Como não poderia deixar de ser, assisti ao Oscar de ontem, embalado pelo meu aniversário, dogada e amigos. Nessas horas é que amaldiçoamos a rede Globo de televisão - apesar de ter comprado a transmissão do Oscar, deixou de passar quase a primeira hora da transmissão, por causa do Big Brother Brasil 5. Qual era a dificuldade de adiantar a programação em meia hora?
No geral, o Oscar de 2005 foi extremamente previsível - neste caso não foi ruim. Foi um ano de indicações ruins e erradas - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lenbrança merecia ser mais reconhecido - já que é um dos melhores filmes do ano, juntamente com Os Incríveis, que só abocanhou o troféu de Melhor Animação e Melhor Edição de Som. Já Brilho Eterno ficou com Melhor Roteiro Original - mais que merecido.
Outra coisa interessante foi o prêmio de Melhor Canção, vencido pelo compositor uruguaio Jorge Drexler, que não foi sequer convidado para interpretar sua própria canção. A interpretação ficou a cargo de Antonio Banderas que, como cantor é um ótimo ator, acompanhado do guitarrista Santana. O importante é que, no discurso de agradecimento, ele cantou sua própria música em vez de gastar os nossos ouvidos ouvindo discursos irritantes (Hilary Swank agradeceu até ao advogado). Momento emocionante e irônico.

E o grande vencedor da noite foi Menina de Ouro. O engraçado é que, até alguns meses atrás, na época das indicações, O Aviador era o franco favorito. Acertadamente, eu decidi assistir ao filme de Clint Eastwood antes da cerimônia - e assim, posso dizer que minha torcida foi sincera. Adorei o trabalho do veterano ator/diretor, que por sinal foi o mais velho ganhador do prêmio de melhor direção. É um filme sensível, simples e corajoso - o ritmo intenso do 1o. e 2o. atos dá lugar a um terceiro ato mais lento, quando os personagens são plenamente desenvolvidos. A atuação de Hilary Swank é simplesmente comovente - e seu segundo Oscar foi também merecido. E o primeiro Oscar da carreira de Morgan Freeman finalmente veio - o veterano ator foi aplaudido de pé. Muito bom.
Não posso deixar de citar, no entanto, outra premiação de importância também. Trata-se do famoso Framboesa de Ouro. Este ano o grande vencedor foi o filme Mulher Gato, que abocanhou o troféu de Pior Filme, Pior Diretor e Pior Atriz, para a Halle Berry. E foi a atriz que mais me chamou a atenção neste final de semana.

Na história dos prêmios Framboesa de Ouro, dificilmente o "agraciado" com o prêmio vai "resgatar" a estatueta. Neste ano, por exemplo, o presidente Bush, a secretária Condoleeza Rice, e a ninfeta Britney Spears foram agraciados - todos por Fahrenheit 9/11, do cineasta-documentarista Michael Moore. Acho que é a primeira vez que um filme ganha prêmios no Festival de Cannes e no Razzie.
Curiosamente, a maravilhosa atriz Halle Berry, ganhadora do Oscar pelo excelente A Última Ceia (Monster's Ball), chegou ao fundo do poço interpretando a Catwoman. Ela provou que soube calçar as sandálias da humildade - num ato de bravura, ela foi receber seu prêmio de Pior Atriz!!!
Num discurso emocionado, ao receber o novo prêmio, a atriz agradeceu à Warner Bros. por tê-la escalado no tal filme que, segundo ela, levou sua carreira do topo ao chão. "Eu quero agradecer a Warner Brothers por me escalar para essa merda", disse em seu discurso - que teve direito a lágrimas. E disse também "Minha mãe me ensinou que, para eu ser uma boa vencedora, tenho que saber antes ser uma boa perdedora". E com isso, o público que lotou um teatro em Los Angeles, a aplaudiu de pé. Conseguiu ganhar o reconhecimento de todos. Aplausos.
O próximo filme de Halle Berry será Nefertiti, dirigido pelo diretor que deu a ela seu Oscar, Marc Foster. Torço por ela. Quem sabe, também vem seu segundo Oscar?
No geral, o Oscar de 2005 foi extremamente previsível - neste caso não foi ruim. Foi um ano de indicações ruins e erradas - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lenbrança merecia ser mais reconhecido - já que é um dos melhores filmes do ano, juntamente com Os Incríveis, que só abocanhou o troféu de Melhor Animação e Melhor Edição de Som. Já Brilho Eterno ficou com Melhor Roteiro Original - mais que merecido.
Outra coisa interessante foi o prêmio de Melhor Canção, vencido pelo compositor uruguaio Jorge Drexler, que não foi sequer convidado para interpretar sua própria canção. A interpretação ficou a cargo de Antonio Banderas que, como cantor é um ótimo ator, acompanhado do guitarrista Santana. O importante é que, no discurso de agradecimento, ele cantou sua própria música em vez de gastar os nossos ouvidos ouvindo discursos irritantes (Hilary Swank agradeceu até ao advogado). Momento emocionante e irônico.
E o grande vencedor da noite foi Menina de Ouro. O engraçado é que, até alguns meses atrás, na época das indicações, O Aviador era o franco favorito. Acertadamente, eu decidi assistir ao filme de Clint Eastwood antes da cerimônia - e assim, posso dizer que minha torcida foi sincera. Adorei o trabalho do veterano ator/diretor, que por sinal foi o mais velho ganhador do prêmio de melhor direção. É um filme sensível, simples e corajoso - o ritmo intenso do 1o. e 2o. atos dá lugar a um terceiro ato mais lento, quando os personagens são plenamente desenvolvidos. A atuação de Hilary Swank é simplesmente comovente - e seu segundo Oscar foi também merecido. E o primeiro Oscar da carreira de Morgan Freeman finalmente veio - o veterano ator foi aplaudido de pé. Muito bom.
Não posso deixar de citar, no entanto, outra premiação de importância também. Trata-se do famoso Framboesa de Ouro. Este ano o grande vencedor foi o filme Mulher Gato, que abocanhou o troféu de Pior Filme, Pior Diretor e Pior Atriz, para a Halle Berry. E foi a atriz que mais me chamou a atenção neste final de semana.

Na história dos prêmios Framboesa de Ouro, dificilmente o "agraciado" com o prêmio vai "resgatar" a estatueta. Neste ano, por exemplo, o presidente Bush, a secretária Condoleeza Rice, e a ninfeta Britney Spears foram agraciados - todos por Fahrenheit 9/11, do cineasta-documentarista Michael Moore. Acho que é a primeira vez que um filme ganha prêmios no Festival de Cannes e no Razzie.
Curiosamente, a maravilhosa atriz Halle Berry, ganhadora do Oscar pelo excelente A Última Ceia (Monster's Ball), chegou ao fundo do poço interpretando a Catwoman. Ela provou que soube calçar as sandálias da humildade - num ato de bravura, ela foi receber seu prêmio de Pior Atriz!!!
Num discurso emocionado, ao receber o novo prêmio, a atriz agradeceu à Warner Bros. por tê-la escalado no tal filme que, segundo ela, levou sua carreira do topo ao chão. "Eu quero agradecer a Warner Brothers por me escalar para essa merda", disse em seu discurso - que teve direito a lágrimas. E disse também "Minha mãe me ensinou que, para eu ser uma boa vencedora, tenho que saber antes ser uma boa perdedora". E com isso, o público que lotou um teatro em Los Angeles, a aplaudiu de pé. Conseguiu ganhar o reconhecimento de todos. Aplausos.
O próximo filme de Halle Berry será Nefertiti, dirigido pelo diretor que deu a ela seu Oscar, Marc Foster. Torço por ela. Quem sabe, também vem seu segundo Oscar?
Ok, estou completamente atrasado nos posts. Acontece que, desde que cheguei em São Paulo, não tive um momento de sossego. Momento este que, enfim, chegou nesta tarde de segunda-feira. Após um ótimo primeiro dia de Engenharia de Produção (incluindo agrados culinários), posso finalmente emitir algumas opiniões curtas sobre alguns filmes:
Rei Arthur - Versão do Diretor (King Arthur - Director's Cut) - Dirigido por Antoine Fuqua. Roteiro de David Franzoni. Com Clive Owen, Ioan Gruffud, Keira Knightley. Estados Unidos, Islândia, 2004. *
Roteiro pretensioso (objetivando retratar a história real por trás da "lenda", segundo "pesquisas históricas"), espécie de Resgate do Soldado Ryan medieval. Não funciona nem como passatempo, pois é cansativo e muito chato. Arthur e seu "amigo" Lancelot discutem o filme todo (cadê a amizade?). Clichês imundos na última batalha, gritos incompreensíveis, atuação ridiculamente engraçada da Keira Knightley. Pelo menos é bem feito e tem uma única cena boa (uma batalha sobre um lago congelado). Mas não vale o valor do ingresso (ou locação).
O Amigo Oculto (Hide And Seek) - Dirigido por John Polson. Roteiro de Ari Schlossberg. Com Robert De Niro, Dakota Fanning, Famke Janssen. Estados Unidos. 2004. Nenhuma Estrela
Igualar um filme tão ruim quanto este a outros produções de uma estrela, creio eu, é um crime. Então, nada se salvou neste filme. O cenário é (oh!) uma casa grande e escura. A trilha sonora nos avisa quando ter medo. A sempre boa Dakota Fanning está quase uma Wednesday, que não faz rir. Os colossais absurdos deste roteiro são tão numerosos que eu perderia meu tempo aqui relatando. A reviravolta final é o mesmo do ótimo A Janela Secreta, mas ainda assim o diretor insistiu em acrescentar uns 20 minutos com um De Niro ridiculamente ruim. Personagens são esquecidos (uma vizinha sem nenhuma importância para a trama). E a frase final da personagem de Janssem dizendo "Esconde-esconde" é a prova inconteste que esse filme não merece nenhuma estrela.
Minha Vida Sem Mim (My life Without Me) - Dirigido e escrito por Isabel Coixet. Baseado no livro de Nanci Kincaid. Com Sarah Polley, Scott Speedman e Mark Ruffalo. Espanha, Canadá. 2004. * * * *
Filme pesado mas muito bonito. Uma mulher de 23 anos descobre que está em fase terminal de câncer, tendo apenas 2 ou 3 meses de vida. A diretora escapou do dramalhão, transformando a história num relato bem pensado sobre o que fazer da vida quando nunca viveu. A lista de coisas a serem feitas pela protagonista, como fazer alguém se apaixonar por ela (por puro egoísmo) e gravar fitas de presentes de aniversário para as duas filhas até completarem 18 anos é plausível, emocionante, tocante, mas nunca melodramática. Um filme comovente.
Menina de Ouro (Million Dollar Baby) - Dirigido por Clint Eastwood. Escrito por F. X. Toole e Paul Haggis. Com Clint Eastwood, Hilary Swank e Morgan Freeman. Estados Unidos, 2004. * * * * *
Comentários no próximo post (quando falar sobre o Oscar).
