IMHO

Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães


Dia de dois arrasa-quarteirões: Batman Begins e a estréia da semana, Guerra dos Mundos.
Ao Morcego primeiro:


Batman Begins

Dirigido por Christopher Nolan. Escrito por Nolan e David S. Goyer. Com Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Cillian Murphy, Tom Wilkinson, Rutger Hauer, Ken Watanabe, Morgan Freeman, Lucy Russell, Sara Stewart. Estados Unidos. 2005.

O surgimento do mito foi abandonado nos quatro últimos filmes das série, dirigidos por Tim Burton e Joel Schumacher. Talvez esses diretores não perceberam que é muito mais interessante evidenciar o processo de criação do símbolo do que ostentá-lo, coisa que fizeram em seus filmes (inclusive no primeiro Batman). Essa lacuna, finalmente, foi preenchida pelo competente Christopher Nolan, diretor do excepcional Memento (recuso-me utilizar o título brasileiro).

Impossível não perceber que o resgate do mito criado pelas histórias em quadrinhos é uma tendência extremamente bem sucedida. Os ótimos Homem-Aranha de Sam Raimi e Hulk de Ang Lee evidenciam que a construção da personalidade de um herói, focado em seu próprio âmago, é uma fonte interminável de inspiração aos mais diversos estilos de direção (cada uma adequada ao perfil do herói, diga-se de passagem). Seguindo esta tendência, Batman ganha um novo início e se aproxima do espectador, ao se tornar uma figura possível de se compreender.

É por isso que friso a competência da construção do mito. Através de cortes inteligentes entre a infância, adolescência e treinamento em artes marciais, o personagem é apresentado através de seus medos, do fato que mudou a sua vida (a morte dos pais), sua rebeldia, visão inócua, posterior correção, "busca de si mesmo". Humanizar um personagem em busca da justiça/vingança como Bruce Wayne é uma escolha que se mostra mais que adequada. Pois tudo se torna justificável, mas não a ponto de o roteiro soar esquemático. É justo e razoável que a escolha do morcego não seja aleatória, mas que haja uma alegoria convincente por trás dela. Não questionando o mérito das histórias em quadrinho, que não conheço, posso dizer que, como filme, tal alegoria foi magistralmente elaborada.

Bruce Wayne é um homem atormentado pela memória da morte de seus pais, por um assaltante da grande metrópole chamada Gotham City. Em sua jornada de autoconhecimento, descobre que, acima do dualidade do bem contra o mal, existe o interesse próprio e o status quo que impulsiona a violência para satisfazer suas próprias necessidades. Percebemos imediatamente que se trata de um homem rico, de uma família rica, contra um miserável e o poder de sua violência. A família Wayne, caracterizada pela ação filantrópica em tempos de depressão econômica, encontra a tragédia nas mãos da escória da sociedade. Seria fácil confundir a mente do jovem Bruce com uma luta de classes, com o repúdio ao pobre. Contudo, sua luta não é contra os pobres assaltantes, contra os excluídos, mas sim quem é o responsável pela criminalidade, pela corrupção da cidade. Gotham é uma cidade praticamente perdida, sendo que a figura do Batman surge não só como um justiceiro, mas como uma esperança para todos. Triste que filmes como esse assumem uma nulidade da ação social como poder recuperativo da parcela excluída da sociedade. Pelo menos na realidade em questão, por hipótese, o sistema é bruto o suficente para não permitir ações tão nobres, o que justifica o temor e a eficácia do herói.

Situado neste contexto, Nolan filma uma cidade que se aproxima das grandes metrópoles da atualidade. É gratificante analisar que, numa obra onde poderia reinar a conveniência do maniqueísmo (e isso já fora largamente utilizado principalmente nos filmes do Schumacher), os vilões perdem em importância mas ganham em transparência, por agirem não segundo uma maldade injustificável, mas segundo seus próprios interesses ou convicções. Enquanto isso, a própria figura do Batman torna-se mais palpável e interessante, Ele veste pelo menos duas camadas de máscaras: a do playboy milionário ao solitário justiceiro, sendo que nenhuma destas é sua persona verdadeira - esta, esconde-se em algum lugar incompatível com a sociedade em que vive. Afirmar que tal sociedade é injusta nem mesmo é factível, uma vez que o filme deixa claro que é impossível determinar quem é o detentor da justiça: não há ninguém tão corruptível ou tão imparcial que seja dono de uma verdade, nem mesmo o Batman. Assim, sua missão consiste em fazer aquilo que sua vivência determina que é certo, uma reflexão extremamente oposta ao perigo do maniqueísmo.

