale está muito magro nesse filme", diria Rubens Ewald Filho. Eu diria que sua atuação fabulosa é um dos grandes trunfos desse audacioso suspense psicológico que trata, de maneira criativa e surpreendente, sobre a complexidade de uma mente atormentada.


Lindos filmes. Lindos.

Diário de Uma Paixão (The Notebook)

Dirigido por Nick Cassavetes. Escrito por Jeremy Leven e Jan Sardi. Baseado na obra de Nicholas Sparks. Com Ryan Gosling, Rachel McAdams, James Garner, Gena Rowlands, Sam Shepard, Joan Allen, James Marsden. Estados Unidos. 2004.

Registro sincero e comovente de um amor tão profundo que consegue superar muitas barreiras - e a mais grave delas é capaz de emocionar até o coração mais duro (não preciso dizer que a ótima química entre os atores é fundamental para o êxito). Filme para se assistir com um lenço do lado e se deixar levar pela belíssima história de amor.

Huckabees - A Vida é uma Comédia (I Huckabees)

Escrito e dirigido por David O. Russell. Com Jason Schwartzman, Dustin Hoffman, Lily Tomlin, Naomi Watts, Isabelle Huppert, Mark Wahlberg, Jude Law. Estados Unidos, Alemanha. 2004.

Um filme com um roteiro tão complexo que pode ser desprezado por muitos. Para aqueles que decidem embarcar nas viagens transcedentalistas de Russell, o resultado é uma obra que investiga os problemas existencialistas de seus personagens de forma sempre interessante e criativa, optando pelo filosófico caminho dos questionamentos e fugindo da superficialidade e mesmice das comédias americanas. Eu Huckabees.

_____________________________

Tá, faltou justiça. Os últimos quatro filmes valiam, sim, um post. O Operário vale pela atuação do Christian Bale, Kill Bill todo mundo já viu (desculpe pela rima ridícula). Diário de uma Paixão é um filme de Amor com A Maiúsculo e Huckabees... Huckabees é maravilhoso. Assisti duas vezes e se puder, assistirei muitas outras.

Mas como o tempo é o senhor da razão, antes fazer um post com comentários vagabundos do que acabar esquecendo algum filme. Férias é assim mesmo. É só a Poli começar (toc toc toc) que o IMHO volta a sua rotina de poucas atualizações.


Com esse gerador automático de novelas, não é preciso ser um Manoel Carlos para emplacar um sucesso na novela das oito. Como América anda sofrível, aqui vai um pouco de diversão:

Helena, a estúpida - Cena 332

I love you for sentimental reasons como trilha incidental. Helena e Joana estão sentadas na mesa de um bistrot, o local fica no Calçadão, como a vista denuncia. Um garçom traz dois copos de Vodka para as mulheres. Helena sorri agradecida e conversa com Joana .

Helena:

- O filtro solar em gel resseca menos a pele do que um adstringente

Joana:

- É verdade... Não sei porque tem gente que se preocupa com violência, com tráfico e com pobreza. O que você falou e beber Vodka são muito mais importantes.

Helena:

- E não é? Sabe que isso me lembra aquela viagem que eu fiz para Paris? Foi quando eu conheci o Vitor e resolvi me anular como ser-humano.

Joana:

- Mas você fez a coisa certa! Tem que ser assim mesmo. Casar com um homem rico, abrir uma clínica de estética e não se esquecer de toda semana passar por um botox.

Helena dá uma risada muito fina e discreta. Lá fora Fernandinho Beira Mar aponta uma espingarda para um pedestre. Geral no Calçadão. Sobe I love you for sentimental reasons.


Helena, a desavisada - Cena 574

Fly me to the moon como trilha incidental. Helena e Vitor estão andando de mãos dadas na calçada. Câmera desfoca no Leblon que aparece ao fundo, mas ainda é possível identificar o local. Os dois resolvem se sentar num banco pichado pelo Comando Vermelho.

Vitor:

- Você viu o que os noticiários andam inventando? violência, tráfico e pobreza. Quem eles acham que enganam?.

Helena:

- Ah, eu é que não caio nessa. Atualmente eu só acredito em um botox

Vitor:

- De fato. E se possível em Paris, bebendo Vodka... Hahaha!

Helena:

- Como diria Cacilda: a humanidade precisa de paz! Aliás, você soube que ela casou com o Fernandinho Beira Mar?

Vitor:

- E quem não soube? Mulher de sorte está aí. Agora tem até segurança com uma espingarda na porta de casa!

Helena:

A gente podia marcar de ir amanhã para um restaurante com eles... O que você acha?
Vitor:

Por mim tudo bem, porque eu já sou rico. Mas você não tem trabalho?
Helena:

E você acha que eu me preocupo com uma clínica de estética? Pega o celular e liga para eles...