Rei Arthur - Versão do Diretor (King Arthur - Director's Cut) - Dirigido por Antoine Fuqua. Roteiro de David Franzoni. Com Clive Owen, Ioan Gruffud, Keira Knightley. Estados Unidos, Islândia, 2004. *
Roteiro pretensioso (objetivando retratar a história real por trás da "lenda", segundo "pesquisas históricas"), espécie de Resgate do Soldado Ryan medieval. Não funciona nem como passatempo, pois é cansativo e muito chato. Arthur e seu "amigo" Lancelot discutem o filme todo (cadê a amizade?). Clichês imundos na última batalha, gritos incompreensíveis, atuação ridiculamente engraçada da Keira Knightley. Pelo menos é bem feito e tem uma única cena boa (uma batalha sobre um lago congelado). Mas não vale o valor do ingresso (ou locação).
O Amigo Oculto (Hide And Seek) - Dirigido por John Polson. Roteiro de Ari Schlossberg. Com Robert De Niro, Dakota Fanning, Famke Janssen. Estados Unidos. 2004. Nenhuma Estrela
Igualar um filme tão ruim quanto este a outros produções de uma estrela, creio eu, é um crime. Então, nada se salvou neste filme. O cenário é (oh!) uma casa grande e escura. A trilha sonora nos avisa quando ter medo. A sempre boa Dakota Fanning está quase uma Wednesday, que não faz rir. Os colossais absurdos deste roteiro são tão numerosos que eu perderia meu tempo aqui relatando. A reviravolta final é o mesmo do ótimo A Janela Secreta, mas ainda assim o diretor insistiu em acrescentar uns 20 minutos com um De Niro ridiculamente ruim. Personagens são esquecidos (uma vizinha sem nenhuma importância para a trama). E a frase final da personagem de Janssem dizendo "Esconde-esconde" é a prova inconteste que esse filme não merece nenhuma estrela.
Minha Vida Sem Mim (My life Without Me) - Dirigido e escrito por Isabel Coixet. Baseado no livro de Nanci Kincaid. Com Sarah Polley, Scott Speedman e Mark Ruffalo. Espanha, Canadá. 2004. * * * *
Filme pesado mas muito bonito. Uma mulher de 23 anos descobre que está em fase terminal de câncer, tendo apenas 2 ou 3 meses de vida. A diretora escapou do dramalhão, transformando a história num relato bem pensado sobre o que fazer da vida quando nunca viveu. A lista de coisas a serem feitas pela protagonista, como fazer alguém se apaixonar por ela (por puro egoísmo) e gravar fitas de presentes de aniversário para as duas filhas até completarem 18 anos é plausível, emocionante, tocante, mas nunca melodramática. Um filme comovente.
Menina de Ouro (Million Dollar Baby) - Dirigido por Clint Eastwood. Escrito por F. X. Toole e Paul Haggis. Com Clint Eastwood, Hilary Swank e Morgan Freeman. Estados Unidos, 2004. * * * * *
Comentários no próximo post (quando falar sobre o Oscar).
Caríssimos amigos. Amanhã estarei em São Paulo. O objetivo deste post é:
1. Dizer ao amigo Bruno Faccini Santoro que as opiniões dos kwaitianos não foram levadas em conta no meu julgamento. E melhor rir do que chorar, não é mesmo? Resumindo, não troco a foto (até eu achar alguma melhor, diga-se de passagem).
2. Contar a Pérola da Semana. Aproveitando o Oscar que é domingo, coincidentemente o dia do meu aniversário, farei um breve intróito para explicar melhor a pérola. Um dos candidatos a melhor filme e provável ganhador do Oscar melhor ator é o filme Ray, sobre a vida do músico cego Ray Charles, interpretado por Jamie Foxx. Inclusive o músico, que faleceu recentemente, ainda estava vivo durante boa parte das filmagens, o que dificulta a compreensão da interpretação mediúnica do ator.
Pois bem, eis que o (cof cof...) "crítico de cinema" Rubens Ewald Filho, que comentará a festa do Oscar no canal fechado TNT ("Hummmmm, como a Paltrow está magra!"), soltou a seguinte pérola em sua crítica do filme Ray no portal Uol:
Quem não acredita, vá ao final do quarto parágrafo.
Essa citação talvez só não se compare ao sempre fenomenal ator e "felomenal" crítico José Wilker, que cometeu a seguinte:
Risadas enlatadas cairiam bem agora.
P.S.: Rubens Ewald Filho citado pelo Kibe Loco, José Wilker citado pelo crítico de cinema (esse sim, muito bom) Pablo Villaça em seu blog Diário de Bordo.
EDITADO: Ewald Filho corrigiu seu lapso na coluna da Uol. Porém, seu feito ficou registrado para a posteridade.
1. Dizer ao amigo Bruno Faccini Santoro que as opiniões dos kwaitianos não foram levadas em conta no meu julgamento. E melhor rir do que chorar, não é mesmo? Resumindo, não troco a foto (até eu achar alguma melhor, diga-se de passagem).
2. Contar a Pérola da Semana. Aproveitando o Oscar que é domingo, coincidentemente o dia do meu aniversário, farei um breve intróito para explicar melhor a pérola. Um dos candidatos a melhor filme e provável ganhador do Oscar melhor ator é o filme Ray, sobre a vida do músico cego Ray Charles, interpretado por Jamie Foxx. Inclusive o músico, que faleceu recentemente, ainda estava vivo durante boa parte das filmagens, o que dificulta a compreensão da interpretação mediúnica do ator.
Pois bem, eis que o (cof cof...) "crítico de cinema" Rubens Ewald Filho, que comentará a festa do Oscar no canal fechado TNT ("Hummmmm, como a Paltrow está magra!"), soltou a seguinte pérola em sua crítica do filme Ray no portal Uol:
"[Ray] Charles morreu sem ter visto o filme finalizado(...)".
Quem não acredita, vá ao final do quarto parágrafo.
Essa citação talvez só não se compare ao sempre fenomenal ator e "felomenal" crítico José Wilker, que cometeu a seguinte:
"Cantando na Chuva é um prazer para a visão, para a audição e, porque não dizer, para os outros sentidos."
Risadas enlatadas cairiam bem agora.
P.S.: Rubens Ewald Filho citado pelo Kibe Loco, José Wilker citado pelo crítico de cinema (esse sim, muito bom) Pablo Villaça em seu blog Diário de Bordo.
EDITADO: Ewald Filho corrigiu seu lapso na coluna da Uol. Porém, seu feito ficou registrado para a posteridade.
Férias acabando, melancolia aumentando... Para cada canto que eu olho dessa minha casa na Bahia, um aperto eu sinto no coração. Enfim, acabou a folga!!! Tenho que encarar a triste realidade e um retorno a São Paulo mais cedo do que eu desejava.
Enquanto isso, continuo a relatar os filmes e os livros que andei vendo e lendo, respectivamente. E até que esse final de semana foi bem proveitoso.
Perto Demais (Closer) * * * * *
Um filme de origens teatrais, em que a verdade fere mais que a mentira. Relato de quatro personagens egoístas, sentimentais e sinceros ao extremo indesejado. Excelentes atuações, principalmente de Natalie Portman. A música Blower's Daughter, do irlandês Damien Rice não sai da minha cabeça.
Entando numa Fria Maior Ainda (Meet the Fockers) * *
Comédia boba e roteiro fraco, uma releitura do filme anterior. Um clássico exemplo de que a máxima "em time que está ganhando não se mexe" nem sempre é verdadeira. Pelo menos eu ri bastante.
A Vida de David Gale (The Life of David Gale) * *
Um filme que me irritou profundamente justamente por não levar sua temática tão a sério, por se preocupar em criar um "final surpresa" absolutamente ridículo, desafirmando tudo aquilo que havia proposto, ou seja, ser contra a Pena de Morte. Um tiro no pé. Para os que gostaram, pensem na cena em que um carro persegue o outro até que um trem (!) o impede de continuar.
O Cemitério Maldito (Pet Sematery) * *
Filme baseado na obra de Stephen King, mas sem o aspecto doloroso e psicológico de como a morte afeta as pessoas... e como uma possível reversão afeta mais ainda. Não vale o livro (BTW, Stephen King faz ponta como um padre).
Paixão À Flor da Pele (Wicker Park) * * * *
Apesar do começo arrastado e algumas situações por demais "inusitadas" (embora pretenda ser realista), o filme demonstra uma inteligência inesperada ao tratar o amor obsessivo de forma madura e sutil. A estrutura narrativa evita com competência buracos no roteiro.
Ata-me (Ata Me) * * *
Entre os que eu já assisti, foi o pior dos Almodóvar... Mas ainda assim é um Almodóvar, e merece respeito por isso.
Diário da Princesa 2 - Casamento Real (The Princess Diaries 2 - Royal Engagement) * * *
Essa comédia poderia ser péssima por incluir uma série de clichês e situações forçadas, se não fosse por um fato - é simplesmente adorável. E ouvir Julie Andrews cantar de novo não tem preço.
E o livro que eu terminei de ler é Cipreste Triste (Sad Cypress) * * * * de Agatha Christie. E, sim, esse é bem melhor que o anterior. Uma mulher sendo julgada por um crime que gostaria de ter cometido, uma herança, um vidro de morfina desaparecido e um arranhão no braço de uma enfermeira. Esses são os ingredientes desse mistério que somente a genialidade de Hercule Poirot pode desvendar. Recomendo.
Pretendo agora ler Budapeste, de Chico Buarque, indicado pela Priscila. Espero conseguir lê-lo até sexta... quando terei malas para arrumar. Aiaiaiai :(
Enquanto isso, continuo a relatar os filmes e os livros que andei vendo e lendo, respectivamente. E até que esse final de semana foi bem proveitoso.
Perto Demais (Closer) * * * * *
Um filme de origens teatrais, em que a verdade fere mais que a mentira. Relato de quatro personagens egoístas, sentimentais e sinceros ao extremo indesejado. Excelentes atuações, principalmente de Natalie Portman. A música Blower's Daughter, do irlandês Damien Rice não sai da minha cabeça.
Entando numa Fria Maior Ainda (Meet the Fockers) * *
Comédia boba e roteiro fraco, uma releitura do filme anterior. Um clássico exemplo de que a máxima "em time que está ganhando não se mexe" nem sempre é verdadeira. Pelo menos eu ri bastante.
A Vida de David Gale (The Life of David Gale) * *
Um filme que me irritou profundamente justamente por não levar sua temática tão a sério, por se preocupar em criar um "final surpresa" absolutamente ridículo, desafirmando tudo aquilo que havia proposto, ou seja, ser contra a Pena de Morte. Um tiro no pé. Para os que gostaram, pensem na cena em que um carro persegue o outro até que um trem (!) o impede de continuar.