Todas essas questões são habilmente elaboradas por Nolan em sua estrutura narrativa ao conferir o tom adequado de perigo. Seu cenário é de um realismo estilizado, nada mais adequado para um filme que contém uma leitura da violência das grandes metrópoles urbanas dos tempos hodiernos. Enquanto isso, Batman e os que o circundam tornam-se vivos graças à competência da composição dos personagens. Bruce Wayne é vivido por Christian Bale, que já havia feito um trabalho excpecional, porém antagônico em Psicopata Americano (um estudo da violência cuja temática, é radicalmente oposta ao presente filme). O elenco de coadjuvantes é um desfile à parte, com Michael Caine como o enérgico e sábio Alfred, Morgan Freeman e sua simpatia característica, Gary Oldman fantástico como o sensato Gordon, além das boas presenças de Liam Neeson e Katie Holmes. Totalmente desnecessário é falar sobre os aspectos técnicos. As cenas de luta são bem elaboradas (embora os cortes rápidos atrapalhem um pouco), felizmente, evitando-se o uso de bonecos digitais. Até mesmo no único momento que o convencionalismo reina (uma cena de perseguição de carros), o simbolismo prevalece - afinal, estamos presenciando o esplendor do novo Batmóvel (que sabiamente, nunca é chamado por tal alcunha, tampouco a Batcaverna).

Apesar de não conhecer o material original, ouvi dizer que esta foi a mais fiel adaptação do conteúdo das histórias em quadrinhos. Nolan poderia se limitar à excelência da adaptação, mas vai além: como não aplaudir a explicação do surgimento de vilões tão caricatos como o Curinga ou o Pingüim? Batman Begins é um belíssimo começo para um mito: espero também que seja o início de uma série de grandes filmes.

Após uma semana excessivamente exaustiva, profundamente estressante, desgastante e com um final surpreendentemente ruim, aqui estou eu mais uma vez, numa atitudade escapista, comentando as coisas que eu andei vendo.


Não adianta vir com guaraná pra mim

Chocolate (Chocolat)

Dirigido por Lasse Hallström. Escrito por Robert Nelson Jacobs. Com Juliette Binoche, Judi Dench, Johnny Depp, Alfred Molina, Lena Olin, Carrie-Anne Moss, Peter Stormare, Leslie Caron, Hugh O'Conor, John Wood. Inglaterra, Estados Unidos. 2000.

O diretor Lasse Hallström é mestre em fazer filmes superficiais, com o intuito gratuito de causar comoção. Assim foi com Chegadas e Partidas, assim foi com Chocolate. Este é sobre uma Mary Poppins dos chocolates, que muda a vida de uma cidadezinha do interior da França (curioso que o filme é falado em inglês), em que os habitantes são tão clichês quanto é possível. Temos o prefeito malvado, a mãe que oprime o filho, a vovó meio chata, mas que é muito legal... enfim, tudo contribui um pouco para o maniqueísmo da trama, que às vezes é confusa, implausível (repare na mudança de comportamento da personagem da Anne-Carrie Moss, inexplicável e incabível), mas sempre nos deixa com um sorriso no canto da boca, pelos momentos bonitinhos que nós vemos. Sentimentalismo barato é ruim? Não sei. O fato é que, mesmo com todos esses problemas, Chocolate é tão delicioso quanto as receitas de Vianne Rocher, interpretada pela maravilhosa Juliette Binoche. Interessante é notar que, de um elenco fantástico, composto por Alfred Molina, Judi Dench e Johnny Depp (todos ótimos), as atenções voltam-se para Lena Olin (a mulher do diretor), única atriz cujo personagem que transita pela narrativa de forma sincera. Belíssima fotografia, trilha sonora, direção de arte, etc. Filminho água com açúcar, leite e cacau.


Queen Bee and Wannabes

Meninas Malvadas (Mean Girls)

Dirigido por Mark Waters. Escrito por Tina Fey. Com Lindsay Lohan, Rachel McAdams, Tina Fey, Amanda Seyfried, Lacey Chabert, Lizzy Caplan, Tim Meadows, Daniel Franzese, Amy Poehler, Ana Gasteyer, Neil Flynn, Jonathan Bennett. Estados Unidos. 2004.

Esse filme é uma grata surpresa - é uma felicidade encontrar criatividade num cenário tão massacrado por produções medíocres como o ambiente colegial americano. A inteligência de Meninas Malvadas é satirizar os clichês e evitar o maniqueísmo. Um estudo mais completo já fora feito em Dogville, mas o roteiro da Tina Fey do Saturday Night Lives deixa claro que ninguém é bonzinho o tempo todo, e a personagem vivida pela simpática Lindsay Lohan percorre um arco narrativo compreensível e repleto de reviravoltas. O elenco é fantástico, Lindsay Lohan é perfeita, Rachel McAdams como a abelha-rainha patricinha é esperta e má. Lacey Chabert como Gretchen faz uma cena espetacular, com uma metáfora irresistivelmente engraçada da história romana. Lizzy Caplan como a rebelde Janis rouba todas as cenas. Enfim, casting "awesome". Apeesar de um final conveniente, em que todo mundo se dá bem, o filme do diretor Mark Waters é dono de excelente timing cômico, boas piadas e até mesmo, um insuspeito exercício de reflexão.


