IMHO

Na humilde opinião de Vinícius Versiani Durães




Primeiro episódio de Rabbits, de David Lynch. Neste, Naomi Watts (Suzie), Laura Elena Harring (Jane) e Scott Coffey (Jack) estão vestidos de coelhos, numa sala escura e sombria. Um pequeno trecho (versão minha):

(Suzie passa roupas num canto. Jack e Jane estão sentados no sofá)
(música tenebrosa de Angelo Badalamenti)
JACK - Alguém ligou?
JANE - (...)
SUZIE - (...)
JANE - Que horas são?
(risadas enlatadas)
(volta música tenebrosa de Angelo Badalamenti)
JACK (...)
JANE (...)
(Jack se levanta)
JACK - Eu tenho um segredo.
SUZIE (...)
JANE (...)
SUZIE - Não houve nenhuma ligação hoje.
(mais risadas enlatadas)

David Lynch é ou não é genial?



Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)
★ ★ ★
Dirigido e escrito por Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com Ashton Kutcher, Melora Walters, Amy Smart, Elden Henson. William Lee Scott, John Patrick Amedori, Irene Gorovaia, Kevin Schmidt, Jesse James, Sarah Widdows, Jake Kaese, Cameron Bright. Estados Unidos. 2004.

"Mude uma coisa, mude tudo". Se tudo fosse tão fácil...

O filme começa com o pequeno Evan (John Patrick Amedori), que logo descobrimos se tratar de uma "criança" esquisita, cujo cérebro apresenta vários "brancos", momentos em que ele perde o controle ou não sabe o que está fazendo. Para completar, seu pai é (supostamente) doido - uma herança genética, talvez?. Após um evento particularmente traumático para sua vida e de seus amigos, sua mãe decide mudar de cidade. A partir daí, Evan cresce e se torna estudante de psicologia, na esperança de compreender o que está por trás de seus problemas mentais da infância.

A infância do garoto é o tema predominante na primeira hora de projeção, uma vez que, segundo os cineastas, é a responsável por todo o futuro de Evan. Logo descobrimos (assim como Ashton Kutcher) que o rapaz é capaz de viajar no tempo lendo seus diários de criança. E assim estão explicados seus "brancos" - eram os momentos em que o pequeno Evan era possuído por sua persona vinda do futuro. Uma boa história, não é? O filme conta com uma boa dinâmica ao voltar ao passado, bem exposto, e esclarecer os buracos da infância do garoto.

Assim, a grande virtude de Efeito Borboleta é também seu maior problema - o roteiro. Os roteiristas - que, aliás, foram bastante felizes em sua primeira empreitada, Premonição 2, que também brinca com mudar o destino, felizmente, exploram o máximo suas premissas - um exemplo é a cena em que Evan quer provar para um amigo que é capaz de voltar no tempo e acaba sendo interpretado como receptor das chagas de Cristo. Ao mesmo tempo, não gosto da simplicidade das soluções obtidas - tudo sempre é muito fácil, mas sempre algum personagem morre ou acontece alguma desgraça, deixando a trama um pouco repetitiva (a personagem X morreu? ah, então deixa eu voltar no tempo e mexer isso aqui que com certeza ela vai viver).

Ao mesmo tempo, as mudanças, por mais radicais, são bem retratadas pelos cineastas, em que o ponto dramático máximo é a sequência em que Evan recebe uma recompensa física nada agradável por seus esforços em consertar o passado. É uma pena, entretanto, que, apesar de esforçado, o ator Ashton Kutcher, em seu primeiro papel dramático, não esteja a altura (se bem que, como produtor executivo, o filme não sairia da gaveta sem sua intervenção). É claro que sua atuação não é ruim. É apenas picolé de chuchu (como é desprezível essa frase). Já a atriz Amy Smart se sai muito bem ao personificar as diversas Kayleigh, todas com bastante propriedade. Não posso deixar de citar também o elenco infantil, que é ótimo, demonstrando muita segurança ao participar de cenas com complexo conteúdo emocional.

Outros méritos de Efeito Borboleta é tratar de assuntos bastante espinhosos, como pedofilia ou abuso dos animais, demonstrando uma coragem insuspeita num mero filme de suspense. Pena que falta coragem para terminar bem a história. O engraçado é que no final do filme, um personagem dá uma explicação surpreendente para a história, mas que é rapidamente descartada - e, para piorar, os cineastas resolvem mudar as regras do jogo, criando uma solução alternativa para as viagens de Evan, de modo a criar um "final feliz" que acaba soando forçado.

Sempre interessante, apenas condeno algumas escolhas mal feitas, que certamente fariam deste Efeito Borboleta muito melhor. Não deixa de ser, entretanto, um bom filme, especilamente num ano ruim para o gênero suspense como 2004, que produziu pérolas como Na Companhia do Medo (ai!) e Roubando Vidas (ui!).
(visto chez moi, 22/03/05)

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Escrito ao som de Dee Dee Bridgewater - J'Ai Deux Amours * * * *. Promete essa cantora. E nunca ouvi um CD em francês tão bem arranjado.



A História Real (The Straight Story)
* * * *

Dirigido por David Lynch. Escrito por John Roach e Mary Sweeney. Com Richard Farnsworth e Sissy Spacek. França, Inglaterra, Estados Unidos. 1999.

Ôpa! Há algo de errado... David Lynch e... Disney? Como assim? Classificação Livre??? Não pode! Pois é, nosso querido surrealista David Lynch fez algo fora de seu feitio - uma história "do bem", bonita e, acima de tudo, extremamente correta.

Quando "seu" Alvin Straight deixa sua casa, mesmo com problemas nas costas, suspeita de diabetes, visão ruim e sem carteira de motorista, até parece que ele vai entrar numa Estrada Perdida da vida. Mas não. A história dele é tão real quanto o título em português, e tão inusitada, e tão pura, e tão pessoal. Atravessando um abismo de orgulho construído ao longo dos últimos anos, Alvin Straight decide sair da sua casa e atravessar 500 km de estrada atrás do irmão, que havia sofrido um derrame, e que há anos não via e conversava.