O Cemitério Maldito (Pet Sematery) * *
Filme baseado na obra de Stephen King, mas sem o aspecto doloroso e psicológico de como a morte afeta as pessoas... e como uma possível reversão afeta mais ainda. Não vale o livro (BTW, Stephen King faz ponta como um padre).
Paixão À Flor da Pele (Wicker Park) * * * *
Apesar do começo arrastado e algumas situações por demais "inusitadas" (embora pretenda ser realista), o filme demonstra uma inteligência inesperada ao tratar o amor obsessivo de forma madura e sutil. A estrutura narrativa evita com competência buracos no roteiro.
Ata-me (Ata Me) * * *
Entre os que eu já assisti, foi o pior dos Almodóvar... Mas ainda assim é um Almodóvar, e merece respeito por isso.
Diário da Princesa 2 - Casamento Real (The Princess Diaries 2 - Royal Engagement) * * *
Essa comédia poderia ser péssima por incluir uma série de clichês e situações forçadas, se não fosse por um fato - é simplesmente adorável. E ouvir Julie Andrews cantar de novo não tem preço.
E o livro que eu terminei de ler é Cipreste Triste (Sad Cypress) * * * * de Agatha Christie. E, sim, esse é bem melhor que o anterior. Uma mulher sendo julgada por um crime que gostaria de ter cometido, uma herança, um vidro de morfina desaparecido e um arranhão no braço de uma enfermeira. Esses são os ingredientes desse mistério que somente a genialidade de Hercule Poirot pode desvendar. Recomendo.
Pretendo agora ler Budapeste, de Chico Buarque, indicado pela Priscila. Espero conseguir lê-lo até sexta... quando terei malas para arrumar. Aiaiaiai :(
Hoje é festa lá no meu apê
Pode aparecer
Vai rolar bundalelê
Hoje é festa lá no meu apê
Tem birita
Até amanhecer
Chega aí
Pode entrar
Quem tá aqui tá em casa
Olá, Prazer!
A noite (hum) é nossa.
Garçom, por favor, venha aqui e sirva bem a visita.
Tá bom
Tá é bom
Aqui ninguém fica só
Entra aí e toma um drink
Porque a noite é uma criança.
Mais uma vez, o eu-lírico insiste para que "a visita" tome um drink. Se o leitor está acompanhado o pensamento, percebe que há "algo de podre no reino da Dinamarca". Terminemos, pois, de analisar o restante.
Tesão, sedução, libido no ar
No meu quarto tem gente até fazendo orgia
Tá bom
Tá é bom
Tudo é festa
Pegação
Vou zoar o mulherio e a chapa vai esquentar
Pode aparecer
Vai rolar bundalelê
Hoje é festa lá no meu apê
Tem birita
Até amanhecer
Está definido o mote do poema. Uma festa no lugar, aqui chamado de "apê". O primeiro verso evidencia, mesmo com um sentido de posse, um distanciamento, ausente o sentido de lar. Isso é importante para serem estabelecidos a natureza dos eventos que acontecerão no lugar.
Os versos seguintes estabelecem a forma e a natureza dos eventos que ocorrerão na dita festa, bem como os participantes desta. Há uma clara referência há um culto a Dionísio, deus grego do vinho. Estas palavras são "bundalelê" e "birita". A utilização de palavras tão rudes serve para criar uma aura de estranhamento, uma vez que este tipo de cerimônia, de referências pagãs, é encarada por certos setores da sociedade com preconceito e incompreensão. Portanto, está implícito uma crítica a estes setores.
Os versos seguintes estabelecem a forma e a natureza dos eventos que ocorrerão na dita festa, bem como os participantes desta. Há uma clara referência há um culto a Dionísio, deus grego do vinho. Estas palavras são "bundalelê" e "birita". A utilização de palavras tão rudes serve para criar uma aura de estranhamento, uma vez que este tipo de cerimônia, de referências pagãs, é encarada por certos setores da sociedade com preconceito e incompreensão. Portanto, está implícito uma crítica a estes setores.
Chega aí
Pode entrar
Quem tá aqui tá em casa
Este trecho faz uma referência a natureza vampiresca dos eventos que se sucederão. Não adiantarei mais nada para não quebrar o fio lógico do raciocínio. Basta saber que esta é a forma presente na literatura clássica de se permitir a entrada dos seres conhecidos como vampiros na residência de uma pessoa. Inclusive explicita-se um sentimento paradoxal - o apê do mote não é de forma alguma um ambiente caseiro, um lar. Mas neste, os convidados - não necessariamente o eu lírico - podem se sentir em casa.
Olá, Prazer!
A noite (hum) é nossa.
Garçom, por favor, venha aqui e sirva bem a visita.
Essa estrofe é extremamente esclarecedora. Está definido um novo personagem, conotado por "a visita". Uma determinação. Essa visita poderia ser qualquer pessoa, mas existe uma onomatopéia que causa uma sensação de estranheza proposital pelo compositor - "hum". A intenção me parece óbvia - implicar um sentido de falsidade em sua frase.
É estranho, outrossim, que numa "festa" com uma natureza claramente orgiástica, devotada a Dionísio, onde não se deve dar uma atenção específica a ninguém, "a visita" tenha uma atenção especial do garçom. E, portanto, sua presença destaca-se das demais.
É estranho, outrossim, que numa "festa" com uma natureza claramente orgiástica, devotada a Dionísio, onde não se deve dar uma atenção específica a ninguém, "a visita" tenha uma atenção especial do garçom. E, portanto, sua presença destaca-se das demais.
Tá bom
Tá é bom
Aqui ninguém fica só
Entra aí e toma um drink
Porque a noite é uma criança.
Mais uma vez, o eu-lírico insiste para que "a visita" tome um drink. Se o leitor está acompanhado o pensamento, percebe que há "algo de podre no reino da Dinamarca". Terminemos, pois, de analisar o restante.
Tesão, sedução, libido no ar
No meu quarto tem gente até fazendo orgia
A natureza orgiástica, uma pregação - sem motivo? - dos ideais naturalistas, talvez um retorno ao arcadismo, mais uma vez é demonstrado.
Tá bom
Tá é bom
Aqui podemos perceber que as coisas estão indo como o planejado para o eu-lírico. Portanto, há um plano, que poderia dar errado e, felizmente, está dando certo.
Tudo é festa
Pegação
Vou zoar o mulherio e a chapa vai esquentar
"A chapa vai esquentar" conclui o poema, de forma negativa. O porquê, neste ponto, é óbvio. A natureza orgiástica da festa foi intencional, pois haverá claramente, um assassinato no recinto. A citação de que os convidados são como vampiros, isto é, coniventes com o crime que acontecerá - mesmo sem culpa, servirão como figurantes e testemunhas - reforça esta imagem. "A visita" será eliminada num plano perfeito - a devoção a baco, envolvendo tal sacrifício, será visto pelo sistema jurídico como uma maneira de dispersar a atenção para qualquer crime - obviamente envenenamento - e, como é dito, "vai rolar birita até o amanhecer", quando provavelmente o corpo da vítima será encontrado - neste momento "a chapa vai esquentar". É portanto, um crime quase perfeito - haverá testemunhas demais para provar que a pessoa responsável estava deveras ocupada. Graças a Deus, existem Hercules Poirots nesse mundo.
Há, no entanto, uma maneira de evitar que "a visita" morra.
Parando de ouvir esta música.
Há, no entanto, uma maneira de evitar que "a visita" morra.
Parando de ouvir esta música.
Novelas policiais são sempre legais de ler. Agatha Christie então, nem se fala... Minha mãe deu a sorte de, no ano passado, comprar uns 50 livros dela a preço de banana, de forma que, nas férias (Férias na Bahia - parece título de redação do primário), acaba sobrando para eu ler um monte de livros da querida Dame Agatha.
Quem já leu, sabe que seus livros são rápidos, concisos e divertidos. Não é permitido parar de ler, até chegar ao final. O que é uma virtude, pode constituir também uma falha. Como não podemos saber qual a identidade do assassino até o final (mas às vezes, acabamos descobrindo... Neste aqui, acabei descobrindo no fim do segundo ato), os personagens acabam sendo apresentados sem um mínimo de desenvolvimento psicológico - excluindo, é claro, o detetive.
Há honrosas exceções na extensa coleção de livros de Dame Agatha. Um exemplo clássico que contraria o que foi dito acima é o excelente O Assassinato de Roger Ackroyd. Infelizmente, este Morte nas Nuvens não faz parte do time de ouro.
A história é sinistra. Num vôo de 12 passageiros, um maribondo zune e, misteriosamente, uma das passageiras é descoberta morta, com uma picada no pescoço. A pessoa assassina, no entanto, não contava com a presença do famoso detetive belga Hercule Poirot que, contando com a perspicácia de suas "pequenas células cinzentas", identifica que a picada foi causada por uma seta indígena, provavelmente lançada por uma zarabatana. Qual não é a surpresa de todos quando uma zarabatana é descoberta debaixo do assento de Poirot.
O elenco do vôo é bem interessante - uma famosa Lady e sua amiga Honorable, dois arqueólogos, um dentista,uma ajudante de cabeleireiro, um médico, um escritor de romances policiais e, é claro, a própria extina - uma senhora poderosa, que emprestava dinheiro e tinha métodos excusos para receber os devidos pagamentos. E, por fim, a presença do detetive belga. Que azar do assassino!
Poirot, obviamente, é a melhor parte do livro. Dotado de uma inteligência rara na literatura, seu método é constantemente questionado - num momento do livro, uma das personagens principais, a ajudante de cabelereiro Jane o acusa de "pular de galho em galho o tempo todo". É claro que, só no final, compreenderemos a mente de Poirot - compartilhada com Agatha Christie.
A resolução do livro - importante de ser analisada nos romances policiais - faz parte da categoria "plausível, mas mirabolante demais". Existe também a categoria "implausível", cujos livros da rainha do crime dificilmente fazem parte; por fim, o melhor tipo de crime - "plausível, simples porém complexo e genial". Só quem já leu Dame Agatha pode entender. :)
E, para não perder o costume, já selecionei o próximo volume da dama inglesa: Cipreste Trite, também com Hercule Poirot. Meu método de escolha é simples - vou pelo nome! Quanto mais sugestivo melhor. Espero que este me agrade mais - e que eu só descubra a identidade do assassino no grand finale.
Quem já leu, sabe que seus livros são rápidos, concisos e divertidos. Não é permitido parar de ler, até chegar ao final. O que é uma virtude, pode constituir também uma falha. Como não podemos saber qual a identidade do assassino até o final (mas às vezes, acabamos descobrindo... Neste aqui, acabei descobrindo no fim do segundo ato), os personagens acabam sendo apresentados sem um mínimo de desenvolvimento psicológico - excluindo, é claro, o detetive.