44?

Passagem Azul (Lanse da men)

Dirigido e escrito por Chin-yen Yee. Com Bo-Lin Chen, Lun-Mei Guey, Shu-Hui Liang, Joanna Chou, Ming-Gin Cheng. Taiwan, França. 2002.

O filme é focado em Meng Kerou, uma adolescente chinesa sonhadora, que passa pelas terríveis incertezas da juventude. A beleza desse filme consiste no tratamento singelo das emoções vividas por Meng Kerou sem apelar ao sentimentalismo barato. Um filme sincero, simples e simpático, com uma trilha muito bonita, incluindo a música Accidently Kelly Street do Frente! e atuações carismáticas dos estreantes Bo-lin Chen e Lun-mei Guey. Adoro cinema oriental.

A um nível de 5% de significância, posso afirmar que minhas férias serão mais curtas.
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Deprê.



A música do filme-mais-lindo-do-mundo:

Miss Celie's Blues
Quincy Jones

Sister,
you've been on my mind
Sister, we're two of a kind

So sister,
I'm keepin' my eyes on you
I betcha think
I don't know nothin'
But singin' the blues
Oh sister, have I got news for you
I'm somethin'
I hope you think
that you're somethin' too
Oh, Scufflin',
I been up that lonesome road
And I seen a lot of suns goin' down
Oh, but trust me
No low life's gonna run me around

So let me tell you somethin' sister
Remember your name
No twister,
gonna steal your stuff away
My sister
Sho' ain't got a whole lot of time
So shake your shimmy,
Sister
'Cause honey this 'shug
is feelin' fine

Sábado. Dez horas da manhã. Ana Rosa. Irmãos. Tios. Espera. Carro do MC. Piadas e possibilidades sobre bundalelê. São Bernardo. Riacho Grande. Balsa. Represa. Estrada de Terra. Plantas vermelhas. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Um Clio vai devagar. Perdidos? Quase. Sítio do Ivan. Bucólico. Represa de perto. Arame farpado. Vista bonita. Churrasco. Galinhada. Tarde de diversão. Siths. Leitura cômica. Montagem. Segredo. (...) Elevação.

Noite Maravilhosa. Retorno. Um Clio deveria ir devagar. Comboio? Uma Ova! Menos um pneu. Estresse. Oração. Humor negro. Pneu trocado. Um Clio vai devagar. Balsa. Riacho Grande. São Bernardo. São Paulo. Mc Donald's. McNífico. Casa. Duas horas da madrugada.

Balancete à Credicard:
Gasolina - no idea
Pneu novo - 400 reais
Lanche no Mc Donald's - 49 reais
1o. parágrafo - não tem preço.

(em tempo: o idiota aqui esqueceu de levar a câmera digital dele. Portanto o post ficou sem ilustração.)



A Casa de Cera (House of Wax)

Dirigido por Jaume Collet-Sera. Escrito por Chad Hayes e Carey W. Hayes. Com Elisha Cuthbert, Chad Michael Murray, Paris Hilton, Brian Van Holt, Jared Padalecki, Jon Abrahams, Robert Ri'chard. Estados Unidos, Austrália. 2005.

O gênero terror, indubitavelmente, é o que está mais suscetível a críticas negativas e a produções ruins. Isso é explicado simplesmente porque filmes deste gênero não levam o espectador a questionamentos complexos, não objetiva fazer críticas políticas ou sociais, ou tudo aquilo que é de costume considerar importante. Filme de terror tem como finalidade primordial a desprezível arte de assustar, na maioria das vezes através daquilo que a sociedade ocidental tem mais medo: a morte. Portanto, considero um bom filme de terror (e, por conseguinte, um bom filme) aquele que assuste através da criação de uma atsmofera de genuíno medo, que tenha mortes bem elaboradas e não-gratuitas.

As produções de terror não costumam ser apreciadas, tão somente porque, para muitos, é totalmente desnecessário sentir medo. Eu encaro como uma injeção de adrenalina. Confesso que me divirto com este tipo de filme, encolho-me na cadeira, me assusto, etc. No entanto, o uso desenfreado de clichês desse gênero por parte de diretores preguiçosos que não se dão ao trabalhao de inventar novas formas de assustar fez com que o gênero terror perdesse seu prestígio ao longo dos últimos anos, em que a predominância do chamado "terror adolescente" culminou com o fim das boas idéias - enfim, a mesmicetem reinado absoluta.

Assim, quando uma produção comercial que se aventura pelo horror apresenta algo de novo, tem de ser destacada. A Casa de Cera, então, torna-se conspícua ao utilizar uma imagem estranhamente superior à mediocridades como o novo O Massacre da Serra Elétrica.