Alvin Straight - uma lição de moral numa história pura de coração... quem diria, David Lynch!

Sem carteira de motorista e sem ônibus para o destino, a solução encontrada por Alvin foi se locomover no pequeno trator que servia de cortador de grama, ao qual ele acoplou um pequeno vagão onde passava às noites, deixa suas coisas, etc. Deixando sua filha Rose, interpretada pela excelente Sissy Spacek, nossa eterna Carrietta White (por sinal, assistirei a'O Chamado 2 só por causa dela... e Naomi Watts, claro!), pra trás, A História Real logo assume ares de road movie... e dos melhores, por sinal.

Gosto particularmente do fim do filme, provando que a natureza dessa obra de Lynch é mesmo a viagem pessoal, a determinação e a superação de limites. Não posso deixar de citar também a trilha sonora, do sempre colaborador do Lynch, Angelo Badalamenti - sua mudança de estilo para se adaptar à beleza da película é uma surpresa muito agradável.

Contando com belos momentos reflexivos (não assista com sono!), A História Real mostra que a união de extremos improváveis pode produzir resultados muito interessantes. Não deixe de ver esse (e os outros) filmes de David Lynch, o mais surrealista dos diretores americanos, uma figura sempre interessante.
(visto chez L.M.M., 20/03/05)


Feliz Páscoa!!!

Ainda estou maravilhado pelo filme Herói, que acabei de assistir. Infelizmente, não irei falar sobre ele agora, mas sobre um filme também oriental, de muitas virtudes.

Sonhos (Yume)
* * * * *

Escrito e Dirigido por Akira Kurosawa. Fotografado por Takao Saitô e Masaharu Ueda. Com Akira Terao, Mitsuko Baisho, Mitsunori Isaki, Toshihiko Nakano, Yoshitaka Zushi, Hisashi Iagawa, Chishu Ryu, Martin Scorcese. Japão, Estados Unidos. 1990.



Filmes como Sonhos, de Akira Kurosawa, fogem da estrutura narrativa convencional e correm o risco de serem mal compreendidos pelo público ou crítica (se é que há algo para se compreender). E como distingüir se existe alguma coisa a ser compreendida? Uma questão complexa de ser respondida. Creio que um grande diretor nunca faz nada à toa (embora possa cometer erros, já que ninguém é humano), então talvez esse seja um bom indicativo.

O fato é que Sonhos, aparentemente difícil de ser tragado ou compreendido, talvez não deva ser analisado sob a ótica freudiana. Composto por oito segmentos, também sem aparente conexão, talvez o filme seja muito bem explicado pela seguinte tagline:
O passado, presente e futuro. Os pensamentos e imagens de um homem... para todos os homens. Os sonhos de um homem.. para todos os sonhadores.

Podemos pensar em Sonhos como sendo exclusivamente os de seu autor, Akira Kurosawa. De certa forma, tudo o que se passa vem da cabeça do grande mestre oriental. Mas, antes da importância dos significados, a grande virtude de Sonhos é a beleza de cada um deles. Belissimamente fotografado por dois colaboradores freqüentes de Akira Kurosawa, Takao Saitô e Masaharu Ueda, logo o primeiro sonho chama a atenção por uma imagem que em muito se aproxima da pintura (a imagem da poster postado logo acima). A partir daí, um show de imagens espetaculares toma conta da projeção, incluindo o monte Fuji em erupção, uma bela vila no meio do nada, e os quadros de Vicent Van Gogh que se materializam na visão do diretor. Aliás, como havia dito antes, acabei de assistir a Herói e me questino - até que ponto a beleza da fotografia oriental vai levar o cinema? A poesia transmitida em filmes como Sonhos, Herói e O Tigre e O Dragão está acima das palavras... Já ia esquecendo de citar a bela trilha de Shinichirô Ikebe.

É claro que beleza estética sem nenhum significado não quer dizer muita coisa. Aí que entram os significados dos sonhos. O diretor não quer nada de complexo (como no excelente e inigualável Cidade dos Sonhos, de David Lynch), mas sim, criar belas metáforas sobre o comportamento humano, como o medo e a repressão infantil (1º. sonho), a destruição da natureza, também sob a ótica pueril (2º. sonho), o desejo de se encontrar com o artista ídolo (5º. sonho), e por aí vai.

E a mensagem que fica, prova inconteste que a magnitude ornamental desse maravilhoso filme é inferior à beleza dos significados, está expressa no último sonho, quando realizamos que o filme vêm descrevendo a concretização da jornada de um homem que se transforma, desde pequeno, através da experiência, cresce e conhece as perigosas atitudes do próximo, e por fim, finaliza sua vida consciente que a morte não é motivo para tristeza, se a vida foi plenamente repleta de significados e realizações.

Albergue Espanhol (L'auberge Espagnole)
Escrito e dirigido por Cédric Klapisch. Com Romain Duris, Judith Godrèche, Audrey Tautou, Cécile De France, Kelly Reilly, Cristina Brondo, Fédérico D'Anna, Barnaby Metschurat, Christian Pagh, Kevin Bishop. França, Espanha. 2002.



O Albergue Espanhol do título é o correspondente brasileiro de república estudantil. Só que, naquele grande apartamento, cohabitam representantes da Espanha, França, Bélgica, Itália, Inglaterra, Alemanha e Dinamarca, onde têm que aprender a conviver com as diferenças culturais e linguísticas de cada um. Quem não queria morar num lugar assim?

O fio condutor da trama é o jovem francês Xavier (Romain Duris), que vai para a Espanha terminar seus estudos de Economia, e acaba indo morar no Albergue Espanhol. A partir daí o filme toma rumos sempre divertidos e realistas. Por exemplo, em cima do telefone, há uma explicação em cada um dos idiomas de como se deve atender o aparelho, o que gera sempre cenas engraçadas. Os idiomas também se subvertem - graças a uma falha de compreensão da inglesa Wendy (Kelly Reilly), a frase "I'm gonna fuck" toma dimensões, quem diria, educaionais. Assista o filme e verás.