Há honrosas exceções na extensa coleção de livros de Dame Agatha. Um exemplo clássico que contraria o que foi dito acima é o excelente O Assassinato de Roger Ackroyd. Infelizmente, este Morte nas Nuvens não faz parte do time de ouro.
A história é sinistra. Num vôo de 12 passageiros, um maribondo zune e, misteriosamente, uma das passageiras é descoberta morta, com uma picada no pescoço. A pessoa assassina, no entanto, não contava com a presença do famoso detetive belga Hercule Poirot que, contando com a perspicácia de suas "pequenas células cinzentas", identifica que a picada foi causada por uma seta indígena, provavelmente lançada por uma zarabatana. Qual não é a surpresa de todos quando uma zarabatana é descoberta debaixo do assento de Poirot.
O elenco do vôo é bem interessante - uma famosa Lady e sua amiga Honorable, dois arqueólogos, um dentista,uma ajudante de cabeleireiro, um médico, um escritor de romances policiais e, é claro, a própria extina - uma senhora poderosa, que emprestava dinheiro e tinha métodos excusos para receber os devidos pagamentos. E, por fim, a presença do detetive belga. Que azar do assassino!
Poirot, obviamente, é a melhor parte do livro. Dotado de uma inteligência rara na literatura, seu método é constantemente questionado - num momento do livro, uma das personagens principais, a ajudante de cabelereiro Jane o acusa de "pular de galho em galho o tempo todo". É claro que, só no final, compreenderemos a mente de Poirot - compartilhada com Agatha Christie.
A resolução do livro - importante de ser analisada nos romances policiais - faz parte da categoria "plausível, mas mirabolante demais". Existe também a categoria "implausível", cujos livros da rainha do crime dificilmente fazem parte; por fim, o melhor tipo de crime - "plausível, simples porém complexo e genial". Só quem já leu Dame Agatha pode entender. :)
E, para não perder o costume, já selecionei o próximo volume da dama inglesa: Cipreste Trite, também com Hercule Poirot. Meu método de escolha é simples - vou pelo nome! Quanto mais sugestivo melhor. Espero que este me agrade mais - e que eu só descubra a identidade do assassino no grand finale.
Hoje, na hora do almoço, ao tocar a Sonata op. 27 nº. 2 de Beethoven, conhecida pela alcunha Sonata ao Luar, fiz algumas reflexões a respeito da música e da vida. Percebe-se que minha cabeça voa enquanto eu toco. Infelizmente minha mente não fica toda concentrada em uma peça, quando a executo, o que me faz perder a habilidade que certas melodias exigem.
Essa sonata tem um formato interessante. As peças musicais com mais de um movimento costumam ser iniciadas por um Allegro, ou algum movimento rápido. O 2º. movimento, usualmente, é um Adagio, um Anadante ou um Lento. Se o concerto, a sinfonia ou sonata em questão é composta de 4 movimentos, é quase certo que o 3o. movimento será um Moderato. Por fim, o último movimento é sempre um Vivacce, um Presto, ou algum outro andamento rápido.
A Sonata ao Luar apresenta a seguinte inversão. Seu primeiro movimento, assaz conhecido, é um Adagio sostenuto. Segundo indicações do autor, "Si deve suonare tutto questo pezzo delicatissimamente e senza sordini". Ao final do tal movimento, ele manda o seguinte: "Attaca subito il seguente": O segundo movimento, um Allegretto. E por fim, o último movimento diverte o pianista e os ouvintes com um Presto agitato. Ou seja, durante toda a peça fica um sentimento de crescendo, e a chegada do ápice significa o fim. Numa linguagem politécnica, é um gráfico linear.
Já comentei com algumas pessoas que, quando compuser uma peça longa (no momento, estou me debatendo com um esboço de uma Grande Valsa Brillante), gostaria que ela seguisse o estilo dessa sonata. Odeio o fato que o 2o. movimento é sempre lento e sem graça, é mais como uma ponte. Dificilmente tem vida própria. É como um passatempo, em que o ouvinte espera ser conduzido ao maravilhoso, à apoteose - o fim da peça. Na querida Sala São Paulo, é comum ver as pessoas cochilarem durante este movimento - a desculpa de ouvir com os olhos fechados é muito empregada - e é lógico, eu costumo pescar sem vergonha de assumir. Obviamente, há exceções à regra. O 2º. movimento do Concerto nº. 2 para Piano e Orquestra do compositor Serge Rachmaninov não só é maravilhoso, como inspirou a famosa música All By Myself (ele é creditado como um dos compositores).
Ainda assim, apesar de a Sonata ao Luar apresentar um 2º. movimento Allegreto, ele ainda merece alguns dos adjetivos proferidos por mim no parágrafo anterior. Assim, quando escrever minha suposta peça, tenho em mente fazer um 2º. movimento absolutamente maravihoso, em que as pessoas se contentem com ele e, porque não, fiquem tristes quando este terminar. Espero fazer isso antes que minha vida termine.
A triste conclusão que chego é que grande parte de nossas vidas é como um 2º. movimento. Tem coisas boas, é verdade, mas não possui um ápice. A maior parte do tempo esperamos por uma nova fase - que seja melhor, mais divertida, mais emocionante - e esta, infelizmente, custa a chegar, ou nunca chega. E não adianta culpar o maestro. Se há um culpado, é o próprio compositor.
Queria que o 2o. movimento da minha vida fosse como a Sinfonia nº 6. em Si Menor op. 74 do também russo Tchaikovsky. É uma valsa de 5 tempos, um Allegro con Grazia, divertido e, acima de tudo, inusitado. E, sem sombra de dúvidas, que o 4º. movimento não seja como o dessa sinfonia - um Adagio Lamentoso, Andante.
Essa sonata tem um formato interessante. As peças musicais com mais de um movimento costumam ser iniciadas por um Allegro, ou algum movimento rápido. O 2º. movimento, usualmente, é um Adagio, um Anadante ou um Lento. Se o concerto, a sinfonia ou sonata em questão é composta de 4 movimentos, é quase certo que o 3o. movimento será um Moderato. Por fim, o último movimento é sempre um Vivacce, um Presto, ou algum outro andamento rápido.
A Sonata ao Luar apresenta a seguinte inversão. Seu primeiro movimento, assaz conhecido, é um Adagio sostenuto. Segundo indicações do autor, "Si deve suonare tutto questo pezzo delicatissimamente e senza sordini". Ao final do tal movimento, ele manda o seguinte: "Attaca subito il seguente": O segundo movimento, um Allegretto. E por fim, o último movimento diverte o pianista e os ouvintes com um Presto agitato. Ou seja, durante toda a peça fica um sentimento de crescendo, e a chegada do ápice significa o fim. Numa linguagem politécnica, é um gráfico linear.
Já comentei com algumas pessoas que, quando compuser uma peça longa (no momento, estou me debatendo com um esboço de uma Grande Valsa Brillante), gostaria que ela seguisse o estilo dessa sonata. Odeio o fato que o 2o. movimento é sempre lento e sem graça, é mais como uma ponte. Dificilmente tem vida própria. É como um passatempo, em que o ouvinte espera ser conduzido ao maravilhoso, à apoteose - o fim da peça. Na querida Sala São Paulo, é comum ver as pessoas cochilarem durante este movimento - a desculpa de ouvir com os olhos fechados é muito empregada - e é lógico, eu costumo pescar sem vergonha de assumir. Obviamente, há exceções à regra. O 2º. movimento do Concerto nº. 2 para Piano e Orquestra do compositor Serge Rachmaninov não só é maravilhoso, como inspirou a famosa música All By Myself (ele é creditado como um dos compositores).
Ainda assim, apesar de a Sonata ao Luar apresentar um 2º. movimento Allegreto, ele ainda merece alguns dos adjetivos proferidos por mim no parágrafo anterior. Assim, quando escrever minha suposta peça, tenho em mente fazer um 2º. movimento absolutamente maravihoso, em que as pessoas se contentem com ele e, porque não, fiquem tristes quando este terminar. Espero fazer isso antes que minha vida termine.
A triste conclusão que chego é que grande parte de nossas vidas é como um 2º. movimento. Tem coisas boas, é verdade, mas não possui um ápice. A maior parte do tempo esperamos por uma nova fase - que seja melhor, mais divertida, mais emocionante - e esta, infelizmente, custa a chegar, ou nunca chega. E não adianta culpar o maestro. Se há um culpado, é o próprio compositor.
Queria que o 2o. movimento da minha vida fosse como a Sinfonia nº 6. em Si Menor op. 74 do também russo Tchaikovsky. É uma valsa de 5 tempos, um Allegro con Grazia, divertido e, acima de tudo, inusitado. E, sem sombra de dúvidas, que o 4º. movimento não seja como o dessa sinfonia - um Adagio Lamentoso, Andante.
Quando eu resolvi fazer este blog, um dos objetivos era fazer um registro do que eu lia/assistia/ouvia/jogava/fazia. E é com um certo pesar que eu percebo que simplesmente não conisgo anotar tudo isso. Talvez seja porque estou em férias, e as atividades artísticas são mais intensas (e quem conhece Itabuna sabe que não tem muito o que fazer).
Por fim, conversando com minha amiga Priscila Tanaami, senti a necessidade de deixar por escrito o que passa pelos meus sentidos. E mesmo que seja chato de ler (sinto muito), aí vai uma pequena lista do que andei vendo, ouvindo, etc.
FILMES:
Meu Tio Matou um Cara: Jorge Furtado sabe lidar com sutilezas, utilizando uma linguagem gráfica muito boa, dessa vez de videogame. * * * *
Desventuras em Série: filme mezzo sombrio, mezzo comédia para juventude. Excelente fotografia e direção de arte. Pena que Jim Carrey errou ao compor o vilão. * * * *
Alexandre: Oliver Stone errou em cheio ao fazer essa cinebiografia com graves defeitos no roteiro. Uma composição de "bebê chorão" de Collin Farrell e um sotaque incompreensível de Angelina Jolie. * *
Mary Poppins: Julie Andrews está excelente em seu primeiro papel, a adorável babá que cuida de duas crianças nas mais diversas aventuras. Um filme supercalifragilistic-expialidocious. * * * * *
Star Wars Episódio IV - Uma Nova Esperança: George Lucas começa com o pé direito neste que virou uma febre e tem fãs espalhados pelo mundo todo. Uma saga iniciada... pelo meio! Idéia Genial. * * * *
Star Wars Episódio V - O Império Contra-Ataca: Grandes momentos, como as aulas de Luke com Yoda neste que, so far, é o melhor Guerra nas Estrelas. * * * *
Star Wars Episódio VI - O Retorno de Jedi: Um fiapo de história conclui terrivelmente a saga estelar. Uma pena. * *
Dança Comigo: J-Lo e Richard Gere estrelam esse drama romântico que, dotado de uma inteligência insuspeita e uma bela história de amor entre marido e esposa (sem traições!), acerta em cheio nas danças e na sensibilidade. * * * *
CDS:
Katie Melua - Call of the Search: Fazendo o gênero "versátil", faz incursões ao Jazz, Blues, e Pop... e é feliz em todas. Destaque para a música-título do álbum e para a homenagem a minha adorada cantora Eva Cassidy em Faraway Voice * * * * *
Ray Charles (e vários outros) - Genius Loves Company: Disco de duetos do finado, que acaba de ganhar uma porrada de grammies. Nada do outro mundo, mas agrada nas releituras de clássicos do próprio e de outros. * * *
Damien Rice - O: Ótima voz e canções agradáveis com muitos violões e cordas. * * * *
Utada Hikaru - Exodus: Primeira empreitada da cantora de J-pop no Inglês. A sonoridade, entretando, é a mesma do japonês, e de uma expressão pálida na maioria das canções. * *
Utada Hikaru - Final Distance: Cd bem mais legal, com agradáveis canções como a música-título, ou Hikari. A bela voz da Hikaru-chan é bem aproveitada. * * *
Westlife - Allow Us To Be Frank: A Boy Band surpreende num CD em homenagem ao Old Blues Eyes. Arranjos competentes e vozes maduras. * * * *
Ainda falta falar dos CDs:
Stacey Kent - Close your Eyes, Dreamsville, Let Yourself Go, In Love Again, The Boy Next Door (não lembro mais qual é qual, por isso a falta de estrelas... mas são todos ou muito bons ou excelentes).