Não que A Casa de Cera seja revolucionário, inovador. O diretor estreante Jaume Collet-Serra não se contém no uso desenfreado de clichês: da irritante burrice da personagem principal até o uso abusivo da trilha sonora, passando por personagens que surgem misterioasamente atrás de outro, com o intuito único de gerar um sustinho gratuito, todos estes e muitos outros estão contidos nesta obra. É preciso, no entanto, separar clichê de paradigma. Dos seis adolescentes que surgem ao início, é de se esperar que a maioria deles morra no transcorrer do filme, assim como assistindo a um musical, espera-se ouvir músicas com direito a danças ridículas. É óbvio que apenas os personagens principais sobreviverão e que os amigos deles irão para o além. Dito isso, resta especular a ordem da matança e a qualidade da mesma.


Adivinhe quem vai morrer?

Curiosamente, A Casa de Cera surpreende nestes aspectos: basta dizer que o negro não é o primeiro a morrer (agradeçam a Todo Mundo em Pânico por isso - e, por favor, não sou eu o preconceituoso). Digna de nota é a coragem em filmar violentamente a transformação de um dos personagens num boneco de cera, o que é mostrado explicitamente na tela. É desesperadora a cena que um personagem encontra seu amigo ainda vivo transformado no tal boneco e, para ajudá-lo arranca sua pele até perceber que não está, de fato, ajudando em nada. Infelizmente, Collet-Serra não obtém o mesmo resultado nas demais seqüências mortíferas. Além desta, memorável é apenas a "passagem" da personagem interpretada por Paris Hilton.

(Por favor, não me condenem por ter dito isso. Afinal, muitos têm pagado o ingresso só para ver a socialite morrer de forma extremamente violenta, o que não é surpresa nenhuma - afinal, no filme, ela é a amiga da personagem principal. Que isso sirva, então, de estímulo para ver o filme)

Paciente, Collet-Serra passa boa parte da primeira hora nos apresentando seus personagens e suas relações, o que é bom. Ruim é a caracterização dos mesmos, que carregam os estereótipos de sempre: a heroína Carly vivida por Elisha Cuthbert é tão burra quanto possível, do tipo que pede pra morrer a cada cena; seu irmão gêmeo Nick, interpretado por Chad Michael Murray faz o gênero revoltadinho (pelo menos não irrita tanto quanto Carly). Enquanto Chad está correto como Nick, Elisha não convence nas cenas supostamente dramáticas, quando a garota vê o cadáver de seus amigos. A imagem afunda-se à medida que os personagens são tão vivos para o espectador quanto as estátuas de cera o são para os personagens do filme. É uma pena que o processo de seleção dos atores deste parece ser baseado apenas nos atributos físicos dos mesmos. Adequada e eficaz, portanto, está Paris Hilton no papel da amiga que transa. Paris desempenha muito bem o seu papel, visto que possui experiência (seu filme de maior sucesso é o vídeo pornô caseiro 1 Night in Paris). Ainda assim, a hoteleira é dona de um dos momentos de maior sensatez, pois quando sua amiga burra Carly sente um cheiro ruim na mata, e decide investigar, ela pergunta "Por quê?". Algo totalmente inusitado.


Paris Hilton, mais expressiva que um boneco de cera

Por outro lado, é impossível não admirar o belíssimo trabalho da direção de arte de Brian Edmonds e Nicholas McCallum, supervisionados pela produção de design de 'Grace' Walker. O museu de cera e a cidade em que o mesmo se encontra são cenários fabulosos, riquíssimos e extremamente bem trabalhados. Triste que Collet-Serra use uma iluminação ruim em diversos momentos, prejudicando um pouco o esplendoroso trabalho desses profissionais, pois acredita que a escuridão e o susto estão diretamente relacionados, o que foi provado pelo excelente Os Outros que não é verdade.

Contendo um interessante duelo de gêmeos, porém desprovido de significados externos, o roteiro dos também irmãos gêmeos, Chad e Carey Hayes, cujo currículo inclui Baywatch, é o grande responsável pelo excesso de clichês, pela pérola dos "cadáveres mecânicos", proferida pela mocinha, e por uma "revelação final" que soa como embromação. Ainda assim, A Casa de Cera acaba tendo seus muitos tropeços aliviados por momentos de grandeza, permeado pela produção visual incomum, fazendo com que este filme tenha uma posição de destaque frente às outras tantas que já trabalharam com o mesmo esquema de terror que visa à eliminação de jovens fúteis pelas mãos de um ser doentio. Não que isso signifique muita coisa.

Aqui vai um link muito legal que minha amiga Priscila Tanaami passou (valeu, Pri!). Digamos que quem é fã de Star Wars vai gostar... e de alimentos orgânicos também. É praticamente o resultado de um fictício encontro entre George Lucas e Ruth Lemos. Destaques para Darth Tater, Chewbroccolis e Princess Lettuce.