O filme também torna-se bastante verossímil ao retratar o cotidiano dos estudantes, que aparecem sempre lendo, ou fazendo trabalhos ao computador - diferentemente de certas novelas da Globo (alguém se lembrou de Malhação?). Ademais, o ambiente familiar que a projeção toma e a evidente cumplicidade entre os moradores gera uma das seqüências mais interessantes do filme, quando todos os moradores tentam impedir uma "visita indesejada" para uma personagem.

Outro lado interessante do roteiro são as generalizações cometidas pelo irmão da Wendy, William (Kevin Bishop), que acaba se agregando ao albergue. Ele é daqueles tipos que dizem "Os espanhóis são sempre...", "Os franceses falam assim...", tão comum aqui mesmo no Brasil. Terminando por insultar o alemão da casa fazendo referências a Hitler, o filme deixa claro que o William não é mau, é apenas imaturo, como tantos outros.

Os atores são todos muito bons, em particular o ator principal, Romain Duris. A direção e o roteiro são assinados por Cédric Klapsich, que nunca demonstra estar perdido ou esquecer um de seus personagens. Uma cena em que, após uma noite de bebedeira, os estudantes cantam ao som do violão "No Woman, No Cry" é prova que sua direção competente sabe ilustrar os desígnios coerentes de seus personagens. Impossível não se identificar com a cena e com o filme em geral.

Fiquei muito contente em saber que, em breve, será lançada a continuação deste filme, entitulada Les Poupées Russes, que está em fase de pós-produção
. Ao final d'O Albergue Espanhol, o sentimento nostálgico é tão forte que é o desejo maior do telespectador é compartilhado com o protagonista Xavier - reencontrar seus amigos.


A bela Sala São Paulo - eu adoro esse lugar

Interrompo a maratona de filmes para relatar o concerto desta noite de 24 de março, na minha querida Sala São Paulo. Para início de conversa, o concerto estava sendo gravado pela TV Cultura e, por isso, a iluminação estava muito forte, ofuscante. Mas isso não constituiu nenhum problema grave.

Piotr Ilych Tchaikovsky - Capricho Italiano Op. 45
* * * *

O programa dessa quinta começou com o Capricho Italiano Op. 45, do compositor usso Piotr Tchaikovsky. O mestre dos balés é um dos meus compositores favoritos - sabe fazer melodias como ninguém. Sua Abertura 1812 está no topo das minhas músicas preferidas (eu até a reduzi para dois pianos, espero que um dia meu trabalho seja interpretado). Pois bem, esse Capricho Italiano é uma das peças mais populares e divertidas do compositor, que tem uma obra prá lá de taciturna. É uma música curta (15 minutos), alegre e descontraída, que celebra o calor da Itália, em contraste com a gélida Rússia, e evidencia os talentos de orquestrador de Tchaikosvky. Música para distrair e entreter.


O compositor Tchaikosvky - um dos meus favoritos

Esqueci de dizer que, como estava sentando no coro (meu lugar preferido, agora que o maestro reserva o camarote acima do palco para seus convidados), tive uma visão excelente da regência calorosa e perfeccionista do regente John Neschling. Para quem não sabe, o maestro foi o principal responsável pelo soerguimento da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (atualmente é o Diretor Artístico e Regente Titular da Osesp), é sobrinho-neto do compositor Arnold Schoenberg, um dos pilares do modernismo e criador do dodecafonismo, e compôs a trilha sonora da novela Esperança (nem tudo podia ser perfeito). É com uma profunda tristeza então que pude constatar um hábido extremamente desagradável - o maestro produz uns sons horrorosos durante a regência, algo que parecia um grunhido. Não consigo descrever. Não sei se as pessoas que estavam sentadas nos outros setores perceberam, mas já assisti a vários concertos do lugar onde estava (confesso, no entanto, que não me lembro de ter presenciado nenhum outro concerto do Neschling naquela posição) e, nenhuma das vezes eu vi um maestro emitindo ruídos daquele jeito. Para completar, ele mascava chiclete durante a apresentação. Estranho.

Johannes Brahms - Danças Húngaras:
nº 1, 3, 20 * * *
nº 4 * * * * *
nº 10 * * * *
Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Op. 73
* *



Muito bonita a barba do Brahms

Em seguida, veio a apresentação das Danças Húngaras. Peças originalmente escritas para dois pianos, conforme era a moda da época, apenas as Danças 1, 3 e 10 foram orquestradas pelo próprio Brahms. Peças igualmente curtas e divertidas, encontram maior ou menor expressividade com a alternância de andamentos lentos e rápidos. O destaque máximo foi para a Dança nº 4, que se extende um pouco mais que as outras e consegue desenvolver dois temas de forma bastante expressiva. Uma pena que a interpretação do maestro Neschling não ousou mais no escorregadio do tema intermediário (que faz lembrar comédias em desenho animado, de tão divertido).

Após veio um intervalo de 20 minutos, quando eu e a Denise Mayumi Cobayashi desfilmanos comentários ácidos acerca das inúmeras velhinhas freqüentadoras da Sala São Paulo, a orquestra veio interpretar a última parte da noite, a Sinfonia nº. 2 de Brahms. Como já disse, Brahms é bom nas peças para piano, sua praia. Suas investidas sinfônicas ou são vindas do próprio piano, como as Danças, ou não empolgam. Essa sinfonia de 45 minutos começa com um primeiro movimento Allegro mas non troppo que desenvolve um tema muito bonito duas ou três vezes, tem um ótimo uso de pizzicatto nos violoncelos mas não chega onde devia. É longo e chato. Não sou um grande apreciador de 2ºs. movimentos (no caso, um adagio mas non troppo), então pulemos para o 3º., um allegretto grazioso, quasi andantino. Aqui, a sinfonia recupera sua expressividade perdida no meio do primeiro movimento, através do uso de temas dançantes. Por fim, o 4º. movimento, um allegro com spirito adota uma estrutura de sonata, reunindo clareza e obscuridade romântica. No fim, a impressão de plasticidade; se não faltaram boas idéias, faltou a concretização das mesmas.