Vitor tira o celular do bolso. Câmera agora foca no Leblon. Sobe Fly me to the moon.



Helena, a lobotomizada - Cena 987

Autumn Leaves como trilha incidental. Helena está fazendo cooper em Ipanema quando acidentalmente se encontra com Fernanda. Na mesma hora ela pára e olha com ódio para a rival. O embate é inevitável.

Helena:

- Vagabunda! Você ainda tem coragem de morar aqui no Rio depois que foi pêga cantando o Vitor num um café barato?

Fernanda:

- Alto lá! Ele é quem estava me cantando. Aliás, até me convidou pra ir pra Paris com ele. Isso depois que me disse que a humanidade precisa de paz...

Helena (aos prantos):

- Mentira! Agora só falta você inventar que existe violência, tráfico, pobreza e Fernandinho Beira Mar no Rio. Pensa que eu sou boba?

Fernanda:

- Que mentira? Mentira é o seu casamento. O pobre do Vitor precisa encher a cara de Vodka para te agüentar.

Helena (aos prantos):

- Escuta aqui: eu não investi em uma clínica de estética, em um botox e em toda espécie de futilidade para perder meu homem para você. Você acha que é fácil ser protagonista do Manoel Carlos?

Helena tira uma espingarda do meio do decote que generosamente mostra seu novo implante de silicone e aponta a arma para Fernanda. Ao fundo, sol se põe em Ipanema. Sobe Autumn Leaves.

Finalmente, finalmente... depois de dois anos de espera, eis que finalmente foi lançado



Harry Potter and The Half-Blood Prince

J. K. Rowling
Bloomsbury. 1a. Edição. Inglaterra. 2005.

J. K. Rowling tem a sorte de ter criado um público extremamente fiel. Tão fiel que não agüenta esperar seis meses pela tradução de seus livros. Eu, como muitos outros, fiz questão de ler a edição original de seu sexto livro. Como uma autora conseguiu cativar tantos fãs a ponto de criar um fenômeno literário? A ponto de que as vendas desse novo livro superasse a arrecadaçao da bilheteria dos filmes mais populares do momento (e isso é algo MUITO raro)?

A resposta, pelo menos para mim, parece óbvia. Harry Potter é o que eu costumo classificar como meu favorito passatempo escapista. Através da riquíssima imaginação da sua autora, é possível fugir do mundo "muggle" (trouxa) e viajar para um lugar muito mais interessante que a nossa realidade. E, assim, a cada novo volume, seus leitores podem deixar essa vida e partir para Hogwarts, onde viverão com seus amigos e farão as coisas mais inusitadas e surpreendentes. Se algum tipo de magia existe, definitivamente é o que J. K. Rowling (ou Jo, como agora prefere ser chamada) faz.

Harry Potter despensa apresentações. Então vamos partir para o principal: o sexto livro. O começo é, no mínimo estranho, visto que são dois capítulos sem o personagem principal, numa mudança de perspectiva semelhante ao primeiro capítulo do quarto volume, Harry Potter e o Cálice de Fogo. O jovem mago está inserido num contexto de dúvidas e incertezas, em que o o Lord das Trevas age como um terrorista (e qualquer semelhança com a pós-modernidade não é mera coincidência, já assume o primeiro capítulo da trama).

Tomando cuidado para não revelar nada de importante, seria injusto dizer que somente neste sexto livro, percebemos que a autora não escreveu nada dos outros livros por acaso. No entanto, isso fica perfeitamente claro, à medida que todas as peças do quebra-cabeça mágico começam a se encaixar e percebemos que, na eterna luta do Bem contra o Mal, Harry Potter, um jovem corajoso, mas não muito poderoso, precisa encontrar um meio para derrotar Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, de forma convicente. Rowling, finalmente, introduz um caminho mais que lógico para ajudar o menino mago, ainda que elimine um possível elemento "conveniente" da trama (e já estou abrindo a minha boca mais do que devia).

Mesmo com toda a carga dramática pousada nos ombros de Harry que, a luz de suas preocupações, finalmente torna-se mais aplicado em seus estudos, o sexto ano de Hogwarts ainda é um prato cheio para os romances. Rowling, mais uma vez, sabendo que seus leitores cresceram junto com os livros, finalmente "apimenta", por assim dizer, a história, pelo menos para os rígidos moldes britânicos.