Sr. e Sra. Smith (Mr. & Mrs. Smith)

Dirigido por Doug Liman. Escrito por Simon Kinberg. Com Brad Pitt, Angelina Jolie, Adam Brody, Vince Vaughn. Estados Unidos. 2005.

O que esperar de um filme com as pessoas mais sexies do mundo (segundo a revista People, é claro), numa comédia de ação com tiros, explosões e discussões matrimoniais? Certamente, no brain and all fun. Pois Sr. & Sra. Smith cumpre perfeitamente o seu papel: é extremamente divertido e bem realizado.

Dirigido por Doug Liman, do ótimo A Identidade Bourne, o filme conta a história do casal Smith, que leva uma vida dupla: o casamento é frio, distante (daí a necessidade da presença de um analista, que rende "depoimentos" hilários) é causado pela falta de sinceridade. Ambos são assassinos profissionais, cada um trabalhando para organizações diferentes, e rivais. O resultado é que, por obra do destino, são chamados para uma mesma missão e logo descobrem-se que estão de lados opostos e, por decisão superior, é preciso eliminar o cônjuge.

Conferindo um tom cômico o filme inteiro, Liman é responsável por nunca perder o ritmo: as cenas de ação são permeadas por diálogos afiados e surpreendentes do casal, que vai se conhecendo ao mesmo tempo em que enfrentam as situações mais mirabolantes, como uma perseguição de carros. Aliás, o mais interessante do longa é estabelecer as reações de ambos os personagens, à medida que vão conhecendo mais sobre o passado do outro (e, junto com eles, o espectador). Ao mesmo tempo, o "modus operandi" de cada um vai se revelando ao longo da trama, de forma a enriquecer a caracterização dos personagens. John Smith (Brad Pitt) é mais emotivo, impulsivo, enquanto a Jane Smith de Angelina Jolie é fria e calculista.

(Um parêntese para questionar o que está acontecendo com as legendas dos filmes. Em determinado momento, Brad Pitt fala "bitch" e sabe o que o tradutor colocou na legenda? "Maluca". Dá pra acreditar nisso? O que eles querem? Reduzir a faixa etária, mutilando o significado da obra? Para as pessoas que trabalham com cinema no Brasil e não tem profissionalismo suficiente a ponto de mutilar o filme cortando as ditas palavras "chulas": vão se foder)


Momentos de exposição desnecessária: minha parede "Angelina Jolie" ganha um novo adendo

Obviamente, um longa que depende tanto dos personagens principais não funcionaria se os atores que os interpretam não encaixassem em seus papéis. Felizmente, Brad Pitt e Angelina Jolie desempenham satisfatoriamente o casal Smith: de uma guerra de egos, até a "união faz a força", ambos demonstram uma química invejável. Surpreendente é o destaque para a Jane Smith e sua insuspeita (até para o marido), digamos, competência no trabalho - uma possível leitura da força feminina. O fato é que Angelina Jolie mostra mais uma vez que é a mulher mais bonita do mundo. Além disso, ela ainda atua; diferentemente dos péssimos Tomb Raider 2 - A Origem da Vida e Roubando Vidas, em que a atriz é de uma canastrice só, aqui ela é fria, sexy, mas demonstra sinais singelos de insegurança. Já Brad Pitt, como de costume, desempenha seu papel com segurança - além de ser dono dos momentos mais engraçados do filme.

Como uma boa comédia de ação, o longa tem momentos eletrizantes: a cena do tango é hilária, mas o grande destaque é o confronto do casal. Provavelmente nenhuma briga entre marido e mulher pode se comparar àquela do casal Smith. Mais uma vez, Liman acerta a mão, abrandando a violência que nunca chega a ser explícita, o que comprometeria o tom cômico de sua imagem, gerando assim uma indefinição indevida. É uma pena que o roteiro nos apresente um absurdo tão grande que devemos ignorá-lo para o bem de nosso funcionamento mental. É lógico que Liman não permite que nós raciocinemos profundamente em momento algum: seu filme é assumidamente ação, comédia e diversão.

Por fim, o Sr. e a Sra. Smith convidam o espectador para uma interessante discussão a respeito do matrimônio: afinal, o casamento de ambos só funcionou a partir do momento em que eles resolveram ser sinceros e agüentar as conseqüências. Ops, eu acho que me enganei quando havia dito no brain.



Você consegue ver esse monstro? Olhem bem para esse rosto horrendo, deformado. Não dá medo?

Pois bem, essa figura horrorosa estampa uma pasta de dente. Duvida? Sim, ela é a garota propaganda da Close Up.

Interessante ilusão de ótica que se forma ao focar na figura de cabeça para baixo, descobri isso com umas amigas que fazem Biologia, na fila do Bandejão da Física. Saudosos momentos, aqueles.

Se alguém ainda duvida, aqui vai a foto da pasta de dente:



Essas coisas não se aprendem com politécnicos.