Lógico que, se eu fosse o diretor artístico, deixaria essa peça para o início e colocaria as Danças Húngaras para a 2a. parte, deixando o ótimo Capricho Italiano para o final. Assim, o público sairia com um belo sorriso no rosto, coisa que (quase) não aconteceu. Pelo menos, Neschling foi sensato e deu à platéia um belo bis que não faço idéia do que seja, mas tinha um espírito cigano inconfundível.

Obviamente não foi o melhor concerto que eu presenciei na Sala São Paulo. Mas, indubitavelmente, valeu o retorno. Espero visitá-la com mais freqüência este ano.

(se você acha essas introduções desnecessárias, babacas e quer ler apenas sobre os filmes que eu andei vendo, pule os três primeiros parágrafos)

Introduzo esse post com o retorno da discussão sobre prolixidade, que eu entitulei no post passasdo como Síndrome de Augusto Reynol (quem foi seu discípulo pode compreender). Há poucos minutos no ônibus, quando fui devolver 5 dos 6 filmes que aluguei nesse final de semana, pensei: Por que eu odeio as pequenas resenhas dos jornais? Por que eu nunca concordo com o número de estrelas que eles dão? E a resposta chegou: em poucas linhas, não se pode explicar porque gostou de um filme ou não. Ora, a 7a. arte reúne todas as outras (pena que não tenha a interatividade de um video game), e é sempre complexo escrever sobre os diversos aspectos de um filme. Talvez seja mais fácil falar sobre música, que no fundo se trata de identificar um som e gostar ou não.

O porquê dessa reflexão - eu aluguei seis filmes!!! Quero falar sobre todos eles. Isso sem falar na quantidade absurda de CDs que eu ouvi nos últimos tempos e nem sequer citei aqui no meu blog. O que eu quero dizer é: vem por aí uma quantidade absurda de posts.

Para facilitar a vida dos meus (cof, cof) leitores, vou colocar um ou dois filmes por post. Neste, vou falar sobre duas comédias. Aproveitem para comentar, quem assistiu a um dos filmes citados (ou não)..

Táxi (Taxi)
* * *

Dirigido por Tim Story. Escrito por Robert Ben Garant, Thomas Lennon, Jim Kouf e Luc Besson (tratamento inicial). Com Queen Latifah, Jimmy Fallon e Gisele Bündchen. Estados Unidos, França. 2004.



Queen Latifah mostrando para Jimmy Fallon quem é que manda - praticamente perfeita em todos os sentidos


O que esperar de um filme cuja vilã é a super model Gisele Bündchen, chefe de uma gangue brasileira, com suas amigas falando purtgueisss de Portugal? Absolutamente nada, exceto diversão. Partindo dessa premissa, Táxi cumpre bem o seu papel (se é que isso existe - papel de um filme). Afinal, o que você quer ao assistir a um filme como esse? Conversas filosóficas? Cenas dramáticas? Atuações emocionantes? Não, nada disso. Taí um filme cérebro 0, diversão 10. Muito foi falado da atuação da modelo brasileira, e eu digo que coube bem no papel de gostosona ladra.

Belle Williams, interpretada pela super carismática Queen Latifah, está para os motoristas assim como Mary Poppins está para as babás. As transformações do seu Taxi são demais, e o que dizer da surpreendente cena inicial? Ela é mesmo f*da. Jimmy Fallon cumpre bem seu papel cômico - e vê-lo cantando This Will Be da Natalie Cole enquanto dirige é um momento inspiradíssimo. Além disso, As cenas de perseguição são muito legais, os momentos de humor também e, por fim, o touché final é ótimo ("Xupa Gisele", pensam os espectadores). Assim, Táxi é aquele tipo de filme, entretenimento puro, que você assiste apenas com o tico e teco funcionando, e no final sai com um sorriso no rosto.


Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead)
* * * *
Dirigido por Edgar Wright. Escrito por Simon Pegg e Edgar Wright. Com Simon Pegg, Kate Ashfield, Nick Frost. Reino Unido. 2004.



Vendido erroneamente como uma paródia do também ótimo Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead), esse Todo Mundo Quase Morto está longe de depender de outro filme para funcionar - a sátira ao universo dos zumbis é suficiente. A frase que o define é significativa - "Uma Comédia Romântica. Com Zumbis."

Se o filme tem um problema, é a implausibilidade causada em certas cenas pela ausência de drama. Isso porque, como uma comédia de horror, alguns personagens morrem (mas sempre os mais odiados) sem que haja nenhuma comoção verdadeira pelo restante do elenco. Isso estabelece a diferença de abordagem deste para Madrugada dos Mortos. No entanto, a ausência de drama é compensada com cenas muito engraçadas - a cena em que os atores imitam zumbis, por exemplo, é absolutamente hilária.

A direção também é bastante ágil e inspirada - gosto particularmente da cena em que o personagem principal, Shaun, imagina-se resgatando sua mãe e sua amada, de três formas diferentes. Por fim, o grande sucesso do filme deve-se à excelente atuação do ator principal, Simon Pegg, que também é um dos roteiristas. Carismático e cínico, vai ganhando a confiança do espectador pouco a pouco ao demonstrar uma coragem insuspeita, porém coerente. Sobre os vilões - os zumbis são acertadamente inverossímeis - nós nunca temos medo deles (nem mesmo os personagens, pois as criaturas são mais lerdas que Dorival Caymmi).

Destarte, Todo Mundo Quase Morto é dotado de um humor inglês inteligente e ácido que me agrada bastante. Aposto que até os zumbis iriam se divertir a valer vendo esse filme.

Observação: O DVD tem um extra engraçadíssimo, que fala sobre os furos do roteiro. Vale a pena conferir.
(visto chez Leo Mazza, 20/03/05)



Primeiramente, percebo que me prendi numa armadilha digna de Augusto Reynol: não consigo mais fazer posts curtos. Por isso, ando protelando o momento de escrever sobre esse filme, que vi no longínquo sábado passado... Enfim, eis o momento de escrever (pouco) sobre ele:

Dirigido por Francis Lawrence. Escrito por Kevin Brodbin e Frank Cappello. Baseado na obra Hellblazer, de Jamie Delano e Garth Ennis. Com Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Gavin Rossdale, Tilda Swinton, Peter Stormare. Estados Unidos. 2005.