A simpática (e mais rica que a Rainha da Inglaterra) J. K. Rowling

É preciso notar que Rowling também não se entrega a um caminho fácil. Sua série de sete livros, tão proclamada, chega a um ápice neste sexto livro; um momento em que as esperanças parecem minadas e a atsmofera final não é outra senão a de incerteza. Rowling antecipa as expectativas para o último volume da série através das muitas incógnitas deixadas ao fim deste sexto livro (ainda que responda algumas questões e explicite detalhes aparentemente inpertinentes, dos outros volumes). Rowling, experiente, prefere sugerir, não afirmar. Assim, a principal questão deste livro é o caráter dúbio do personagen que acompanha o título, o Príncipe Mestiço (Half-Blood Prince), que somente será esclarecida no próximo e já tão aguardado sétimo volume. Pelo visto, será mais uma espera angustiante pelo fim da saga do Garoto-Que-Sobreviveu.

Precisa em suas descrições, detalhista porém objetiva, Rowling mais uma vez segue sua receita mágica, que inclui a mudança de suas próprias regras. Afunda num lado mais sombrio dos personagens, inclusive do próprio Harry Potter e cria, ao fim, um retrato triste e amargo, característico da Guerra que o mundo mágico mais uma vez enfrenta dentro de sua mitologia. Uma grande espera que, certamente valeu a pena: Harry Potter and The Half-Blood Prince é mais um magnífico exemplo de que a literatura infanto-juvenil, pelo menos por enquanto, está bem servida.

Um post rápido. Dos mesmos criadores de South Park:



Team America: Detonando o Mundo (Team America: World Police)

Dirigido por Trey Parker. Escrito por Parker e Matt Stone. Com as vozes de Matt Stone,Trey Parker, Kristen Miller, Daran Norris, Maurice LaMarche. Estados Unidos. 2004.

E, para quem gosta de South Park, Team America é um prato cheio para as famosas "dirty words". Tudo bem, as músicas não funcionam tão bem quanto o longa metragem dos garotos redondo, mas a imaginação dos roteiristas Trey Parker e Matt Stone é sempre capaz de surpeender até mesmo aqueles que, levados pelo fato que ambos são republicanos, utilizariam seu filme para defender o governo do famigerado George W. Bush.

O filme começa introduzindo o "Team America", um esquadrão de elite, especializado em detonar terroristas (e tudo o mais). A cena inicial é impagável: o "time" destrói o Louvre e a Torre Eiffel e ainda comemoram. É a partir dessas críticas (ou melhor, "sátira") ao governo americano, Parker e Stone afirmam que os americanos devem rever suas prioridades, como líderes mundiais, a fim de querer estabelecer a paz mundial, tudo isso numa embalagem comicamente divertida. Até mesmo o plano inicial do filme é revelador: um titereiro maneja a marionete; então a câmera expande e eis que todos (títeres) estão em Paris. O uso muito apropriado das camadas faz com que não devamos enxergar Team America como um amontoado de clichês, mas como uma visão, um pouco distorcida, mais indubitavelmente crítica e ácida da sociedade que habita o mundo pós-contemporâneo.


The Bad Guy - o imperador da Coréia do Norte

Algumas referências dignas de nota: a cena do sexo, do vômito (escatologia pura) e o discurso final, prática clichê que consta de tantos adeptos (acabei de assistir a Legalmente Loira 2, que não foge à regra), ganha uma versão "apimentada". Team America é o tipo de filme irrealizável com atores de verdade, até porque dependia das referências de atores como Susan Sarandon e Tim Robins, que são críticos do atual governo e que se tornam "armas" do vilão, o governante da Coréia do Norte, Kim Jong Il. Obviamente, o longa não funcionaria caso a utilização dos bonecos fosse feita de maneira aleatória, o que, felizmente, não aconteceu: o expressionismo dos personagens é uma proeza da técnica, um trabalho que, rapidamente, torna-se natural e crível pelo espectador.

Se Team America não consegue superar as sandices de South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes, pelo menos temos a certeza que a dupla Park/Stones conseguiu mais uma vez surpreender seu público anti-republicano, fazendo um filme engraçado e que evita cair num dilema político sem lugar no humor dos roteiristas.

Nesse momento, lembrarei de alguns cômicos minutos, no qual pude assisti à "obra" entitulada:


Quarteto Fantástico (Fantastic Four)

Dirigido por Tim Story. Escrito por Michael France, Mark Frost e Simon Kinberg (não creditado). Com Ioan Gruffudd, Jessica Alba, Chris Evans, Michael Chiklis, Julian McMahon, Kerry Washington, Laurie Holden, Hamish Linklater. Estados Unidos. 2005.

O que fazer quando um filme é tão artificial que sua imagem é incapaz de retratar alguma coisa e a mediocridade acompanha cada quadro, cada fala, cada situação? A resposta é óbvia, se não é possível chorar (e eu sou terminantemente contra levantar no meio da projeção e sair da sala), só nos resta a rir. Sendo assim, Quarteto Fantástico tem tantas qualidades quanto Mulher Gato.