EDITADO: Devido à grande dificuldade (normal) de ver o monstro, aqui vai uma dica:

A boca da mulher é o olho do monstro (o preto da boca corresponde à íris [?] do monstro). O olho da mulher é o buraco do nariz do monstro e a sombrancelha da mulher é a boca do monstro.

Não desistam!


Clint e Morgan - parceiros no boxe e no velho-oeste

Os Imperdoáveis (Unforgiven)

Dirigido por Clint Eastwood. Escrito por David Peoples. Com Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Frances Fisher. Estados Unidos, 1992.

Clintão dirige um western surpreendentemente não-convencional: o "mocinho" Clint, um assassino arrependido que, ao lado de seu fiel companheiro Morgan Freeman, decide aceitar o pedido de um grupo de prostitutas, que se mobilizam quando uma de suas companheiras tem o rosto retalhado. Questionamentos sobre o ato de matar, belíssima fotografia, e a força das atuações de Clint, Morgan, Richard Harris e Gene Hackman fazem de Os Imperdoáveis mais um dos clássicos do excelente "Clint depois de velho".

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♪ Chinês/Come somente uma vez por mês ♪

Amor à Flor da Pele (Fa yeung nin wa)

Dirigido e escrito por Wong Kar-Wai. Com Maggie Cheung, Tony Leung Chiu-Wai, Rebecca Pan, Lai Chen, Siu Ping-Lam. Hong Kong, França, Tailândia. 2000.

Amor á Flor da Pele tem muito em comum com herói: uma bela história de amor, atuações sensacionais de Maggie Cheung e Tony Leung e a maravilhosa, estonteante fotografia de Christopher Doyle. Preciso assistir novamente.

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"I see dead people"

Sessão Espírita (Kôrei)

Dirigido por Kiyoshi Kurosawa. Escrito por Kurosawa eTetsuya Onishi. História original de Mark McShane. Com Kôji Yakusho, Jun Fubuki, Tsuyoshi Kusanagi e Hikari Ishida. Japão, 2000.

Filme japonês feito para TV, exibido na sessão dupla Comodoro no Cinesesc em 1/5/6. Kurosawa, que não é parente do Akira, faz um terror diferente, com momentos especialmente cômicos. Foge dos clichês do gênero (nada de trilha sonora pra dar susto, nada de casas escuras), apesar de que o visual Sadako atrapalha um pouco. Insuspeita reflexão da consciência ao fim.



O Guia do Mochileiro da Galáxia (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy)

Dirigido por Garth Jennings. Escrito por Douglas Adams e Karey Kirkpatrick. Com Martin Freeman, Sam Rockwell, Mos Def, Alan Rickman, Zooey Deschanel, Bill Nighy, Warwick Davis, Anna Chancellor, John Malkovich, Stephen Fry (Voz do Guia), José Wilker (Voz do Guia no Brasil), Helen Mirren (Voz do Pensador Profundo). Estados Unidos, Inglaterra. 2005.

Aqui estou eu de volta. Depois de muitas risadas e cantorias (a música "So long, and thanks for all the fish" não saia da minha cabeça até instantes atrás), posso dizer que o filme superou as expectativas. Sabia que seria bom, mas não tão bom.

Se o livro é dotado de criatividade incomum, o filme segue a mesmíssima linha, já começando de forma absolutamente maravilhosa (basta dizer que os amantes de musicais vão adorar).

A adaptação, apesar de não seguir rigidamente a estrutura do primeiro livro (como disse anteriormente, só li os dois primeiros, então não sei se foi aproveitado algum material dos outros livros), certos momentos são idênticos. Sim, até as palavras são as mesmas. Aliás, o material original já é suficientemente bom para intervenções cinematográficas desncessárias, o que, felizmente, não aconteceu aqui. A cena da "dinamite pangalátcia", ou da poesia Vogon, reflete bem o que eu disse. Em vários momentos, as palavras do guia são exatamente as mesmas do livro (cujos trechos tinha lido minutos antes), e isso é fantástico.

As animações do próprio Guia conferem um tom cartunesco inusitado e hilário. Até a própria decisão de escalar o José Wilker para fazer a voz do Guia no Brasil (mesmo nas versões legendadas) mostrou-se acertada: apesar de que prefiro o tom cômico de Stephen Fry que faz a voz do Guia na versão original, a narração em português ajuda os não fluentes na língua a prestarem maior atenção nas informações que o Guia apresenta.