A primeira coisa que se tem a dizer sobre Constantine é que não é fiel a história original. Talvez isso seja um pecado para os amantes da série de quadrinho Hellblazer, em que o personagem John Constantine é um londrino de cabelos loiros e qualquer semelhança com Keanu Reeves é mera coincidência. Eu, por exemplo, boicotaria os filmes da série Harry Potter se Hogwarts se situasse nos Estados Unidos. Felizmente, nunca li nenhum dos quadrinhos, então, f*da-se esse parágrafo.

Sobre o personagem título: é cínico e vê o que não devia ver. O ator mais inexpressivo de Hollywood, curiosamente, cabe bem no papel. Reparem, no entanto, que a expressão de sua face quando descobre que tem câncer, quando um amigo morre ou após beijar o interesse amoroso é a mesma. Besteira. O filme não exige tanto de Keanu Reeves. É como em Matrix - quem está interessado na atuação do Neo quando sabe que ele faz coisas legais? Em Constantine, ele faz exorcismos, conversa com o anjo Gabriel, com o Satã, encontra demônios na rua...

Sobre o resto do elenco: inspiradíssima a escolha do casting. Destaque para a Tilda Swinton fazendo Gabriel e Peter Stormare no papel de Lu, numa composição exageradamente cômica, surpreendentemente acertada. Rachel Weisz sempre competente.

Sobre a direção: inspirada, ainda mais se tratatando de um principiante. Sim, esse é o primeiro filme de Francis Lawrence e, em sua estréia, ele acerta em cheio a mão, exceto por algumas cenas - logo no início, por exemplo, ele faz um enquadramento "Gollum" imperdoável, mas logo depois se redime com uma sequência brilhante. Faz bom uso dos efeitos especiais, que causam susto e espanto.

Sobre o roteiro: a trama é interessante e, sabiamente, não faz flashbacks desnecessários sobre o passado de John Constantine. E espero que não façam uma pré-continuação (ouvi dizer que até o maravilhoso O Tigre e O Dragão vai ganhar a sua...). Tá certo que no final, JC fica bonzinho, o que estraga um pouco da coerência do filme. Mas, êpa, os roteiristas também não tem muita vivência, cada um com três filmes nas costas, ainda têm muito o que aprender. Não é nenhum pecado mortal.

Divertido e, porque não dizer, inusitado, Constantine é um filme, como se diz? Ahn... legal. E já falei demais.
(Visto no Cinemark Santa Cruz, 12/02/05)

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Curiosamente, ao ver o filme, estava vestido identicamente ao personagem - adivinha por quê? As pessoas devem ter achado que eu era fã do Constantine...




O bom de Screamin' Jay Hawkins é que ele realmente grita. Cumpre o que promete.

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Uma das músicas que eu mais gosto - e isso não deve ser por acaso - chama-se Orange Colored Sky, de Nat King Cole. Aqui vai a letra:
I was walking along,
Minding my business
When out of an orange colored sky

Flash, bam, alakazam!
Wonderful you came by.

I was humming a tune
Drinking in sunshine
When out of that orange colored view

Wham, bam, alakazam!
I got a look at you

One look and I yelled timber
Watch out for flying glass

'Cause the ceiling fell in and the bottom fell out
I went into a spin
and I started to shout
I’ve been hit, this is it, this is it!

I was walking along
Minding my business
When love came and hit me in the eye

Flash, bam, alakazam!
Out of an orange, colored,
purple stripes
Pretty green polka dot sky
Flash, bam, alakazam!
Into that orange colored sky.




Em minha procura constante por versões dessa música maravilhosa, já achei duas gravações a capella, além da original de Nat King Cole e das redenções de sua filha Natalie, de Screamin' Jay Hawkins, Ray Gelato, Oscar Peterson, Lucia Beltrami (quem?) e uma ótima versão, acompanhada apenas de violão, de uma banda chamada Double Take (cujo lema é High Energy to High Society - We cover it all!). Se alguém conhecer outras versões dessa canção, por favor me informe o mais rapidamente possível.

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Quem diria, o jazz é simples! Não tem complicações. Dificilmente se encontra uma estrutura A B C D e combinações (o mais comum é A B A, como em Orange Colored Sky). Então, nesse caso, vou contar o segredo do meu sucesso (cof cof).

Quem me conhece, sabe que faço versões esdrúxulas de músicas infames - e que consigo extrair uma qualidade musical, digamos, superior a da fonte original. Como faço isso? Através de um método, muito pessoal, por sinal.

A primeira coisa é seleionar a melodia. É lógico que, por trás de uma música infame (costumo citar Baba Baby, A Nova Loira do Tchan e meu mais recente trabalho, Festa no Apê), existe uma melodia. O que acontece é que a letra e os arranjos dessas (cof, cof - alguém tem uma pastilha?) canções são tão deploráveis que, dificilmente, uma pessoa em seu juízo normal presta atenção. E aqui está a diferença do meu ser perante os demais. A estrutura A B A é constante nessas formas de expressão artística, tal qual grandes clássicos do jazz.

Para transformar as ditas músicas em obras de arte, standards jazzísticos ou sucessos da bossa nova, o próximo passo é enriquecer a harmonia. Como já disse, os arranjos são porcos. Então a inserção ou modificações dos acordes da base harmônica não é um trabalho dos mais difíceis. É preciso, contudo, vivência nos referidos estilos musicais que tanto aprecio, para criar uma atmosfera diferente do original.

Por fim, vem o elemento "adição", também conhecido como "criatividade partindo do zero". Isso porque as ditas músicas infames não são suficientes para criar um arranjo de qualidade. É preciso adicionar frases novas, arpejos, contrapontos; enfim, criar, vestir o velho com o novo. E assim, vou levando a vida com meus arranjos pianísticos.