Nada soa convincente nessa adaptação dos quadrinhos. A história inicia-se com dois cientistas, Reed Richards (Ioan Gruffudd) e Ben Grimm (Michael Chiklis) que pedem apoio financeiro ao maléfico milionário Victor Von Doom (Julian McMahon), cuja assistente é a gostosa cientista Sue Storm (Jessica Alba). Richards, que está falido, convence Von Doom a financiar uma viagem ao espaço, para estudar a enigmática nuvem de poeira que se aproxima da Terra, a fim de poder compreender a molécula de DNA (risadas). Juntamente com o irmão de Sue, Johnny (Chris Evans), os cinco vão para o espaço (apenas os cinco, que não passaram por nenhum treinamento!) e, em contato com a poeira, ganham superpoderes. Desses, Von Doom, que já tinha o infeliz hábito de proferir risadas malignas, vai para o lado negro da força (literalmente), ao passo que os quatro... bem, eles se tornam o Quarteto Fantástico.

Tim Story oscila, naturalmente, entre o drama e o riso. As situações dramáticas são desprezíveis, uma vez que constituem uma série de clichês que acabam por afastar o espectador pensante da esfera cinematográfica exibida. As tentativas de criar uma densidade psicológica nos personagens, apesar de uma boa iniciativa, mostram-se todas falhas. Afinal, o mínimo que se pode esperar de um personagem como o Coisa é que ele enfrente o preconceito das pessoas, e sofra com isso. O que Tim Story parece não ter percebido é que as situações criadas por ele variam da obviedade ao lugar-comum. O sentimento de compaixão pode ser obtido de diversas formas, menos as que ele escolheu, simplesmente por se tornarem ridículas. Cenas como a do Coisa sendo desprezado pela mulher, o Coisa assustando as pessoas pelas ruas, o Coisa quebrando um banco e as pessoas rindo não causam compaixão, tão somente porque falta habilidade em criar uma imagem genuína a ponto de não questionarmos as reações de terceiros com tal personagem, mas a relação entre o roteiro e a cena construída. Essa inversão de valores torna engraçadas tais cenas sentimentalóides. Felizmente, o espectador pode se sentir aliviado, pois não é por sua culpa ou maldade e sim, pela incompetência dos idealizadores.

O Coisa não é um elemento isolado na trama. O envolvimento amoroso entre Sue e Reed também beira o ridículo. Repare que o cientista é tão indeciso a ponto de irritar; mas eis que Sue encontra um álbum de fotos numa gaveta a e passa a relembrar os momentos em que eles eram apaixonados... Ora, isso é mais que suficiente para a deslumbrante e invisível cientista volte a gostar do falido e idiota homem elástico que, inclusive, engana o espectador pois, apesar de falido, consegue construir um aparato tecnológico capaz de simular a nuvem de poeira capaz de alterar a molécula de DNA. Mas então... para que a viagem no espaço? Tentar procurar alguma lógica dentro do roteiro mostra-se uma tarefa dispensável.

Por favor, digam que a HQ é melhror que o filme

Se pelo menos Tim Story fizesse uma direção enérgica e fluente, ao menos poderíamos esquecer todas as bizarrices do texto e concentrar nas cenas de ação (algo que aconteceu no divertido Sr. e Sra. Smith). Infelizmente, nem isso ajuda. O diretor faz cortes malucos, posiciona mal sua câmera (vide o close dado no óculos escuro de Johnny) e não é cuidadoso nem ao menos no que era de se esperar, os efeitos especiais. Numa das cenas iniciais, por exemplo, ele focaliza sua câmera no braço esticado do Sr. Fantástico, impossível de convencer alguém. Por outro lado, ele às vezes consegue levar ao riso algumas vezes (sempre pela figura do Johnny Storm), mesmo que tente à exaustão.

Se o diretor não consegue estabelecer um mínimo de sentido em sua narrativa, não é competente em seus cortes de ação, nem em criar momentos dotados de alguma densidade dramática, não podemos esperar que saiba conduzir de alguma forma seus atores. Por isso, todas as caracterizações soem artificiais. Honrosas exceções vão para Chris Evans que convence por sua simpatia ao encarnar o imaturo Johnny Storm (o único que parece animado com os poderes, como se aquilo não fosse algo natural) e Michael Chiklis, como o Coisa, que se beneficia da excelente maquiagem, apesar de ser prejudicado pelas situações infames que seu personagem é submetido. Enquanto isso, Ioan Gruffudd assume um personagem erroneamente pusilânime e Jessica Alba encarna a cientista gostosa sem personalidade. É com grande infelicidade que ambos protagonizam as cenas mais constrangedoras do filme já que, em nenhum momento, o "amor" dos dois soa natural, mas uma imposição do roteiro.