Marvin - o Andróide Parnóide

O elenco (quase todo de desconhecidos) está afinado. Apesar de não gostar muito da apatia de Zooey Deschanel, no papel de Trillian, os demais dão conta do recado, em especial o ótimo Sam Rockwell, que faz o presidente Zaphod (ele me lembrou Kenneth Branagh em Harry Potter e a Câmara Secreta). No entanto, quem rouba mesmo a cena é o adorável Marvin (interpretado por Warwick "Flictkwick" Davis (voz de Alan "Snape" Rickman), com seu pessimismo constante. Interessante notar que O Guia ganhou uma produção técnica notável: a beleza de algumas cenas é surpreendente, fugindo o estilo B que o filme poderia ter ganho. Incrível também é a boa direção do cineasta estreante no cinema Garth Jennings (conta a lenda que Spike Jonze foi convidado para dirigir o longa, mas não aceitou e indicou Jennings), que tem uma noção boa de timing: até uma piada bem ao estilo pastelão consegue ser tão engraçada quanto os comentários sarcásticos de Marvin, ou a inusitabilidade de determinadas seqüências (uma em especial me fez rir descontroladamente - apesar de eu ser uma pessoa que se diverte facilmente com quase tudo. A cena em questão é uma das transformações da nave Coração de Ouro - quem ver o filme, saberá). Bom mesmo é saber que foi mantido respeito pela obra do DNA, que também é creditado como roteirista (é dele o tratamento inicial) e, mais que merecidamente, o filme lhe é dedicado (confesso que me emocionei ao ver seu rosto no fim).

O roteiro (bem como o livro) foge da superficialidade ao criticar a sociedade em que vivemos com o bom humor inglês; no filme, há leituras interessantes, como a problemática da burocracia nas repartições públicas, líderes religiosos manipuladores ou mesmo o questionamento dos questionamentos filosóficos (uma das genialidades de Douglas Adams). Toda essa bagagem, revestida por uma história interessante, personagens carismáticos e situações inusitadas, compensa um certo convencionalismo na condução da subtrama amorosa (apenas um pecadilho perdoável) e transforma O Guia numa experiência extremamente satisfatória.

Observação: querido(a) leitor(a), assista aos créditos. Além de ouvir outra versão de "So long...", o Guia preparou uma pequena surpresa...

Estou saindo daqui a pouco de casa (de toalha e tudo) para ir na estréia do filme O Guia do Mochileiro das Galáxias. No entanto, não poderia sair sem antes falar um pouquinho sobre o livro.



O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams

Sextante, 2a. Edição, 2004.
Tradução de The Hitchhiker's Guide to the Galaxy (1979).

O Guia é um livro que me pegou de surpresa. Na verdade, comprei ele e sua seqüência (O Restaurante do Fim do Universo, também lançado pela Editora Sextante), por ocasião do meu aniversário (já que ninguém tem me dado livros de presente, mesmo sendo eu um amante da leitura), que aconteceu aos vinte e sete dias do mês de fevereiro. Bem, isso não importa. Importante mesmo é que O Guia, talvez pouco lido, pouco conhecido, constitui uma leitura divertida e prazerosa, criativa e, porque não, descompromissadamente crítica da sociedade.

Trata-se da história de Arthur Dent, um inglês que terá sua casa demolida dentro de poucos instantes, em virtude da construção de uma rodovia. Seu amigo, Ford Prefect, no entanto, convence de sair de frente do trator, com um bom argumento: a Terra será destruída em emnos de 12 minutos. E mais: logo ele revela ser um extraterrestre, colaborador d'O Guia do Mochileiro das Galáxias, uma publicação pra lá de interessante (só lendo pra saber porquê). Eles então fogem da Terra e se metem em mil e uma aventuras pelo Universo à fora.

Pitadas de nonsense é o que não falta neste livro. A criatividade de Douglas Adams é, de fato, o que motiva a leitura: a cada página, encontramos um ser mais bizarro que o outro, como os piores poetas do Universo (que utilizam a poesia como instrumento de tortura), além de personagens adoráveis como Marvin, o Andróide Paranóide (maníaco-depressivo), Zaphod Beeblerox, o maloqueiro presidente da galáxia, e muitos outros. A liberdade criativa é tanta que o conceito de Gerador de Probabilidade Infinita é a melhor desculpa para o injustificável que eu já encontrei na vida.

Douglas Noel Adams, o querido DNA, estreou seu Guia na BBC-4. Sim, isso mesmo: talvez inspirado por George Orwell, com sua Guerra dos Mundos, o Guia era um programa de rádio que, rapidamente, gerou diversos fãs pelo mundo. Vítima de um ataque cardíaco fulminante, Adams foi-se embora em 2001, com apenas 49 anos.

Apesar de pouco descritiva, a prosa de Adams é fluida e dotada de humor inglês, sarcástico e sutil. O autor imprime em suas páginas um ritmo frenético, com reviravoltas constantes e, sempre inesperadas. Ao fim, a sensação de quero mais: felizmente, pude ir até o Restaurante do Fim do Universo
e saciar minha fome de leitura.

Aguardem mais tarde: O Guia do Mochileiro das Galáxias - O Filme.