Qual é meu ponto? Após todo esse processo de transformação, Baba Baby e Orange Colored Sky encontram-se no mesmo nível - aprecio ambas da mesma forma. O motivo é simples - da 9a. Sinfonia de Beethoven até Festa no Apê de Latino, todas as músicas tem um valor que nem todos reconhecem e que poucos conseguem perceber. Minha função, como músico, é mostrar, eivdenciar, extrair, exibir esse valor e, ao menos, tentar ser compreendido (e que um tomate não acerte a minha cabeça).

* Ou A Pior Novela que a Rede Globo já Fez em Toda Sua História.
(encarem o asterisco também como 1 (huma) estrela, o que significa muito ruim)

Normalmente não comento sobre coisas que não vejo, mas no caso até esse fato é patológico. As novelas das oito da Globo me interessam (não tenho vergonha de confessar) porque são divertidas, tratam de assuntos polêmicos e constituem um reflexo da sociedade brasileira, uma vez que mostra o que a população quer ver (dando asas para interessantes reflexões sociais). E essa aí que acabou na sexta da semana passada, é de uma ruindade tão descomunal que não conseguia assistir a nem um capítulo completo.

No caso de Senhora do Destino, devo citar um exemplo: certo dia, estava estampado num dos portais da vida: "Cena de sexo grupal seguido de fuga". Foi este tipo de pérola que atraiu centenas de milhares de espectadores. Não consigo entender como tantas pessoas assistiam a esse lixo.


Todos artistas coloridos são da Globo...

Considerada por muitos a novela mais trash da Rede Globo, até a personagem mais interessante, a vilã, prostituta por vocação - quiçá uma moderna Messalina? - Nazaré, vivida - muito bem, diga-se de passagem - por Renata Sorrah, empalidece-se diante da maravilhosa Laura Prudente da Costa, da novela anterior, Celebridades (que, apesar das idiossincrasias constantes de todas as novelas das 8, conseguia manter um texto bem mais interessante que a novela de Aguinaldo Silva). Sim, até a famosa "cena do tapa" entre Maria Chata... ops... Maria Clara Diniz e Laura foi copiada.

Para completar, ri bastante quando soube que, no final da novela, uma adolescente chamada Lady Daiane ganharia o Nobel da Paz no futuro (após o roteiro obrigá-la a ter dois filhos, numa tentativa extremamente mal-sucedida de expor um fundo social da importância do uso de preservativos). E o que dizer do enterro ridículo do prefeito Naldo? E o casamento da Do Carmo? Até o último momento, não se sabia com quem ela iria se casar. O próprio autor confessou que rodou dois finais para o tal casamento. Gente, fazer dois finais não é legal. É falta de preparação de roteiro - um personagem que é desenvolvido sem saber qual o seu final, para mim, é decepcionante. Infelizmente, Senhora do Destino falhou tanto no núcleo principal, que não era nem um pouco atrativo, como nos personagens secundários. O único que se salvou além de Naza, pelo que me consta, foi o Giovanni, que roubava todas as cenas graças ao carisma do ator José Wilker.

Espero sinceramente que a próxima novela, América, seja melhor. Pelo menos, podemos contar com o texto interessante de Glória Perez e a direção novelisticamente competente de Jayme Monjardim. E que este último concentre-se na produção de novelas e nunca mais faça uma Olga da vida.

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Ontem, fiz um bolo de chocolate que ficou muito bom (e aprovadíssimo pelos amigos Felipe Fagundes, Rafael Silva, Sarah Silva (não são primos) e Kalynka Nigg. Quem quiser a receita, está aqui.

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Estou deveras irritado. Não consegui comprar o ingresso para o Vivo Open Air da quarta-feira, quando seriam exibidos Kill Bill 1 e 2, do Tarantino. Esgotado. Já tenho uma idéia bem definida de quem zicou o evento, não é, senhor Leonardo Mazzariol? Mas prometo que, assim que sair o DVD do Kill Bill 2, terá sessão dupla aqui no meu apê.

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Hoje à noite, eu e a minha amiga Sarah iremos na APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas), onde planejamos implantar um Sistema de Informações. O curioso é que, se perguntarem para nós o que é um Sistema de Informações, a resposta sincera será: Não sei - mas até o final de junho pretendemos saber!

Dirigido por James Wan. Escrito James Wan e Leigh Whannell. Com Leigh Whannell, Cary Welves, Danny Glover. Estados Unidos, 2004.

Muita gente endeusou esse Jogos Mortais, chegando a compará-lo a Seven. Infelizmente está longe de chegar aos pés da obra-prima dos filmes de Serial Killer (ao lado de O Silêncio dos Inocentes). Ainda assim, foi com agradável surpresa que descobri que este foi um dos melhores filmes de suspense/horror que eu vi nos últimos tempos. Também, com "bombas" como Na Companhia do Medo e O Amigo Oculto, até que fazer um filme de suspense que os supere não é tarefa das mais complicadas.

Contando com um elenco de desconhecidos, cujo mais famoso é Danny Glover,o filme conta a história de um Serial Killer psicótico - de fato, a expressão talvez não possa ser empregada, uma vez que, segundo o filme, não é o assassino apelidado de Jigsaw que mata suas vítimas, e sim, elas próprias. Ainda assim, o fato de ele prendê-las num recinto por toda a eternidade, caso não cumpra suas tarefas doentias, me parece uma forma bastante razoável de matar alguém. Os jogos mortais a que se refere o título brasileiro são engenhosas criações assassinas, sendo que existe uma possibilidade de a vítima se safar - uma possibilidade muito remota, por assim dizer, que pode envolver a morte de outra pessoa.



Com uma história interessante como essa, o filme poderia render muito pano pra manga. No entanto, como o diretor/roteirista e seu co-roteirista são estreantes, cometem uma série de delitos, diminuindo o filme. Ao apresentar uma estrutura narrativa desordenada, o filme acaba quebrando o ritmo em alguns momentos, na esperança de confundir um pouco o espectador. Poderia se concentrar nos próprios jogos, que são o ponto alto da trama. Ainda assim, a atmosfera de tensão está presente em boa parte da trama.