Vanessa Carlton - Harmonium * * *
Chitãozinho e Xororó - Aqui o Sistema é Bruto * * * *
LIVROS:
Stephen King - A Torre Negra vol. I - O Pistoleiro: Stephen King inicia, na década de 70, esta que é uma das mais longas sagas já escritas. Neste volume, introduz o personagem Roland e o garoto Jake. Definitivamente, um bom começo. * * * *
Stephen King - A Torre Negra vol. II - A Escolha dos Três: Este volume toma forma de romance, com melhor desenvolvimento psicológico dos Três a quem o título se refere. Brilhante conexão com o primeiro. * * * * *
Stephen King - A Hora do Vampiro - o drama de uma cidadezinha no interior do Maine, quando as figuras assombrosas tomam conta do lugar. Cotidiano incomum de uma cidade mais que comum. * * *
Infelizmente, Rafael Maluf, sua crônica há de esperar.
Por fim, conversando com minha amiga Priscila Tanaami, senti a necessidade de deixar por escrito o que passa pelos meus sentidos. E mesmo que seja chato de ler (sinto muito), aí vai uma pequena lista do que andei vendo, ouvindo, etc.
FILMES:
Meu Tio Matou um Cara: Jorge Furtado sabe lidar com sutilezas, utilizando uma linguagem gráfica muito boa, dessa vez de videogame. * * * *
Desventuras em Série: filme mezzo sombrio, mezzo comédia para juventude. Excelente fotografia e direção de arte. Pena que Jim Carrey errou ao compor o vilão. * * * *
Alexandre: Oliver Stone errou em cheio ao fazer essa cinebiografia com graves defeitos no roteiro. Uma composição de "bebê chorão" de Collin Farrell e um sotaque incompreensível de Angelina Jolie. * *
Mary Poppins: Julie Andrews está excelente em seu primeiro papel, a adorável babá que cuida de duas crianças nas mais diversas aventuras. Um filme supercalifragilistic-expialidocious. * * * * *
Star Wars Episódio IV - Uma Nova Esperança: George Lucas começa com o pé direito neste que virou uma febre e tem fãs espalhados pelo mundo todo. Uma saga iniciada... pelo meio! Idéia Genial. * * * *
Star Wars Episódio V - O Império Contra-Ataca: Grandes momentos, como as aulas de Luke com Yoda neste que, so far, é o melhor Guerra nas Estrelas. * * * *
Star Wars Episódio VI - O Retorno de Jedi: Um fiapo de história conclui terrivelmente a saga estelar. Uma pena. * *
Dança Comigo: J-Lo e Richard Gere estrelam esse drama romântico que, dotado de uma inteligência insuspeita e uma bela história de amor entre marido e esposa (sem traições!), acerta em cheio nas danças e na sensibilidade. * * * *
CDS:
Katie Melua - Call of the Search: Fazendo o gênero "versátil", faz incursões ao Jazz, Blues, e Pop... e é feliz em todas. Destaque para a música-título do álbum e para a homenagem a minha adorada cantora Eva Cassidy em Faraway Voice * * * * *
Ray Charles (e vários outros) - Genius Loves Company: Disco de duetos do finado, que acaba de ganhar uma porrada de grammies. Nada do outro mundo, mas agrada nas releituras de clássicos do próprio e de outros. * * *
Damien Rice - O: Ótima voz e canções agradáveis com muitos violões e cordas. * * * *
Utada Hikaru - Exodus: Primeira empreitada da cantora de J-pop no Inglês. A sonoridade, entretando, é a mesma do japonês, e de uma expressão pálida na maioria das canções. * *
Utada Hikaru - Final Distance: Cd bem mais legal, com agradáveis canções como a música-título, ou Hikari. A bela voz da Hikaru-chan é bem aproveitada. * * *
Westlife - Allow Us To Be Frank: A Boy Band surpreende num CD em homenagem ao Old Blues Eyes. Arranjos competentes e vozes maduras. * * * *
Ainda falta falar dos CDs:
Stacey Kent - Close your Eyes, Dreamsville, Let Yourself Go, In Love Again, The Boy Next Door (não lembro mais qual é qual, por isso a falta de estrelas... mas são todos ou muito bons ou excelentes).
Vanessa Carlton - Harmonium * * *
Chitãozinho e Xororó - Aqui o Sistema é Bruto * * * *
LIVROS:
Stephen King - A Torre Negra vol. I - O Pistoleiro: Stephen King inicia, na década de 70, esta que é uma das mais longas sagas já escritas. Neste volume, introduz o personagem Roland e o garoto Jake. Definitivamente, um bom começo. * * * *
Stephen King - A Torre Negra vol. II - A Escolha dos Três: Este volume toma forma de romance, com melhor desenvolvimento psicológico dos Três a quem o título se refere. Brilhante conexão com o primeiro. * * * * *
Stephen King - A Hora do Vampiro - o drama de uma cidadezinha no interior do Maine, quando as figuras assombrosas tomam conta do lugar. Cotidiano incomum de uma cidade mais que comum. * * *
Infelizmente, Rafael Maluf, sua crônica há de esperar.
Êba! Novo CD do Michael Bublé. Sou fã desse cantor canadense. Ele e Rufus Wainwright (também canadense) figuram na minha lista de melhores cantores vivos e novos (já que Tony Bennett não tarda... rs).
Bublé é cantor de Jazz com letra maiúscula. Ele transforma o que não é jazz em jazz, e o que já era jazz fica mais jazz ainda (perdoe-me a repetição de termos, mas foi necessária). Ele, por exemplo, transformou Spiderman Theme em seu CD Babalu em jazz da melhor qualidade. Neste novo álbum, ele faz o mesmo com Can't Buy Me Love, dos Beatles. O resultado é muito interessante.
Noss arranjos das músicas cantadas por ele, não faltam Big Bands. Nesse novo álbum, graças a Deus ele não resolveu mudar o estilo. A primeira música, Feeling good já é repleta de metais. O estilo continua em A Foggy Day in London. Michael Bublé apresenta as provas de que é o sucessor de Frank Sinatra na ótima I've Got You Under My Skin.
Nas "lentinhas", ou seja, as que se aproximam do pop, Bublé estréia nas composições da saudosista Home. E aproveitando a época em que Ray Charles está na moda, por ter ganhado 8 Grammies esse ano e uma cinebiografia cotada para o Oscar de melhor ator (curiosamente sua fama recrudesceu ao morrer), o queridinho de Hebe Camargo o cita em You Don't Know Me.
E como não deixar de citar o maravilhoso samba Quando Quando Quando, que ele canta com a também canadense Nelly Furtado (eu adoro Nelly F.). Espetacular esse dueto.

Terminando com as faixas bônus Dream a Little Dream Of Me e Mack The Knife (ele já tinha gravado essa música em seu CD Come Fly With Me, numa versão mais completa - no entanto, prefiro o arranjo do álbum novo), esse It's Time veio para provar que é hora de Michael Bublé deslanchar na carreira de cantor. Talento ele tem de sobra.
P.S.: Já que eu citei Hebe Camargo (ela também adora Bublé), segunda-feira ela estava entrevistando a irmã do engenheiro sequestrado no Iraque. No meio da entrevista, ela diz "Ah, você é a irmã dele!" - Não é uma gracinha? ;)
Bublé é cantor de Jazz com letra maiúscula. Ele transforma o que não é jazz em jazz, e o que já era jazz fica mais jazz ainda (perdoe-me a repetição de termos, mas foi necessária). Ele, por exemplo, transformou Spiderman Theme em seu CD Babalu em jazz da melhor qualidade. Neste novo álbum, ele faz o mesmo com Can't Buy Me Love, dos Beatles. O resultado é muito interessante.
Noss arranjos das músicas cantadas por ele, não faltam Big Bands. Nesse novo álbum, graças a Deus ele não resolveu mudar o estilo. A primeira música, Feeling good já é repleta de metais. O estilo continua em A Foggy Day in London. Michael Bublé apresenta as provas de que é o sucessor de Frank Sinatra na ótima I've Got You Under My Skin.
Nas "lentinhas", ou seja, as que se aproximam do pop, Bublé estréia nas composições da saudosista Home. E aproveitando a época em que Ray Charles está na moda, por ter ganhado 8 Grammies esse ano e uma cinebiografia cotada para o Oscar de melhor ator (curiosamente sua fama recrudesceu ao morrer), o queridinho de Hebe Camargo o cita em You Don't Know Me.
E como não deixar de citar o maravilhoso samba Quando Quando Quando, que ele canta com a também canadense Nelly Furtado (eu adoro Nelly F.). Espetacular esse dueto.

Terminando com as faixas bônus Dream a Little Dream Of Me e Mack The Knife (ele já tinha gravado essa música em seu CD Come Fly With Me, numa versão mais completa - no entanto, prefiro o arranjo do álbum novo), esse It's Time veio para provar que é hora de Michael Bublé deslanchar na carreira de cantor. Talento ele tem de sobra.
P.S.: Já que eu citei Hebe Camargo (ela também adora Bublé), segunda-feira ela estava entrevistando a irmã do engenheiro sequestrado no Iraque. No meio da entrevista, ela diz "Ah, você é a irmã dele!" - Não é uma gracinha? ;)
Imagine o contexto. Um executivo da Square-Enix, badalada produtora japonesa de jogos de RPG, como a série Final Fantasy, encontra no elevador um executivo da Disney, que dispensa comentários. Os dois começam a conversar e, ao saírem de lá, têm a idéia pronta para um jogo, que reuniria personagens dos dois universos.