Quarteto Fantástico pode até ser descrito como um filme descompromissado com as premiações, que não se leva a sério e seu único intuito seria mesmo divertir. Caso o único objetivo seja mesmo divertir, seria melhor que Tim Story fizesse uma compilação das videocassetadas (seria mais barato e menos trabalhoso). Mesmo assim, ainda devemos considerar que, se o momento mais engraçado ao longo das 106 minutos de projeção foi quando Reed falou, sério, que tinha de ir ao espaço "estudar o DNA", pelo menos o Quarteto Fantástico foi, não-intencionalmente e somente neste quesito, bem sucedido.

Hoje foi um dia triste, pois eu terminei de ler o estupendo sexto livro da série Harry Potter, o qual devo tecer algum comentário em breve. Mas antes, vem dois filmes do mestre do terror. No próximo post, um terror de filme.

Festim Diabólico (Rope)

Dirigido por Alfred Hitchcock. Escrito por Patrick Hamilton (peça) e Hume Cronyn (adaptação). Com James Stewart, John Dall, Farley Granger, Cedric Hardwicke, Constance Collier, Joan Chandler, Edith Evanson, Douglas Dick. Estados Unidos. 1948.

A famosa excelência da direção de Hitchcock é corroborada nessa pequena obra de arte feita em tempo real. A história já é fantástica. Dois jovens resolvem matar um colega, por acreditarem na superioridade de seus seres e, logo em seguida, fazem uma festa para celebrar tal ato, com as presenças da família e da noiva do óbito. Hitchcock filma o assassinato experimental e o desenrolar dos acontecimentos de forma natural, à medida que conecta o mundo do espectador com o de seus personagens, submetendo-os ao julgamento moral realizado ao fim. Brilhante.



Os Pássaros (The Birds)

Dirigido por Alfred Hitchcock. Escrito por Daphne Du Maurier e Evan Hunter. Com Tippi Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzanne Pleshette, Veronica Cartwright, Charles McGraw, Ethel Griffies, Ruth McDevitt, Malcolm Atterbury, Lonny Chapman. Estados Unidos. 1963.

Os Pássaros, de uma comédia româmtica inicial, torna-se um horripilante filme de horror. Como um filme de humor, perde-se uma parcela de cérebro, embora a atsmofera construída por Hitchcok seja genuinamente assustadora. Pelo menos não tenta explicar o inexplicável, coisa que sempre admiro nos filmes.

_____________________________________

Nenhum deles, no entanto, foi tão horripilante quanto O Quarteto Fantástico (a bomba das férias). Até mais, pessoal.

Aqui estão as prometidas fotos da Dogada de "despedida" de São Paulo. Se nós não tivéssemos esquecido de tirar fotos durante boa parte do evento, com certeza o resultado seria melhor. A seqüência final de fotos (com as mesmas pesoas em lugares aleatórios) foi feita para compensar esse lapso. Obrigado a todos que foram na dogada (espero que ninguém tenha passado mal no dia seguinte).

Enquanto os homens trabalham, as "rainhas" Melina e Denise esperam a comida

Reparem na Kalynka ao celular

Malkovich, Deneuve, Pappas e Sandrelli divertem-se num cruzeiro peloo Mediterrâneo. E eu me divirto no ócio baiano.

Pois é, aqui estou eu na querida cidade de Itabuna, no interior da Bahia, após uma tranquila viagem num avião tão antigo que tinha direito a botões a la Star Wars, e com direito a um lanche que se aproximava de um X-Greve (pão com mortadela).

A Bahia dá preguiça. Hoje mesmo minha rotina foi a seguinte: acordei às onze, toquei piano, comi, dormi, toquei piano, comi, toquei piano, fui ao shopping center (o que eu chamo de sociedade itabunense - basta ir ao shopping para encontrar toda a sociedade), depois toquei piano e comi novamente. Agora estou a escrever este post. Se eu conseguir manter essa rotina pelas próximas semanas, conquistarei o objetivo dessas férias.

Mas, para não perder o costume, um dos melhores filmes lançados neste ano em terra brasileira:

Um Filme Falado

Dirigido e escrito por Manoel de Oliveira. Com Catherine Deneuve, John Malkovich, Irene Pappas, Stefania Sandrelli, Leonor Silveira e Filipa de Almeida. Portugal, França, Itália. 2003.



É irritante chegar até a metade de 2005 e descobrir que os três melhores filmes lançados neste ano são de, no mínimo, dois anos atrás (o belíssimo Herói é de 2002 e o chocante Old Boy é de 2003). Por outro lado, a redenção é obtida ao mostrar esses títulos, mesmo que tardiamente, nas nossas salas de cinema. Ainda tenho a esperança de poder assistir ao tão falado Sympathy for Mr. Vegeance do Chan Wook Park.