Devo dizer que as atuações são sofríveis e nem um pouco convincentes, o que também reduz um pouco do impacto de algumas cenas. Por exemplo, há uma cena em que dois personagens lutam por uma arma. Faz tempo que não vejo nada tão mal dirigido quanto essa cena. Por outro lado, é sempre bom ressaltar a competência do diretor quando este mostra os jogos. Há uma cena particularmente boa, quando uma mulher é submetida a um aparelho que, dentro de três horas, pode romper sua mandíbula e estourar sua cabeça. Retrata bem o desespero da personagem - e o nosso também, do outro lado da tela.

E a grande virtude do filme, é mesmo, o final. Surpreendente e revelador, traz consigo uma lição de moral - sutil, é verdade - que nos faz refletir ao sair da sala de cinema. É claro que não vou contar qual é a surpresa, né? Aliás, O AMIGO IMAGINÁRIO DO FILME O AMIGO OCULTO É O PAI DA GAROTA!!! NÃO ASSISTAM A ESSE FILME!!! ASSISTAM A JOGOS MORTAIS!!! - Bem mais aliviado.

Sem querer desmerecer o criador da trama, que também é o roteirista, o fato é que o filme seria muito melhor nas mãos de um cineasta mais experiente - como o próprio David Fincher, por exemplo. O jovem James Wan, contudo, é uma boa promessa para renovar o gênero.
(visto no Cinemark Tatuapé, 9/3/2005)

Várias coisas têm acontecido nos últimos dias. Infelizmente, o tempo é escasso e o blog, infelizmente não é uma prioridade. Talvez eu deva rever meus conceitos, contudo.

Constatei, também, que posts com o título Dever de Casa não fazem sucesso.

O fato é que têm acontecido coisas boa na minha vida, a saber:

1. Estou realmente gostando da Engenharia de Produção.
2. Presenciei uma excelente discussão capitular sobre virtudes, em especial o Amor (em particular, o amor de Deus e a Deus), no último sábado. Recomendo a todos os textos de André Comte-Sponville chamado Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, disponível neste site.
3. Meu professor Fleury passou, durante sua aula de Engenharia e Sociedade, a leitura dos dois primeiros capítulos do livro Introdução à Teoria de Sistemas, de Churchman. O que ele esqueceu de mencionar era que o livro tem apenas quatro capítulos, ou seja, devo ler a metade até a próxima aula! No entanto, o livro é muito bom, estou adorando a leitura.
4. Contratei uma pessoa para cuidar do meu apê. Essa pessoa chama-se Célia (Miss Celie), é maravilhosa e competente.
5. Comprei ingressos para dois concertos na Sala São Paulo: dia 24 de março serão interpretadas algumas Danças Húngaras de Brahms e o divertido Capricho Italiano de um dos meus compositores favoritos, Tchaicovsky (até aprendi a escrever o nome dele). No concerto do dia 5 de maio (pelo qual eu espero ansiosamente), será interpretado umas das minhas peças favoritas, o poema sinfônico Sheherazade, do compositor russo Rimsky-Korsakov. Imperdível.
6. Minha iniciação voltou a funcionar.
7. Aline foi eliminada com 95% dos votos.
8. Assisti a um filme legal hoje, Jogos Mortais. Comentarei no próximo post (prometo).
(acho melhor parar por aqui, daqui a pouco vou citar que nasceu o filho de Angélica com Luciano Huck - segundo o pai, uma "mistura". Imaginem se Joaquim nasceu com o nariz do pai e a pinta da mãe...).

É claro que nem tudo são flores. Hoje meu foninho da Nike arrebentou (deixei a mochila cair e o fio que estava conectado delicadamente com o plug se soltou) (*erda) (alguém tem solda?) e fui vítima de uma pessoa interesseira (uma das coisas que mais odeio, juntamente com a falsidade) (*osta). Nada, no entanto, que abale meu bom humor.

Preciso dormir. Amanhã tenho 10 créditos a cumprir. E aindam falam que produção é "sussa".

(resposta à seguinte pergunta do professor Fleury: O que fazer para melhorar o desempenho da POLI na produção de engenheiros?)

Para responder esta pergunta, podemos fazer outras duas:
1. O que o mercado (no caso, o mercado de trabalho) espera do produto (o engenheiro politécnico) e quais são suas deficiências?
2. O que o mercado não espera do produto (engenheiro) e o que este pode acrescentar ao mercado?

A primeira pergunta é também uma análise do paradigma existente no contexto politécnico. A Escola Politécnica visa formar engenheiros com visão generalista, porém específica, das necessidades da sociedade em que habita. No entanto, a forma como é ministrado o ensino na referida Escola conduz uma série de deficiências e vícios, que podem e devem ser superados, de modo a corroborar sua excelência num contexto globalizado.

Os dois primeiros anos da Escola, chamados de Biênio, ou Ciclo Básico, têm uma série de virtudes. Por exemplo, permitem ao estudante indeciso uma chance de conhecer uma gama de divisões da Engenharia (uma ciência extremamente ampla) e, com isso, fazer uma decisão mais apropriada. Também contribuem para a visão generalista que a Escola e o Mercado objetivam. Contudo, a competitividade gerada entre os estudantes durante tal período não é saudável, uma vez que apenas a excelência do desempenho acadêmico é levada em consideração na disputa pelas vagas dos diversos ramos da Engenharia. Não são levados em consideração, por exemplo, o aprender e o processo do aprender, responsáveis por formar mentes aguçadas e prontas para a realidade externa.

Admitamos a possibilidade de que não exisisse mais um número limitado de vagas para cada carreira. Seria natural que alguns cursos apresentassem uma procura maior que outros, mas isso seria ruim? Do ponto de vista do mercado, sim. A Escola Politécnica deve formar engenheiros de diversas áreas, de modo a suprir as necessidades da sociedade. Mesmo assim, verificando-se a procura pelas diversas áreas, deve-se notar uma certa uniformidade de escolha. Então, uma alternativa viável à competitividade gerada seria estipular uma notam sendo que, tendo média acima desta, o estudante pudesse escolher qualquer área que quisesse. Assim, eliminar-se-ia a competição entre os estudantes e alimentar-se-ia a iniciativa própria de superar limites, o que é louvável. Outrossim, impende ressaltar a necessidade de desenvolver habilidades sociais, claramente ausentes durante os anos universitários.