Pois a conclusão desse encontro real foi o jogo Kingdom Hearts, lançado para PlayStation 2, Acabei de jogá-lo nesses últimos dias em que fiquei preso aos muros do meu lar. De uma história inusitada, surge um jogo dos mais bonitos e divertidos dos últimos tempos e, pelo visto, vai virar franquia - a continuação vem vindo.
A história tem como personagem principal o garoto Sora, que vivia numa ilha com seus dois amigos Riku e Kairi. Um belo dia, sua ilha é invadida por estranhas criaturas, e finalmente destruída. Os amigos separam-se e o garoto Sora vai parar numa cidade chamada Traverse Town, onde ele conhece nada menos que Donald e Pateta, que passam a fazer parte de sua equipe. Logo Sora descobre que diversos mundos estão conectados de alguma forma, e estes mundos estão fadados à destruição, se nenhuma atitude for tomada. Eis que se descobre que o Sora tem o poder de selar os mundos e, assim, impedir que sejam destruídos. O enredo está formado.
Para quem gosta dos filmes da Disney, esse jogo é um prato cheio. Nas aventuras de Sora, ele passa pelo mundo de Alice no País das Maravilhas, o Coliseu de Hércules, a selva de Tarzan, a cidade Agrabah de Alladin, o mundo aquático de A pequena Sereia, a Terra do Nunca de Peter Pan e por aí vai... A galeria de personagens, além dos citados, extende-se com a presença de Simba, Pooh e sua turma, Bambi e muitos outros.
.
Por falar em trilha sonora, as músicas do jogos são fracas e repetitivas, estando abaixo do padrão Square de qualidade. Porém, há algumas surpresas agradáveis, como a música de Nobuo, uma versão inesperada de Uma Noite no Monte Calvo, de Mussorgsky (numa referência ao filme Fantasia). A canção Simple and Clean de Utada Hikaru é muito bonita, também. É o ponto alto da trilha. Com relação aos vídeos, é uma pena que esse jogo tenha somente dois - um no começo e um no fim, deixando Kingdom Hearts inócuo nesse aspecto. Talvez seja alguma burocracia com a Disney. O fato é que os personagens da gigante da animação não aparecem nestes dois vídeios, o que não deixa de ser interessante.
No entanto, apesar destes defeitos, o jogo agrada por ser fácil, divertido e interessante. Um pouco curto, é verdade (gastei menos de 70 horas para completálo com todos os status, enquanto gasto mais de 110 num Final Fantasy, por exemplo), mas certamente agradará aos amantes de RPG, da Disney, ou ambos.
Pois a conclusão desse encontro real foi o jogo Kingdom Hearts, lançado para PlayStation 2, Acabei de jogá-lo nesses últimos dias em que fiquei preso aos muros do meu lar. De uma história inusitada, surge um jogo dos mais bonitos e divertidos dos últimos tempos e, pelo visto, vai virar franquia - a continuação vem vindo.
A história tem como personagem principal o garoto Sora, que vivia numa ilha com seus dois amigos Riku e Kairi. Um belo dia, sua ilha é invadida por estranhas criaturas, e finalmente destruída. Os amigos separam-se e o garoto Sora vai parar numa cidade chamada Traverse Town, onde ele conhece nada menos que Donald e Pateta, que passam a fazer parte de sua equipe. Logo Sora descobre que diversos mundos estão conectados de alguma forma, e estes mundos estão fadados à destruição, se nenhuma atitude for tomada. Eis que se descobre que o Sora tem o poder de selar os mundos e, assim, impedir que sejam destruídos. O enredo está formado.
Para quem gosta dos filmes da Disney, esse jogo é um prato cheio. Nas aventuras de Sora, ele passa pelo mundo de Alice no País das Maravilhas, o Coliseu de Hércules, a selva de Tarzan, a cidade Agrabah de Alladin, o mundo aquático de A pequena Sereia, a Terra do Nunca de Peter Pan e por aí vai... A galeria de personagens, além dos citados, extende-se com a presença de Simba, Pooh e sua turma, Bambi e muitos outros.
Os amantes de Final Fantasy, como eu, não têm a sorte de estarem tão bem representados. Mas ainda assim, é maravilhoso poder lutar contra Squall Leonhart (FFVIII), Cloud Strike e Sephiroth (FFVII) - ao som de One-Winged Angel, música do compositor japonês Nobuo Uematsu.
.Por falar em trilha sonora, as músicas do jogos são fracas e repetitivas, estando abaixo do padrão Square de qualidade. Porém, há algumas surpresas agradáveis, como a música de Nobuo, uma versão inesperada de Uma Noite no Monte Calvo, de Mussorgsky (numa referência ao filme Fantasia). A canção Simple and Clean de Utada Hikaru é muito bonita, também. É o ponto alto da trilha. Com relação aos vídeos, é uma pena que esse jogo tenha somente dois - um no começo e um no fim, deixando Kingdom Hearts inócuo nesse aspecto. Talvez seja alguma burocracia com a Disney. O fato é que os personagens da gigante da animação não aparecem nestes dois vídeios, o que não deixa de ser interessante.
No entanto, apesar destes defeitos, o jogo agrada por ser fácil, divertido e interessante. Um pouco curto, é verdade (gastei menos de 70 horas para completálo com todos os status, enquanto gasto mais de 110 num Final Fantasy, por exemplo), mas certamente agradará aos amantes de RPG, da Disney, ou ambos.
Enquanto vivencio a fase da convalescência, perdi um bom tempo de minha vida mexendo na template desse blog. Acho que cheguei a um resultado razoável. Aquele template pronto do blogger era horroroso. Agora, tudo está mais clean, o que é sempre bom.
Mudou também o sistema de comentários. Assim, a Kalynka Nigg não pode mais dar desculpas esfarrapadas e deixar de comentar as bobagens que escrevo.
Por fim, minha boca está bem melhor. Já posso comer sólidos, com cuidado, é verdade. O inchaço está diminuindo também.
Está chovendo. Faz dois dias que não saio de casa. Talvez seja um início de depressão.
Mudou também o sistema de comentários. Assim, a Kalynka Nigg não pode mais dar desculpas esfarrapadas e deixar de comentar as bobagens que escrevo.
Por fim, minha boca está bem melhor. Já posso comer sólidos, com cuidado, é verdade. O inchaço está diminuindo também.
Está chovendo. Faz dois dias que não saio de casa. Talvez seja um início de depressão.
A Cirurgia Dentária - Um Drama em Três Atos
Postado por Vinícius em 14 de fevereiro de 2005 às 17:37.ATO I - ANTES
Os terceiros molares são comumente conhecidos pelo estúpido nome "siso". Segundo o dicionário Houaiss, siso significa "boa capacidade de avaliação, bom senso, juízo, tino". Costuma-se, inclusive, citar a infame frase: "Muito riso é sinal de pouco siso". Pois bem, alguém chegou a conclusão que a idade em que nascem os terceiros molares também se identifica pelo aparecimento do siso pessoal. Besteira. In ou felizmente, o dente e o juízo não estão de forma alguma relacionados.
No meu caso, os dentes começaram a surgir e despontar na minha boca, totalizando os 32 dentes que uma arcada dentária humana costuma ter. O problema é que, devido a evolução da espécie, a boca não tem mais espaço para todos os dentes (perguntem para a tartaruga de Darwin o porquê). A solução é prosaica - se não há espaço, retira-se os últimos dentes da boca. Assim ninguém nota a ausência.
Agora meu drama pessoal. Não sou muito chegado a um consultório dentário. Não ajuda o fato que meu pai, minha mãe e minha irmã são dentistas. Deveria estar acostumado com a esfera odontológica. O fato é que não me incomodo de estar no consultório, mas não suporto estar sentado à cadeira. É preciso entender que durante minha infância, não fui traumatizado e/ou posto sob tortura pelos meus pais, de modo a desenvolver algum tipo de trauma. Acredito que seja genético. Basta alguém ter assistido à cena em que a minha mãe, ao ser tratada pela minha irmã, esperneou e quase fugiu da cadeira. E ela é dentista. E não era culpa da minha irmã.
Tem também as idéias por trás da cirurgia de terceiros molares. Como sou filho de dentistas, é comum eu ouvir sobre as dificuldades envolvidas em algumas cirurgias ("a raiz se partiu, foi preciso abrir o osso bem fundo"), coisas nada agradáveis de se ouvir durante o almoço.
Para completar o cenário, meus pais não quiseram fazer a minha cirurgia. Disseram que passaram muito aperto na cirurgia da minha irmã, e não queriam o mesmo para mim. Fui encaminhado a um dentista amigo da família, de muito boa reputação na cidade, especializado em cirurgias. Não sei se era bom ou ruim. Meus pais fizeram a radiografia. Estava combinado que eu faria a cirurgia dos dois dentes do lado direito, o superior e o inferior. Enquanto o superior já tinha nascido e, portanto seria fácil, o inferior ainda não tinha nascido completamente e, ao que parece, algo estava encostado no osso do maxilar (aaiiaiaiiaia).
Pois na fatídica manhã deste dia, fui acordado pela minha mãe. A cadeira me esperava às 8. Meu destino inevitável era. Seria "operado".
ATO II - Durante
Para encurtar a história, o dentista chegou, sentei na cadeira, a auxiliar preparou tudo. O dentista me chamava de "cara". Como vai, cara. Tá tudo bem, cara? Vai dar tudo certo, cara. Mau sinal. Pelo menos ele também não chamava os dentes de "caras". Na Escola Politécnica, existem alunos e professores que chamam entes físicos e matemáticos, como um "delta", de "esse cara", o que me dá calafrios.
A anestesia foi dada e eu, depois de alguns minutos, não sentia mais nada nos locais apropriados da boca. Talvez não deva citar o episódio em que a agulha quebrou e espalhou anestesia pela minha cara. Ainda bem que estava com o olho fechado. Aliás, passei a cirurgia toda de olho fechado. A partir de agora, o sentido dominante foi a audição, mas o olfato também prestou algum serviço, contarei depois o porquê.
Com a perda de sensibilidade, o dentista retirou meu dente superior sem maiores dificuldades. Senti uma força apenas puxando, mas isso era o esperado. O que me levou à reflexão nada original de que como seriam as operações dentárias sem anestesia. Cachaça não tem o mesmo efeito, concordo com os puristas neste aspecto. Talvez seja uma reflexão desnecessária. Afinal, é bem provável que no futuro, não existam mais cirurgias dentárias pois, ao nascerem as futuras crianças, o código genético será alterado de forma a terem 28 dentinhos. Ou talvez, as cirurgias sejam feitas de modo ao pós-operatório simplesmente não existir.