Agora voltemos ao tema. Existem filmes que tratam de uma realidade distinta, um universo com regras próprias. Há ainda aqueles que buscam a criação de uma visão muito próxima do real, daquilo que os sentidos humanos recebem do universo. Essa criação, por ser original, afasta-se de um documentário: é uma visão artística (não estou dizendo que um documentário não o seja, pois sempre o é), mas fantasiosa e ensaísta, sobre uma realidade que nunca existiu. Tenho em minha mente o filme Elefante de Gus Van Saint (talvez o melhor filme de 2004) e este filme de Manoel de Oliveira.

O diretor português imediatamente, aos primeiros segundos de seu filme, estabelece uma postura de fotógrafo daquilo que foi criado pelo homem. A sua criação (o seu filme) é um plano à parte da história de todos os homens e depende dela para sobreviver. Um tratado histórico? Oliveira transcende o factual, o concreto, atravessa o abstrato, o subjetivo cultural e chega ao monumento histórico da pós-modernidade que é justamente o que seu filme quer mostrar.

Ele tem o benefício de que o espectador nunca poderá imaginar para onde aquele cruzeiro marítimo vai. Ele inicia sua obra quase como um documentário da National Geographic, onde a professora de história Rosa Maria, encarnada por Leonor Silveira, apresenta o Mundo à sua filha Maria Joana (Filipa de Almeida), ao mesmo tempo que conhece a história pessoalmente. Daquele cruzeiro que sai de Portugal e percorre o Mar Mediterrâneo, define-se um mote que pode transmitir a sensação original de engodo - afinal, qual o propósito de aprisionar um corpo num filme, e fazer este corpo viajar o mundo com o intuito de mostrar alguns monumentos históricos?

Manoel de Oliveira não tem pressa para responder essa pergunta. Sua câmera posiciona-se na proa do navio, e em seguida, Rosa Maria e Maria Joana conhecem um grande monumento da história humana. A grandeza, ou opulência, dos ambientes mostrados, é o que existe de concreto - o resto, tal como a História, é o resultado das incertezas do ser humano. Assim, os mitos e as lendas são tão bem inseridos nos contextos apresentados, muitas vezes mais interessante do que a própria documentação. É bem lembrada a frase de Napoleão que do alto das pirâmides, teria bradado sua famosa citação. Neste momento, verifica-se que Oliveira conduz um cruzeiro com objetivo de retratar a história da humanidade de uma maneira que revela-se genial.


Essa genialidade pode ser digerida pelo espectador durante o banquete, à noite, quando Maria Joana e Rosa Maria, como espectadoras da História, presenciam (mesmo sem ouvir - afinal, somos nós que temos de ouvir) uma conversa reveladora. É na mesa do Comandante John Walesa que se sentam a empresária francesa Delphine (Catherine Deneuve), a modelo e atriz italiana Francesca (Stefania Sandrelli) e a cantora grega Helena (Irene Pappas). Há, neste momento, uma evidente ruptura. As ruínas, os templos, a concretização da história é abandonada, para um monumento não palpável, mas igualmente importante. Toda essa abstração é remetida pela cultura das quatro pessoas, que conversam em sua própria língua (inglês, francês, italiano e grego) e compreendem-se milagrosamente (como num filme). Nesse momento, Oliveira nos brinda com discursos fascinantes, que variam da ausência da família (de filhos, da continuidade da própria história pessoal) à tecnologia dos tempos modernos e a supremacia do Ocidente, da língua inglesa (com o rancor da língua grega, representada por Irene Pappas). Conversa de gente culta e interessante, em que os assuntos vão variando com absoluta naturalidade, abordando conceitos políticos e filosóficos. Nota-se que os quatro sentados à mesa, enquanto o navio, por enquanto, nunca deixa de avançar (um navio que transita entre a história do mundo), discorrem sobre, principalmente, manifestações da cultura, sintetizada por Oliveira como o grande monumento humano, algo tão singelo que, não é a toa, é muito mais interessante, pelo menos cinematograficamente, que a visão de um Pathernon.

É então que o filme falado conecta-se à realidade contemporânea. O "destino" do cruzeiro é surpreendente, sim. Melhor dizendo, é chocante. E, com a visão atordoada de um John Malkovich, a imagem pausada em seu rosto, encaramos a manifestação histórica mais marcante dos últimos anos. O retrato escolhido por Manoel de Oliveira não poderia ser mais adequado, ainda que tudo soe muito esquemático e absurdo (é essa a palavra que define tal evento). É com tal visão, indubitavelmente pessimista, que instala-se o apocalipse de Um Filme Falado. Estou falando de um cinema onde as camadas da história são várias vezes sobrepostas, com um resultado capaz de gerar uma intensa reflexão sobre os rumos da humanidade.