Meu fabuloso destino, pelo menos essa semana, foi estudar muito. Muito, mas muito mesmo. Fazia tempo que não estudava tanto. Demonstrativo:

Terça-feira: Termodinâmica das 13:30 às 20:30 (na eEscola Politécnica)
Quarta-feira: Termodinâmica das 09:00 às 11; das 14 às 19:15 (na Escola Politécnica)
Quinta-feira: Termodinâmica das 09 às 12:30 (também na Escola Politécnica).

(Segunda-feira eu só não estudei porque dormi à tarde e fui ao dermatologista, que me retirou um cisto do rosto.)

A conclusão disso tudo: quando estou determinado a estudar (mesmo em virtude de forças maiores), eu estudo, desde que em ambiente propício (a Poli). Posso odiar mais ainda o ambiente politécnico, mas se produz resultados...

A verdade é que, por isso, nunca mais escrevi nada. Como hoje fiz prova da divertida disciplina citada acima, da qual dediquei boa parte da minha vida esta semana, estou livre! Então, tomei uma decisão: irei escrever muito hoje! Até encher o saco do leitor.

Isso porque, semana passada, que foi feriado, eu vi muitos filmes, ouvi muitos CDs e tudo isso não foi registrado. Alors, tirarei o atraso agora com o-filme-francês-mais-lindo-do-mundo:



O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain)

Dirigido por Jean-Pierre Jeunet. Cenario de Jeunet e Guillaume Laurant. Avec Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Lorella Cravotta, Claire Maurier, Isabelle Nanty, Dominique Pinon, Serge Merlin, Jamel Debbouze, Yolande Moreau, Urbain Cancellier. França, Alemanha. 2001.

Revi Amélie Poulain por dois motivos. Um: tinha comprado o DVD na promoção da Folha (não percam!). Dois: precisava ver um filme em francês para escrever uma redação do curso. Nessa ocasião, conversava com meu colega Alex, que disse que não tinha gostado do filme. Espantado, eu fiquei. Em sua humilde opinião, o filme não tinha história e era pseudo-intelectual, ao mostrar a personagem do título colocando sua mão num saco de grãos por exemplo.

Pois O Fabuloso Destino ... é um dos filmes mais bonitos que eu já vi. Lindo, lindo, lindo. C'est un film très jolie. Merveilleux. Basta dizer que não consegui segurar as lágrimas numa cena (que não era o final do filme! - abaixo o maniqueísmo) que a Amélie ajuda de forma totalmente inusitada um cego.

O filme conta a história de uma garota francesa chamada Amélie, que tem uma vida única, desde a infância. Um belo dia, ela encontra uma caixa cheia de objetos infantis, escondida em seu apartamento. Decidida a encontrar seu dono, ela descobre o poder do pseudo-altruísmo (eu não acredito em altruísmo. Mas o pseudo já é suficientemente maravilhoso). A partir daí, ela decide ajudar as pessoas ao seu redor.

A linguagem de Jeunet é cinematograficamente ambiciosa. O diretor corresponde-se diretamente com o espectador, ao projetar sua imagem visivelmente transformada da realidade. A fotografia, ligeiramente amarelada, produz uma Paris encantadora, mágica, como se a personagem imprimisse à realidade um tom de fantasia, ainda que não intangível. Para isso, em algums momentos vemos o que não existe, como quando a garota vê, na televisão, uma possível trajetória da sua vida, em paralelo à morte de Lady Di. Sua imagem identifica-se, portanto, com a imaginação de Amélie. Sempre criativa, em determinado momento ela pensa em duas possibilidades para o atraso de uma pessoa. A primeira é corriqueira, mas a segunda é espantosamente absurda, imaginativa ao extremo. E, assim, Amélie aproxima-se de nós, torna-se querida e admirada. O modo como é introduzido os personagens é fantástico: mostrando qu'est-ce qu' ils aiment, qu'est-ce qu'ils n'aiment pas e, assim, caracterizando-os de forma criativa e inovadora, a proximidade é instantânea.

Obviamente, uma personagem tão carismática quanto Mme. Poulain precisa de uma atuação à altura. Papel escrito originalmente para Emily Watson que, não quis sair da Inglaterra para gravar durante cinco meses na França, graças a uma desventura do destino a estreante Audrey Tatou foi agraciada pela personagem. A atriz imprime em sua personagem uma vivacidade, um encantamento com o mundo dignos de nota, através de sua expressão e jeito de menina. Simplesmente encantadora. Ademais, a trilha sonora é belíssima; o compositor Yann Tiersen cria belas melodias que contribuem para o traçado do arco narrativo fantasioso.

Com um ritmo frenético, boas idéias e exclente uso das câmeras, Jeunet e seu filme Fabuloso tem tantas qualidades que passaria grande parte de meu tempo relatando-as. Basta dizer que, se o verdadeiro significado da arte é criar algum tipo de emoção, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain já é uma obra-prima.





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