Meu dente inferior foi tirado a custa de algum esforço. Sei disso porque algo da dimensão psicológica de uma serra elétrica entrou na minha cavidade bucal (obviamente era menor, pois senão minha cabeça seria partida junto com minha boca). O cheiro era de osso (aí entra o olfato, mas fiz questão de respirar menos nesse momento - o cheiro não é nada agradável). Senti também esguichos de sangue. Pode ser impressão, mas o que mais estaria esguichando? Saliva? Que eu saiba, ela não vem em jatos concentrados. Obviamente, não tive coragem de abrir os olhos.
Após feitos os pontos, fui liberado. E aqui se encerra este ato.
ATO III - Depois
Este ato ainda não teve fim. É uma pena. Estou sofrendo uma leve dorzinha no local. Estou tomando dois medicamentos, um antinflamatório e um antibiótico. Nada do outro mundo. Não posso me queixar. Meu caso era simples, o dentista foi competente e agora tenho que encarar o fato de que não vivo numa época futura, mas também não vivo num passado remoto e desprovido de tecnologias.
Talvez deva omitir a música que esteve na minha cabeça durante toda a cirurgia. Quem acertar ganha um brinde. Esse brinde pode ser os dois dentinhos (ou melhor, dentões), ainda sujos de sangue. Gostaria também de ser um dos vampiros do livro A hora do vampiro, de Stephen King, que li recentemente. Há um leve gosto de sangue em minha boca.
O lado bom - dieta a base de sorvete. Já fui abençoado com um sunday do "amo tudo menos isso". Mama também comprou sorvete ontem. Até que não posso me queixar, é a conclusão que chego. Amanhã já devo estar melhor. Enquanto isso, é só evitar o máximo de conversar (percebe-se que não existe impedimento para digitar) e ficar quieto. Alguém aceita sorvete?
Os terceiros molares são comumente conhecidos pelo estúpido nome "siso". Segundo o dicionário Houaiss, siso significa "boa capacidade de avaliação, bom senso, juízo, tino". Costuma-se, inclusive, citar a infame frase: "Muito riso é sinal de pouco siso". Pois bem, alguém chegou a conclusão que a idade em que nascem os terceiros molares também se identifica pelo aparecimento do siso pessoal. Besteira. In ou felizmente, o dente e o juízo não estão de forma alguma relacionados.
No meu caso, os dentes começaram a surgir e despontar na minha boca, totalizando os 32 dentes que uma arcada dentária humana costuma ter. O problema é que, devido a evolução da espécie, a boca não tem mais espaço para todos os dentes (perguntem para a tartaruga de Darwin o porquê). A solução é prosaica - se não há espaço, retira-se os últimos dentes da boca. Assim ninguém nota a ausência.
Agora meu drama pessoal. Não sou muito chegado a um consultório dentário. Não ajuda o fato que meu pai, minha mãe e minha irmã são dentistas. Deveria estar acostumado com a esfera odontológica. O fato é que não me incomodo de estar no consultório, mas não suporto estar sentado à cadeira. É preciso entender que durante minha infância, não fui traumatizado e/ou posto sob tortura pelos meus pais, de modo a desenvolver algum tipo de trauma. Acredito que seja genético. Basta alguém ter assistido à cena em que a minha mãe, ao ser tratada pela minha irmã, esperneou e quase fugiu da cadeira. E ela é dentista. E não era culpa da minha irmã.
Tem também as idéias por trás da cirurgia de terceiros molares. Como sou filho de dentistas, é comum eu ouvir sobre as dificuldades envolvidas em algumas cirurgias ("a raiz se partiu, foi preciso abrir o osso bem fundo"), coisas nada agradáveis de se ouvir durante o almoço.
Para completar o cenário, meus pais não quiseram fazer a minha cirurgia. Disseram que passaram muito aperto na cirurgia da minha irmã, e não queriam o mesmo para mim. Fui encaminhado a um dentista amigo da família, de muito boa reputação na cidade, especializado em cirurgias. Não sei se era bom ou ruim. Meus pais fizeram a radiografia. Estava combinado que eu faria a cirurgia dos dois dentes do lado direito, o superior e o inferior. Enquanto o superior já tinha nascido e, portanto seria fácil, o inferior ainda não tinha nascido completamente e, ao que parece, algo estava encostado no osso do maxilar (aaiiaiaiiaia).
Pois na fatídica manhã deste dia, fui acordado pela minha mãe. A cadeira me esperava às 8. Meu destino inevitável era. Seria "operado".
ATO II - Durante
Para encurtar a história, o dentista chegou, sentei na cadeira, a auxiliar preparou tudo. O dentista me chamava de "cara". Como vai, cara. Tá tudo bem, cara? Vai dar tudo certo, cara. Mau sinal. Pelo menos ele também não chamava os dentes de "caras". Na Escola Politécnica, existem alunos e professores que chamam entes físicos e matemáticos, como um "delta", de "esse cara", o que me dá calafrios.
A anestesia foi dada e eu, depois de alguns minutos, não sentia mais nada nos locais apropriados da boca. Talvez não deva citar o episódio em que a agulha quebrou e espalhou anestesia pela minha cara. Ainda bem que estava com o olho fechado. Aliás, passei a cirurgia toda de olho fechado. A partir de agora, o sentido dominante foi a audição, mas o olfato também prestou algum serviço, contarei depois o porquê.
Com a perda de sensibilidade, o dentista retirou meu dente superior sem maiores dificuldades. Senti uma força apenas puxando, mas isso era o esperado. O que me levou à reflexão nada original de que como seriam as operações dentárias sem anestesia. Cachaça não tem o mesmo efeito, concordo com os puristas neste aspecto. Talvez seja uma reflexão desnecessária. Afinal, é bem provável que no futuro, não existam mais cirurgias dentárias pois, ao nascerem as futuras crianças, o código genético será alterado de forma a terem 28 dentinhos. Ou talvez, as cirurgias sejam feitas de modo ao pós-operatório simplesmente não existir.
Meu dente inferior foi tirado a custa de algum esforço. Sei disso porque algo da dimensão psicológica de uma serra elétrica entrou na minha cavidade bucal (obviamente era menor, pois senão minha cabeça seria partida junto com minha boca). O cheiro era de osso (aí entra o olfato, mas fiz questão de respirar menos nesse momento - o cheiro não é nada agradável). Senti também esguichos de sangue. Pode ser impressão, mas o que mais estaria esguichando? Saliva? Que eu saiba, ela não vem em jatos concentrados. Obviamente, não tive coragem de abrir os olhos.
Após feitos os pontos, fui liberado. E aqui se encerra este ato.
ATO III - Depois
Este ato ainda não teve fim. É uma pena. Estou sofrendo uma leve dorzinha no local. Estou tomando dois medicamentos, um antinflamatório e um antibiótico. Nada do outro mundo. Não posso me queixar. Meu caso era simples, o dentista foi competente e agora tenho que encarar o fato de que não vivo numa época futura, mas também não vivo num passado remoto e desprovido de tecnologias.
Talvez deva omitir a música que esteve na minha cabeça durante toda a cirurgia. Quem acertar ganha um brinde. Esse brinde pode ser os dois dentinhos (ou melhor, dentões), ainda sujos de sangue. Gostaria também de ser um dos vampiros do livro A hora do vampiro, de Stephen King, que li recentemente. Há um leve gosto de sangue em minha boca.
O lado bom - dieta a base de sorvete. Já fui abençoado com um sunday do "amo tudo menos isso". Mama também comprou sorvete ontem. Até que não posso me queixar, é a conclusão que chego. Amanhã já devo estar melhor. Enquanto isso, é só evitar o máximo de conversar (percebe-se que não existe impedimento para digitar) e ficar quieto. Alguém aceita sorvete?
Aiaiai... finalmente voltei a ter o acesso ao meu querido blog. Explico. Formatei o computador e instalei o Windows 2k. Desde então a internet se recusava terminantemente acessar alguns sites, como o meu bloguinho. Não consigo compreender. Mas o técnico veio aqui em casa e resolveu o problema (não estava presente, mas ele alterou alguma coisa no DOS). Enfin, a vida internética continua.
Ontem e hoje assisti a seis filmes muito bons... verdadeira maratona. Eis os filmes (Cinco estrelas para cada um):
Redentor:filme brasileiro dos melhores. Destaque para a trilha sonora repleta de coros (totalmente feita de música erudita), efeitos especiais surpreendentes e atuações maravilhosas de Pedro Cardoso, Miguel Fallabella e Fernanda Montenegro.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança: o último filme do maravilhoso roteirista Charile Kauffman, que surpreende a cada nova empreitada. Uma história sobre o amor de uma forma nunca antes contada. Direção excelente de Michael Gondry e a melhor atuação da carreira de Jim Carrey. Certamente um dos melhores do ano passado.
Dançando no Escuro: um dos meus filmes favoritos. Não há palavras que descrevam a atuação da cantora Björk neste filme dirigido magistralmente por Lars von Trier. É um musical diferente de tudo o que já foi feito até então, contando com o inteligente recurso de a personagem imaginar as cenas musicais, evitando que a definição do meu amigo Giuliano Colameo sobre filmes musicais seja aplicada neste aqui (segundo ele, filme musical é como filme pornõ, em que os personagens fazem as respectivas especialidades nos momentos mais inusitados).
Tudo sobre Minha Mãe: Almodóvar brilha nesse filme, contando uma delicada história de uma mãe que perde o filho e decide contar sobre sua existência ao pai. Detalhe: o "pai" é Lola, uma travesti. Filme repleto de emoções, extremamente sensível.
O Antie-Herói Americano: a cinebiografia de Harvey Pekar, um arquivista que decide contar a sua própria vida numa série de histórias em quadrinhos chamadas American Splendor. Os planos de realidade se misturam neste filme que conta com a presença do próprio biografado, que é narrador (!). Brilhante atuação de Paul Giamatti.
Elefante: filme impressionante, ganhador do importante prêmio Palma de Ouro de 2003. Recria a história do massacre de Columbine. O diretor Gus van Sant opta por retratar um dia comum em uma escola dos Estados Unidos, em que dois alunos resolvem atirar nos colegas. O filme é muito bem sucedido ao não se preocupar em culpar, ou explicar o acontecido. Apenas conta a sua históra, que não se prende à ordem cronológica (por exemplo, apresenta um mesmo "episódio" sobre três pontos de vistas diferentes). A tensão criada no final reside no fato de que toda a normalidade desenvolvida pelo filme até o último ato poderia ser perfeitamente um dia da nossa vida.
Ontem e hoje assisti a seis filmes muito bons... verdadeira maratona. Eis os filmes (Cinco estrelas para cada um):
Redentor:filme brasileiro dos melhores. Destaque para a trilha sonora repleta de coros (totalmente feita de música erudita), efeitos especiais surpreendentes e atuações maravilhosas de Pedro Cardoso, Miguel Fallabella e Fernanda Montenegro.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança: o último filme do maravilhoso roteirista Charile Kauffman, que surpreende a cada nova empreitada. Uma história sobre o amor de uma forma nunca antes contada. Direção excelente de Michael Gondry e a melhor atuação da carreira de Jim Carrey. Certamente um dos melhores do ano passado.