Ao longo de 96 minutos, é possível que Manoel de Oliveira, em seu filme, não tenha sentido a necessidade de mexer com os sentimentos de seu público (e essa seria a grande falha de seu filme). Felizmente, isso é corrigido com maestria nos últimos minutos de seu filme. O diretor garante, através do choque, o importante exercício da reflexão, tão necessária para apreciar sua obra e todo o seu requinte artístico. Oliveira prova que o Cinema é tão bem composto somente de idéias que o uso da ação pode ser totalmente dispensável - sem prejuízo algum. Um Filme Falado não é obra para ser sentida, mas para ser pensada. E isso é, sem dúvida, sua maior qualidade.

Alemão é ou não é o idioma mais bizarro do mundo?
_________________________________________

Triste é ir pro ponto de ônibus, ficar 40 minutos em pé num frio de nove graus, pegar busão lotado e ele quebrar no meio do caminho, chegar na USP, descobrir que tirei 5 na P2 de Contabilidade só porque eu não colei (e a sala toda colou), depois ir até o CCE para imprimir um documento e saber que a impressora acabara de quebrar, e ainda por cima receber email do professor da IC relatando sobre sua agenda apertada (ou seja, no hamburger para mim). Conclusão: uma bosta de manhã.

_________________________________________

Em tempo: ontem assisti ao melhor Filme Falado do ano (depois, depois...). E hoje assisti a uma coisa muito esquisita chamada Pássaros do Riticóqui (mas Festim Diabólico é maravilhoso) (depois, depois...) além do melhor filme lançado na terra brasilis neste 2005: óbvio que é Herói.

Amanhã ou o dia que tempo tiver, escreverei sobre todos eles.

É com muita alegria que eu comunico: PASSEI!
Férias pra que te quero.

Existem filmes predestinados a serem péssimos. Todo mundo mais ou menos sabe quando isso acontece. Você chega na locadora, olha para a capa do filme (a foto abaixo - reparem na cara de sapeca da suposta mocinha), depois lê o título (o infame A Agenda Secreta do Meu Namorado), olha a atriz principal do filme (Brittany Murphy - indicada ao Framboesa de Ouro por seu papel em Recém-Casados), percebe que o diretor é um zé-ninguém desconhecido... Vê que ele está na sessão de comédia-romântica (um prato cheio para bombas). Decididamente, o filme que você está vendo deve ser uma porcaria. Se você se guia pelo Rotten Tomatoes, como eu, para completar, nem isso ajuda: seu tomatômetro está em 20%, o que praticamente oficializa todas as más expectativas. Ainda assim, corri o risco de assistir a esse filme. Resultado:



A Agenda Secreta do Meu Namorado (Little Black Book)

Dirigido por Nick Hurran. Escrito por Melissa Carter e Elisa Bell. Com Brittany Murphy, Ron Livingston, Kathy Bates, Holly Hunter, Sharon Lawrence, Josie Maran, Jason Antoon, Rick Overton. Estados Unidos, 2004.

Começando com uma citação de Shakespeare, o inteligente roteiro de Carter e Bell já introduz uma comparação com Alice de Lewis Carroll: "Pergunta: como uma garota que cai, não, na verdade pula com os olhos bem aberto, num buraco de coelho, para dentro do caos, sai sem nenhuma mudança? Resposta: não sai". A partir daí, conhecemos a garota Stacy (Murphy), desde sua infância, o que faz compreender melhor seu personagem: sua relação com a mãe, sua adoração pela Dianne Sawyer e seus relacionamentos frustrados. Eis que ela conhece Derek (Ron Livingston), que ela acredita ser o amor de sua vida, e arranja um trabalho no programa de TV "Kippie Kann Do!", uma espécie de Programa da Márcia ainda mais bizarro. Um dos programas mostrados por exemplo, chamava-se "Minha Avó é uma Prostituta - Encare Isso".

Curioso que essa comédia-dramática pouco tem de romance, uma vez que o namorado da Stacy encontra-se ausente boa parte da projeção. A garota, após assistir um programa da Kippie com uma modelo que sofria de bulimia, descobre que ela já fora namorada de Derek. Como o rapaz não discutia relacionamentos anteriores com ela, e aliada a uma pequena desconfiança, Stacy resolve investigar os antigos affairs do seu namorado, ajudada pela amiga Barb, vivida com o carisma habitual da excelente Holly Hunter.