Outro problema digno de nota são algumas disciplinas ministradas por departamentos de outras faculdades, também nos dois primeiros anos da Escola. O ensino de Cálculo Diferencial e Integral e Álgebra Linear é feito atualmente de modo axiomático. As demonstrações dos teoremas raramente são apresentadas, excluindo o importante mecanismo do modus operandi de se solucionar um problema. De certa forma, podemos encarar como um preconceito - por exemplo, a disciplina Física para Engenharia. Por que não aprendemos apenas Física? Tem-se a nítida impressão que conteúdos são omitidos, criando facilidades indesejadas. Se estas disciplinas fossem ministradas por professores da própria Escola Politécnica, como era feito antigamente, essas deficiências seriam sanadas e os alunos saberiam qual a importância, para a Engenharia, das aplicações das disciplinas básicas, coisa que os professores de outros departamentos não podem ou sabem dizer.

Por outro lado, verifica-se a necessidade de gerar engenheiros com perfil empreendedor. Com a retomada do crescimento da economia do país, a formação de empreendedores será responsável pela inovação do mercado. Cabe à Escola ampliar as iniciativas que estão sendo tomadas a esse respeito.

São extremamente positivos os projetos de melhoria do desempenho do engenheiro politécnico à integração das necessidades e carências do mercado de trabalho brasileiro, sendo que o POLI 2015 é o ápice dos esforços da comunidade politécnica nesse sentido. A implementação de mudanças, mais que necessária, é urgente, para o recrudescimento da Escola no cenário global e de seu engenheiro.

Como havia previsto, após as aulas começarem, os posts ficam mais complicados de serem escritos. Isso é explicado por uma série de motivos, como presença na Escola Politécnica (vulga Poli), redação sobre como melhorar o engenheiro da referida escola, lanchinhos (sim, foram três, proporcionados pelo Departamento de Produção), ganho de camisetas... Enfim, a vida anda dura para um futuro engenheiro de produção.

No entanto, durante a semana, encontrei tempo para ver dois filmes e ouvir alguns CDs, sobre os quais falarei futuramente. Eis as obras cinematográficas:

O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre) - Dirigido por Marcus Nispel. Escrito por Scott Kosar. Com Jessica Biel, Jonathan Tucker, Erica Leerhsen, Eric Balfour, Mike Vogel. Estados Unidos, 2003. * *

Para se temer um vilão, nos dias hodiernos, não é mais suficiente que ele seja apenas perigoso - precisamos entender o que o leva aos atos de insanidade, de modo ao personagem parecer plausível e assustador. Do contrário, soa fake. Dito isso, esse novo Massacre... falha terrivelmente em sua missão. Não assisti ao filme original, mas este remake não nos faz compreender o básico - o que faz uma comunidade inteira ser conivente com o José Serra, mais conhecido como Leatherface.



O restante do filme serve como um ode para o corpo da atriz protagonista Jessica Biel, que aparece sempre molhada. Tem também alguns trechos de comicidade indevida (por exemplo, uma personagem dá um tiro na boca logo no início - e a câmera acompanha a trajetória da bala... dentro do cérebro espatifado da garota! Não dá para segurar o riso.

Falhando também em criar tensão (medo), pelo menos o diretor estreante é competente em gerar sustos genuínos - também, aquele barulho de serra é pior que o do motorzinho dentário. E, se o filme não exige grandes atuações, pelo menos a protagonista funcionou bem em uma cena (a do trailer), em que ela parece verdadeiramente sem saber o que fazer, frente a um destruidor de amigos maconheiros, numa micro-sociedade patológica do interior do Texas.

Com mais ousadia e desenvolvimento dos motivos da comunidade, esse remake seria um bom filme de terror. Infelizmente, não é.
(visto no Cinemark Santa Cruz, 2/5/2005)

Primavera para Hitler (The Producers) - Dirigido e escrito por Mel Brooks. Com Zero Mostel, Gene Wilder, Kenneth Mars, Dick Shawn. Estados Unidos, 1968. * * * * *

Sátira aos musicais da Brodway, sátira política, comédia de gags, humor negro, pastelão... tudo isto está aqui no fantástico filme de Mel Brooks. Uma trama inusitada consegue reunir todas estas variantes do fazer rir numa única produção. A história - um produtor fracassado (e que não tem vergonha de extorquir dinheiro de velhinhas safadas como Hold me, Touch me) descobre juntamente com seu contador que é possível fazer mais dinheiro com um fracasso colossal que com um sucesso de crítica e público. Assim, os dois passam a procurar o pior roteiro, ator e diretor para darem prosseguimento a seu plano maquiavélico de enterrar a carreira de produtor, mas se tornar milionário.



As atuações são excelentes. Zero Mostel, em particular, sabe fazer rir como ninguém num personagem sem nenhuma moral. E Gene Wilder também está ótimo como um contador frustrado que sofre de ataques de histeria. Com uma química invejável, os dois atores conduzem a trama, que chega a seu ápice com a apresentação do musical Springitime for Hitler - e chega a ser irônico que uma peça tão engraçada não tenha sido realmente produzida. Uma celebração musical a um crápula é algo tão inusitadamente cômico (quando os dançarinos formam a suástica rodante, não há mortal capaz de segurar o riso) que deveria ser realizada imediatamente! Eu e a minha amiga Kalynka Nigg tivemos, inclusive, a idéia de criar um ode à Fernandinho Beira-Mar, com direito a big bands, letras satiricamente apologéticas e dançarinas fantasiadas de maconha.

Em certo momento, o produtor se questiona sobre como pôde ter produzido um sucesso escolhendo o pior roteiro, o pior ator e o pior diretor. Primavera para Hitler prova que a sátira destes elementos é suficiente para fazer um ótimo filme. Definitivamente, um dos filmes mais engraçados que eu já vi em minha curta vida.
(Visto no Cinusp, 3/3/2005)




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