Dançando no Escuro: um dos meus filmes favoritos. Não há palavras que descrevam a atuação da cantora Björk neste filme dirigido magistralmente por Lars von Trier. É um musical diferente de tudo o que já foi feito até então, contando com o inteligente recurso de a personagem imaginar as cenas musicais, evitando que a definição do meu amigo Giuliano Colameo sobre filmes musicais seja aplicada neste aqui (segundo ele, filme musical é como filme pornõ, em que os personagens fazem as respectivas especialidades nos momentos mais inusitados).
Tudo sobre Minha Mãe: Almodóvar brilha nesse filme, contando uma delicada história de uma mãe que perde o filho e decide contar sobre sua existência ao pai. Detalhe: o "pai" é Lola, uma travesti. Filme repleto de emoções, extremamente sensível.
O Antie-Herói Americano: a cinebiografia de Harvey Pekar, um arquivista que decide contar a sua própria vida numa série de histórias em quadrinhos chamadas American Splendor. Os planos de realidade se misturam neste filme que conta com a presença do próprio biografado, que é narrador (!). Brilhante atuação de Paul Giamatti.
Elefante: filme impressionante, ganhador do importante prêmio Palma de Ouro de 2003. Recria a história do massacre de Columbine. O diretor Gus van Sant opta por retratar um dia comum em uma escola dos Estados Unidos, em que dois alunos resolvem atirar nos colegas. O filme é muito bem sucedido ao não se preocupar em culpar, ou explicar o acontecido. Apenas conta a sua históra, que não se prende à ordem cronológica (por exemplo, apresenta um mesmo "episódio" sobre três pontos de vistas diferentes). A tensão criada no final reside no fato de que toda a normalidade desenvolvida pelo filme até o último ato poderia ser perfeitamente um dia da nossa vida.
Do Terra:

A cantora Sandy Leah Lima
Sandy cantando no Bourbon... jazz! Parece até sonho. Se for verdade, tenho que começar a economizar. Os Shows do Bourbon são muito caros, mas não pretendo perder esse (basta lembrar que não fui ao da Jane Monheit, me arrependo amargamente até hoje).
Só espero que a criançada não vá para encher o saco - se bem que eu gostaria de ouvir uma versão jazzística de Desperdiçou. :)
BTW: uma pequena curiosidade: O nome Sandy Leah quem escolheu foi sua mãe. É o nome da personagem de Olivia Newton-John no filme Grease - Nos tempos da brilhantina
Sandy, 22 anos, estaria negociando com o Bourbon Street, em São Paulo, um show sem a participação do irmão Júnior, informou a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.A cantora pretende cantar só clássicos do jazz. O repertório deverá ser montado a partir da obra de Ella Fitzgerald.
As apresentações de Sandy estão previstas para março ou abril deste ano.

A cantora Sandy Leah Lima
Sandy cantando no Bourbon... jazz! Parece até sonho. Se for verdade, tenho que começar a economizar. Os Shows do Bourbon são muito caros, mas não pretendo perder esse (basta lembrar que não fui ao da Jane Monheit, me arrependo amargamente até hoje).
Só espero que a criançada não vá para encher o saco - se bem que eu gostaria de ouvir uma versão jazzística de Desperdiçou. :)
BTW: uma pequena curiosidade: O nome Sandy Leah quem escolheu foi sua mãe. É o nome da personagem de Olivia Newton-John no filme Grease - Nos tempos da brilhantina
Ah, como eu me divirto por gostar de jazz... É difícil acreditar que existem pessoas que acham jazz "chato"... a prova disso é esse CD maravilhoso de uma cantora maravilhosa chamada Stacey Kent - por sinal, "descobri" a Stacey por acaso... isso me faz crer que ainda existem boas cantoras que eu não conheça! :).

Decidi ouvir esse álbum dela (ainda tenho outros cinco a caminho...) porque tem algumas das músicas que eu mais gosto. E posso dizer que minhas expectativas foram correspondidas (e até superadas...).O álbum começa com a divertidíssima Comes Love (mas ainda prefiro a versão da Ella Fitzgerald com o mago das cordas Joe Pass do álbum Speak Love - um dos melhores do jazz). Logo em seguida vem a minha favorita de todo o album, a famosa They Can't Take That Away From Me, do Gershwin. Bem mais lenta do que geralmente é interpretada, Stacey revelou uma sensualidade insuspeita desse clássico.
De George e Ira Gershwin também é a interessante They All Laughed at Me (They all laughed at Christopher Columbus/When he said the world was round/They all laughed when Edison recorded sound/They all laughed at Wilbur and his brother/When they said that man could fly). Merecem destaque também a versão bossa-nova de East of the Sun and West of the Moon. Também gosto muito de Lovely Day em que apenas o piano acompanha a bela voz de Stacey e, especialmente, o clássico de Cole Porter, De-Lovely, uma versão surpreendentemente dançante cujos vocais lembram surpreendentemente Billie Holiday. Ah, e não poderia deixar de citar a também acompanhada apenas de piano You Go to My Head.

A maravilhosa Stacey Kent
A voz da americana Stacey é uma mistura de Jane Monheit com Ella Fitzgerald quando canta séria, sem o excesso das duas e mais suave, com agudos parecidos com o de Billie Holiday. A cantora já ganhou vários prêmios, como o British Jazz Award de 2001 e o BBC Jazz Award de Melhor Vocalista na edição de 2002.
Estou realmente feliz em ter "conhecido" esta cantora maravilhosa (já estou meio fã!). Certamente, ela faz parte do time do biscoito fino do jazz (como adoro essa expressão). Quem puder, não deixe de ouvir.

Decidi ouvir esse álbum dela (ainda tenho outros cinco a caminho...) porque tem algumas das músicas que eu mais gosto. E posso dizer que minhas expectativas foram correspondidas (e até superadas...).O álbum começa com a divertidíssima Comes Love (mas ainda prefiro a versão da Ella Fitzgerald com o mago das cordas Joe Pass do álbum Speak Love - um dos melhores do jazz). Logo em seguida vem a minha favorita de todo o album, a famosa They Can't Take That Away From Me, do Gershwin. Bem mais lenta do que geralmente é interpretada, Stacey revelou uma sensualidade insuspeita desse clássico.
De George e Ira Gershwin também é a interessante They All Laughed at Me (They all laughed at Christopher Columbus/When he said the world was round/They all laughed when Edison recorded sound/They all laughed at Wilbur and his brother/When they said that man could fly). Merecem destaque também a versão bossa-nova de East of the Sun and West of the Moon. Também gosto muito de Lovely Day em que apenas o piano acompanha a bela voz de Stacey e, especialmente, o clássico de Cole Porter, De-Lovely, uma versão surpreendentemente dançante cujos vocais lembram surpreendentemente Billie Holiday. Ah, e não poderia deixar de citar a também acompanhada apenas de piano You Go to My Head.

A maravilhosa Stacey Kent
A voz da americana Stacey é uma mistura de Jane Monheit com Ella Fitzgerald quando canta séria, sem o excesso das duas e mais suave, com agudos parecidos com o de Billie Holiday. A cantora já ganhou vários prêmios, como o British Jazz Award de 2001 e o BBC Jazz Award de Melhor Vocalista na edição de 2002.
Estou realmente feliz em ter "conhecido" esta cantora maravilhosa (já estou meio fã!). Certamente, ela faz parte do time do biscoito fino do jazz (como adoro essa expressão). Quem puder, não deixe de ouvir.
Alkan - Etude op. 39 n.3 - Scherzo Diabolico - * * * * *
Postado por Vinícius em 1 de fevereiro de 2005 às 21:32.Estava à procura de um desafio pianístico para as férias, visto que, até agora, não treinei nada de mais, exceto meus arranjos mirabolantes e algumas musiquinhas que eu já conhecia. Então, recebi a indicação da amiga Mel para uma peça de nome bastante sugestivo: O Scherzo Diabolico do Alkan.
E faz jus ao nome! De intensa dificuldade, principalmente por ser uma peça em tempo prestissimo, e que o compositor sugere ser interpretada diabolicamente (sem ironias, hein?). Acredito que esta seja uma música cuja virtuosidade exigida infelizmente não disponho, mas ainda assim é bastante instigante por ser divertida, fácil de ouvir e bonita também. Faz bastante sentido, até mesmo ao tocar pela primeira vez (essa é, pelo menos, a parte "fácil").
O seu compositor, Charles-Valentin Alkan, era um excluído do mundo, obscuro, mas reconhecido e admirado por Chopin e Liszt. Nascido em Paris em 1813, ficou mesmo famoso por seus Douze Études dans les tons mineurs Op. 39, do qual esse Scherzo Diabolico consta como o terceiro. Foi um virtuoso na vida, mas não utilizava seu talento para promover a própria música, como fazia Liszt. Por isso, permaneceu boa parte de seus dias na obscuridade, concluindo sua curta trajetória musical em 1888.

Charles-Valentin Alkan (1813-1888)
Este que vos fala não tem muita paciência para tocar a música mais lentamente no início do treinamento. Pelo menos estive capacitado a tocar a mão direita da primeira página no andamento correto - e isso não é pouca coisa, acreditem. Imagino que o Alkan vai me dar algum trabalho nesse fim de férias...
E faz jus ao nome! De intensa dificuldade, principalmente por ser uma peça em tempo prestissimo, e que o compositor sugere ser interpretada diabolicamente (sem ironias, hein?). Acredito que esta seja uma música cuja virtuosidade exigida infelizmente não disponho, mas ainda assim é bastante instigante por ser divertida, fácil de ouvir e bonita também. Faz bastante sentido, até mesmo ao tocar pela primeira vez (essa é, pelo menos, a parte "fácil").
O seu compositor, Charles-Valentin Alkan, era um excluído do mundo, obscuro, mas reconhecido e admirado por Chopin e Liszt. Nascido em Paris em 1813, ficou mesmo famoso por seus Douze Études dans les tons mineurs Op. 39, do qual esse Scherzo Diabolico consta como o terceiro. Foi um virtuoso na vida, mas não utilizava seu talento para promover a própria música, como fazia Liszt. Por isso, permaneceu boa parte de seus dias na obscuridade, concluindo sua curta trajetória musical em 1888.

Charles-Valentin Alkan (1813-1888)
Este que vos fala não tem muita paciência para tocar a música mais lentamente no início do treinamento. Pelo menos estive capacitado a tocar a mão direita da primeira página no andamento correto - e isso não é pouca coisa, acreditem. Imagino que o Alkan vai me dar algum trabalho nesse fim de férias...