O diretor Nick Hurran é habilidoso na construção de um contexto que nunca soa falso, uma vez que, aos poucos, é estabelecida a dinâmica da produção do programa. Ao exibir um detalhismo invejável na concepção de suas imagens, Hurran cria um ambiente realista, imprescindível. Ao mesmo tempo, confere um ótimo timing às suas piadas: a consulta a uma podologista é impagável. Óbvio que seu elenco ajuda na tarefa de fazer um bom filme: Holly Hunter é sempre maravihosa e Kathy Bates, mesmo num papel pequeno, tem uma presença inegável.

Mas o show mesmo é da Brittany Murphy. Ela me chamou a atenção por sua simpatia no ótimo Grande Menina, Pequena Mulher. Com a ajuda de um roteiro que evita os clichês do gênero, a reflexão feita por Stacy no terceiro ato da trama, por sinal, é extasiante. É "a" cena em que o espectador, se prestou atenção no filme, percebe que, de bobinho e superficial, ele não tem nada.

Contando com a ótima trilha sonora repleta de sucessos de Carly Simon (e obrigado por conhecer essa maravilhosa cantora), A Agenda Secreta do Meu Namorado é um filme divertido, moralmente complexo e, por isso, dotado de uma inteligência insuspeita. Enfim, nem sempre se deve confiar nos preconceitos cinematográficos.


Guerra dos Mundos (War of the Worlds)

Dirigido por Steven Spielberg. Escrito por Josh Friedman e David Koepp. Baseado no livro de H. G. Wells. Com Tom Cruise, Miranda Otto, Dakota Fanning, Tim Robbins, Justin Chatwin. Estados Unidos, 2005.

Guerra dos Mundos cheira blockbuster. Filme feito para entreter, como bem sabe seu criador Spielberg, carrega imagens repletas de tensão, aliado ao impecável uso dos efeitos especiais, para conduzir uma guerra entre mundos da qual não se quer (ou não é possível) explicar.

Após ouvirmos a voz inconfundível de Morgan Freeman numa belíssima tomada de expansão, somos apresentados a Ray Ferrier (Tom Cruise), um carregador de contâiners (o melhor, segundo o chefe - porque uma massagem de egos ao ator deve ser importante, mesmo que seu papel seja de um zé-ninguém) que recebe da ex-mulher a guarda dos filhos, enquanto ela e seu marido viajariam para Boston. Imediatamente percebemos que Spielberg situará seu filme acompanhando Ray e seus dois filhos, numa invasão alienígena. O que poderia ser uma decisão inteligente acabou se tornando um acumulado de clichês, em que até o final feliz obrigatório da filmografia spielberguiana faz-se presente, sem nenhuma surpresa.

Não que Guerra dos Mundos não tenha seus bons momentos. Indícios de paranóia pós-11 de setembro foi incluída no texto por duas vezes, durante os ataques. Ademais, a cena em que Ray e seus filhos são arrancados do carro em que viajam é desesperadoramente cruel e verídica, como era de se esperar da humanidade. Spielberg comprova a excelência de sua direção em muitas cenas, em que a tensão e a crueldade caminham lado a lado, num limiar prestes a se romper sempre que aparece um dos assustadores Tripods. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer do roteiro elaborado por Friedman e Koepp. A própria premissa estabelecida pelo narrador (a suposta ingeligência superior dos alienígenas) é seriamente comprometida ao fim da projeção, um problema digno de Sinais. A inclusão do sentimento patriótico americano personificado pelo filho de Ray, Robbie (Justin Chatwin) soa mais como uma ncessária inclusão de momentos de sentimentalismo barato. Igualmente incômodo é a explicação para o surgimento dos Tripods. Se o objetivo do filme é situar um ser humano num evento gigantesco, o roteiro peca pela forma com que inclui desnecessariamente a informação de que "os Tripods estavam enterrados há muitos anos", como única forma de explicar o inexplicável.

Mas não sejamos hipócritas: se Spielberg foge da profundidade de temas e cria um road-movie de guerra, ele assim o faz pois sabe que conseguirá muitos milhões de dólares de bilheteria. Para tanto, convocou Tom Cruise como um adicional marketeiro, o que não significa que tenha sido uma má escolha. Muito pelo contrário, o ator assume seu papel de herói familiar com competência. A pequena Dakota Fanning também se redime do ridículo O Amigo Oculto e oferece uma atuação primorosa (mais uma vez provando que é a melhor, senão a única, de sua geração).

Por fim, se a Guerra mostrada foi um fiasco, para ambas as partes, o filme só não o é realmente pela boa direção de Spielberg. Espero que da próxima vez, ele procure um roteiro a altura.

Apesar dos pesares, deu uma vontade de ler o livro...




© 2006 IMHO | Blogger Templates by GeckoandFly.
Nenhma parte do conteúdo desse blog pode ser reproduzido sem prévio consentimento do autor.